TRAGÉDIA AÉREA

Caixa-preta de avião que caiu no Vale é encontrada por bombeiros

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução / Davi P. Ribeiro
Avião que caiu no Vale do Paraíba
Avião que caiu no Vale do Paraíba

Foi encontrada na tarde desta quinta-feira (24) a caixa-preta do avião que caiu entre Santa Branca e Paraibuna, no Vale do Paraíba, na noite de quarta-feira (23). Os cinco ocupantes da aeronave morreram.

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Paulo Roberto Reis, capitão do Corpo de Bombeiros as região, disse que após retirar os corpos das vítimas da área de mata, a corporação apoiaram as equipes da FAB (Força Aérea Brasileira) para encontrar a caixa-preta.

O equipamento foi localizado pelos bombeiros no período da tarde, durante as buscas em conjunto com os militares.

A caixa-preta foi entregue para os militares do Seripa 4 (Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão regional do Cenipa em São Paulo, que vão iniciar os trabalhos de investigação do acidente.

De acordo com o serviço, a caixa-preta será fundamental para definir o que houve nos minutos finais do voo. O equipamento gravou apenas a voz, por ser um avião antigo, como a conversa entre piloto e copiloto, mas não armazenou dados do voo, como velocidade, altitude e pressão atmosférica.

Por meio de nota, o Cenipa confirmou que o gravador de voz da cabine (Cockpit Voice Recorder - CVR), popularmente conhecido como caixa-preta, foi localizado e será encaminhado para análise no Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo do Cenipa, em Brasília (DF).

O Cenipa informou que a principal função da caixa-preta não está ligada a encontrar culpados pelos acidentes, mas sim ajudar a identificar as causas e ajudar na prevenção.

Aeronave.

O avião é um modelo EMB-121 (Xingu) da empresa de táxi aéreo Abaeté Aviação, fundada em 1995, com sede em Salvador, na Bahia. A aeronave realizava um transporte aeromédico e carregava insumos de saúde. As cinco pessoas que estavam a bordo e morreram eram funcionários da empresa (veja abaixo quem são as vítimas).

“A empresa está acolhendo as famílias e oferecendo todo o suporte necessário nesse momento de dor. A causa do acidente ainda é desconhecida. A empresa está trabalhando junto às autoridades de investigação de acidentes e oferecendo toda a assistência possível neste momento difícil”, informou a Abaeté Aviação.

De prefixo PTMBU, o avião estava devidamente regularizado e com a documentação em dia. A aeronave decolou de Florianópolis (SC) em direção a Belo Horizonte (MG), onde faria um pouso para abastecer e depois seguir até Salvador.

O que se sabe até o momento é que o avião caiu às 18h39, na divisa entre as cidades de Paraibuna e Santa Branca. Momentos antes da queda, em meio à tempestade, os pilotos solicitaram desvio de rota em razão das condições meteorológicas adversas.

Pouco tempo depois, o radar registrou oscilações de altitude e, em seguida, o sinal da aeronave desapareceu. O avião se chocou contra um morro e explodiu, matando as cinco pessoas que estavam a bordo.

Causa.

A causa do acidente ainda é desconhecida. A Abaeté Aviação está colaborando com as autoridades e com as investigações sobre o ocorrido, além de fornecer suporte às famílias das vítimas.

O Corpo de Bombeiros informou que o local do acidente foi isolado para a identificação dos corpos, que estavam em meio aos destroços da aeronave. O local é de difícil acesso, com densa vegetação, o que dificultou o deslocamento das viaturas, exigindo o uso de tratores da população local para transportar os agentes até o ponto exato do acidente.

A retirada dos corpos está sendo realizada em conjunto com agentes da Polícia Técnica Científica e do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Os corpos serão encaminhados para o IML (Instituto Médico Legal). Foram expedidas requisições para exame necroscópico e identificação das vítimas, além da coleta de material genético para posterior confrontação, se necessário.

No local, de acordo com o boletim de ocorrência, as equipes de resgate encontraram o avião ‘totalmente despedaçado’ e ainda com focos de incêndio, que foram apagados pelos bombeiros.

“Em análise preliminar do local da queda, verificou-se que a aeronave estava totalmente despedaçada e destruída, sendo que havia focos de fogo quando da chegada das equipes, que foram contidos pela equipe dos bombeiros e também dada a chuva que precipitava em intensidade”, diz trecho do documento da Polícia Civil.

Ainda de acordo com o BO, o fogo começou após a colisão do avião com o solo da região onde a aeronave caiu. “Os policiais civis puderam apurar com moradores das redondezas do local que, por volta das 18h30, teriam avistado uma aeronave em queda livre e depois que se chocou com o solo, na área rural, teria pegado fogo”, completa o documento.

Vítimas.

Os cinco ocupantes do avião eram todos funcionários da Abaeté Aviação e residiam em Salvador (BA). A seguir, um breve perfil de cada um deles:

Jefferson Rodrigues Ferreira

Comandante Jefferson Rodrigues Ferreira, 13 anos de experiência e mais de 5 mil horas de voo, nasceu em Guanambi, na Bahia. Era casado, mas não tinha filhos.

Sylvia Rausch Barreto

A médica Sylvia Rausch Barreto nasceu em Pedra Azul, Minas Gerais. Formada em Medicina pela Faculdade Unime, Sylvia era também sócia de uma loja de manutenção de eletrônicos. Seus amigos, como Marcus Vinícius Barreto, destacam seu sonho de ser obstetra e sua forte amizade com eles.

Dulcival da Conceição Santos

O copiloto Dulcival, de 39 anos, era natural de Simão Dias, Sergipe, e morava em Salvador. Estava se dedicando à aviação após mudar-se para a capital baiana. Ele não era casado e não tinha filhos.

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