Um dos fundadores do MST e membro da direção nacional do movimento, Gilmar Mauro cobra que a polícia identifique “com celeridade” os responsáveis pela chacina que deixou duas pessoas mortas e seis feridas no assentamento Olga Benário, do MST, em Tremembé.
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Na noite da última sexta-feira (10), homens armados, em carros e motos, invadiram o assentamento e atiraram em várias pessoas.
As vítimas fatais foram Valdir do Nascimento, de 52 anos, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 28. Outras seis pessoas, com idades entre 18 e 49 anos, ficaram feridas e foram atendidas em unidades de saúde locais.
A Polícia Civil já prendeu aquele que é considerado o mentor do ataque, conhecido como “Nero do Piseiro“, de 41 anos. Ele foi localizado em um terreno na cidade de Taubaté. O suspeito já tem duas passagens pela polícia, sendo uma delas por porte ilegal de arma de fogo.
A polícia também conseguiu identificar um segundo suspeito de ter participado do ataque, um homem de 25 anos, que teve a prisão temporária decretada pela Justiça. Ele segue foragido.
Apuração rápida.
“Queremos que tenha apuração não só para colocar na cadeia os executores, mas uma investigação com profundidade para ver quem está por trás desse crime”, disse Gilmar.
“Há indícios muito fortes de que é fruto da especulação imobiliária. Já aconteceram invasões de áreas. Todos os assentamentos têm reserva florestal e em alguns locais houve invasão dessas reservas. E não foram tomadas medidas”, afirmou.
No caso de Tremembé, o assentamento Olga Benário fica próximo da área central da cidade, o que atrairia a especulação imobiliária para o local, segundo o MST.
“Muito próximo da zona urbana e a possibilidade de lotear e conseguir muito dinheiro com aquela terra é grande. Por isso, não sabemos quem está por trás desse processo de pressão. Há interesses nessas áreas. O Olga está há 15 minutos de Tremembé, e há interesses em criar ali um espaço com sítios, chácaras e condomínios para tentar criar clima de desespero e desregulamentação, inclusive da legislação, mas pressão para dentro do MST e nas lideranças. Valdirzão [morto no ataque] combatia com muita tenacidade qualquer tipo de negociação”, disse o coordenador.
Lula em Tremembé.
Gilmar contou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no sábado. O petista enviou dois ministros ao assentamento – Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Social e Agrário) – e pediu à Polícia Federal para acompanhar a investigação.
Segundo ele, Lula se comprometeu a visitar o assentamento quando estiver liberado a viajar de avião. “Assim que ele puder vir de avião ele vai vir à região”, disse Gilmar.
“Mas mais do que a visita [de Lula], que é importante, as medidas que ele anunciou pelo telefone ele está tomando, como a vinda dos ministros e da PF para acompanhar as investigações”, destacou o dirigente.
Gilmar também informou que agentes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania estão vindo para Tremembé “acompanhar de perto na perspectiva de garantir algum grau de segurança dentro do assentamento”.
“Medidas vão ser tomadas de proteção de algumas pessoas e testemunhas”, completou Gilmar.