SABATINA OVALE

Anderson critica Cury e Emanuel, e fala sobre dívida com o IPSM

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 9 min
Reprodução
Anderson Farias é candidato do PSD à Prefeitura
Anderson Farias é candidato do PSD à Prefeitura

Candidato à Prefeitura de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD) participou nesta terça-feira (24), na redação de OVALE, da sabatina com os postulantes ao Paço Municipal.

A sabatina com o prefeito, que busca a reeleição, encerrou a série de entrevistas com os candidatos de São José. As entrevistas, que tiveram uma hora de duração, foram transmitidas ao vivo pelo site de OVALE, além do YouTube e Facebook, com conteúdos adicionais no Instagram.

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Anderson Farias respondeu a perguntas do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves.

Durante a sabatina, Anderson disse que se "incomoda" com a postura do PSD, que participou do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e da gestão do ex-governador João Doria (ex-PSDB, atualmente sem partido), e que integra atualmente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Isso me incomoda, mas entendo", afirmou, ponderando que o PSD "é um partido plural". "Nenhum deles [Dilma, Doria ou Lula] me apoia, e nem eu apoio eles", acrescentou.

Segundo Anderson, o PSD é um "partido de centro", e o candidato afirmou que se vê como "centro mais à direita". "Eu trabalhei para eleger o [ex-presidente Jair] Bolsonaro", disse. "Tem partidos que eu não faria parte de forma nenhuma, como partidos de esquerda".

Anderson também defendeu o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que já foi alvo de ações por corrupção, caixa dois e lavagem de dinheiro. "Gilberto Kassab não foi preso, condenado ou usou tornozeleira. Diferente de outros presidentes de outros partidos", disse, acrescentando que em "admiração pelo Kassab".

No âmbito local, Anderson minimizou o fato de o PSD ter integrado o governo do ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT), de 2013 a 2016, e de ainda ter apoiado a tentativa de reeleição do petista em 2016. "O PSD, antes de ser o PSD, era o PFL, que era um parceiro do PSDB", afirmou. "Eles [PSD] tentaram ajudar o governo [Carlinhos]", acrescentou. "Aqui no estado de São Paulo, o PSD tem uma sua grande maioria, 99,99%, pessoas que são de centro e direita".

Sobre apoios, Anderson disse que Tarcísio de Freitas (Republicanos) "tinha se comprometido" em ajudá-lo na campanha, mas afirmou que entende o motivo que levou o governador a se declarar "neutro" na eleição de São José - no caso, Tarcísio não quis comprar briga com o PL, de Bolsonaro, que lançou a candidatura do ex-prefeito Eduardo Cury na cidade. "Olhando para o futuro, para aquilo que ele [Tarcísio] vai precisar de apoio lá na frente, eu concordo com ele se manter neutro".

Anderson também comentou o apoio que recebeu do ex-coach Pablo Marçal, que é candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB. "O Pablo Marçal, do ponto de vista do que construiu, gerando emprego e renda, é um grande exemplo".

O candidato do PSD disse não confiar no resultado das pesquisas eleitorais divulgadas na semana passada que mostraram Cury isolado em primeiro, enquanto Anderson e Dr. Elton (União) estariam em empate técnico no segundo lugar. "Eu discordo [dos resultados]. Essas mesmas pesquisas mostram que eu tenho mais de 50% de ótimo ou bom. Se for somar regular, chega a 80%. Isso não se transfere [em voto]?". Segundo Anderson, as pesquisas divulgadas na semana passada tiveram falhas no "plano amostral" - ele disse que regiões menos populosas tiveram mais entrevistas do que regiões mais populosas - e são "divergentes" com relação a levantamentos internos da campanha do candidato do PSD. "A gente vê que, nos últimos anos, as pesquisas têm errado muito".

Anderson também comentou a dívida da Prefeitura com o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal), que ultrapassou R$ 500 milhões entre 2021 e 2024: foram firmados dois acordos para pagar a dívida de 2021 a 2023, sendo R$ 165 milhões em 20 anos e R$ 320 milhões em cinco; e, em junho e julho de 2024, a Prefeitura já deixou de repassar mais R$ 31 milhões ao instituto. "Esse aporte não existia nos governos anteriores". O candidato do PSD disse que, no atual governo, a alíquota da contribuição patronal aumentou de 26% para 28%, enquanto outros governos diminuíram esse percentual. "Teve governo no passado de diminuiu de 20% para 10%", afirmou - ele não citou nomes nesse ponto da sabatina, mas as gestões a que se referiu foram as de Cury e do ex-prefeito Emanuel Fernandes (PSDB), que apoia o candidato do PL.

Anderson disse ainda que terminou de pagar, na atual gestão, parcelamentos de dívidas com o IPSM referentes ao governo Emanuel. "Eu pago, hoje, dívida dos outros".

Anderson foi questionado sobre um levantamento do jornal que mostrou que, dos R$ 486 milhões da dívida acumulada com o IPSM de 2021 a 2023, R$ 66 milhões são de juros e correção monetária. Ou seja, é um valor que a Prefeitura teria economizado se tivesse feito os repasses em dia. Para efeito de comparação, daria para pagar a obra da ponte estaiada, que custou R$ 60 milhões, ou comprar 22 VLPs (Veículos Leves sobre Pneus), já que cada um custou R$ 3 milhões. O candidato do PSD afirmou que, mesmo assim, "é muito mais vantajoso" fazer como a Prefeitura tem feito atualmente. Segundo ele, quando o município faz repasses, o IPSM aplica os recursos, mas esses investimentos têm rendido pouco. Com isso, na alegação de Anderson, a Prefeitura posteriormente teria que fazer mais repasses para equilibrar as contas do município. "É melhor eu pagar esses juros ou colocar mais dinheiro, mais R$ 200 milhões no instituto, que está dando prejuízo?".

O jornal questionou se, parcelando a dívida da atual gestão em cinco ou 20 anos, Anderson não estaria deixando débitos para os próximos prefeitos. "Sim, não tenha dúvida disso [de que está deixando a dívida para os governos futuros]. Mas hoje, da dívida que tem, 95% é de governos anteriores".

Anderson também respondeu perguntas sobre dois apontamentos do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Em um deles, o órgão alertou que a Prefeitura teve um déficit orçamentário de R$ 120 milhões em 2023. No outro, também referente ao ano passado, conferiu ao município a segunda nota mais baixa em um índice que avalia a efetividade da gestão fiscal. Segundo o candidato do PSD, esses dois apontamentos são reflexos de uma diminuição de repasses ocorrida no primeiro ano do governo Lula. "A gente sofreu muito, no último ano, com o governo do Lula", disse. "Quanto fiz o orçamento do ano passado, não contava com essa diminuição [de repasses]". Anderson afirmou, no entanto, que a Prefeitura não tem atrasado pagamentos a fornecedores e que, devido às sobras de 2019, fechou o ano passado com R$ 176 milhões em caixa.

Semanas atrás, o apontamento do TCE sobre a nota da efetividade da gestão fiscal resultou em alfinetadas entre as campanhas de Anderson e de Cury. Questionado sobre isso, o candidato do PSD disse ter diferenças hoje com relação a Cury e Emanuel - até 2022, todos faziam parte do mesmo grupo, no PSDB. "Nossa divergência começou quando eles apoiaram o Doria, e nós não. A gente sabe quanto foi danoso o governo do Doria na pandemia", afirmou. "O meu discurso não mudou em absolutamente nada, eles mudaram", acrescentou. "Sinto muito pela postura deles hoje, com relação ao governo atual, meu governo".

Anderson também falou sobre a novela do transporte público - desde 2020, a Prefeitura já fez uma série de tentativas de fazer a nova licitação do setor, mas fracassou em todas. Segundo ele, São José aposta em um modelo que "nenhuma cidade do país fez até hoje". "Vamos sair na frente. São José mais uma vez será inovadora na questão do transporte público". O candidato do PSD afirmou que, por isso, enfrenta resistência das empresas. "Eu tenho uma resistência no mercado. Mas, hoje, essa resistência é muito menor", disse. "Na última licitação teve uma empresa que apresentou proposta, o problema foi no preço".

Anderson admitiu, porém, que a não conclusão da nova licitação prejudicou a qualidade do serviço prestado. "O sistema de transporte público, dois anos atrás, estava péssimo. Eu tinha três veículos que quebravam por dia, em média. Hoje eu não tenho esse número mais. A gente já trocou a frota, a gente já modernizou, e tem um sistema de transporte muito diferente. É o que quero para a cidade? Não. É o que o usuário merece? Não. Por isso vamos fazer toda essa mudança. Eu tenho certeza que estamos no caminho certo".

Ainda na área da mobilidade urbana, Anderson defendeu duas das principais vitrines do atual governo, que são alvo de questionamentos. A Linha Verde, por exemplo, que teve um custo total de quase R$ 200 milhões na primeira fase, recebe críticas por circular muitas vezes com os veículos vazios. Já no caso da ponte estaiada, que custou R$ 60 milhões, a Justiça apontou que a obra foi ineficiente e condenou a Prefeitura a fazer uma série de adequações naquela região para melhorar o trânsito. O candidato do PSD negou que os dois projetos tenham sido mal planejados. "De forma alguma".

Sobre a Linha Verde, Anderson afirmou que apenas "2% do sistema alimentador" do sistema está em operação, e que mesmo assim "ela transporta 190 mil passageiros por mês". "A Linha Verde tem a sua eficiência. Vamos fazer a fase dois, até o PIT [Parque de Inovação Tecnológica]".

Sobre a ponte estaiada, Anderson rebateu as críticas. "Na alça que vem da São João, sentido zona sul, 57% [dos veículos] passam pela alça, os outros 43% são embaixo. Tira essa alça [da ponte], o que seria dessa alça?", indagou. "As pessoas lembram como era essa rotatória antes do Arco da Inovação? O trânsito parava na Dutra". O candidato do PSD também disse discordar do laudo pericial que apontou que, caso a Prefeitura tivesse feito apenas adequação semafórica, atingiria resultado semelhante ao que obteve com a construção da ponte. "O laudo, infelizmente, é questionável", afirmou. "Eu não acordei com vontade de construir uma ponte estaiada. Aquilo tem estudo".

Anderson também justificou o fato de obras prometidas na campanha de 2020 não terem sido entregues até esse ano, e constarem no plano de governo da campanha de 2024, como: a conclusão da Via Jaguari, que devia ter ficado pronta em junho de 2024; a conclusão da duplicação da Avenida João Rodolfo Castelli, que devia ter sido concluída em maio de 2023; ou a ligação da Carvalho Pinto com a Estrada do Cajuru, que nem foi iniciada. Sobre as duas primeiras, o candidato do PSD afirmou que os atrasos têm relação com os processos de licenciamento ambiental. Sobre a terceira, o governo estadual ainda não teria dado autorização para a obra. "São obras em que a gente dependeu de terceiros", justificou.

No plano de governo desse ano, Anderson promete construir o Hospital da Mulher. O candidato do PSD negou que seja o mesmo projeto iniciado em 2016 no governo Carlinhos, e que não teve continuidade em 2017, quando Felicio Ramuth (PSD) assumiu. "De forma alguma, não é o mesmo projeto", disse. Segundo Anderson, a proposta do Carlinhos era "um ambulatório da mulher". "O que estou propondo é construir o Hospital da Mulher onde hoje é o ambulatório. Fazer um prédio de quatro andares, trazer a maternidade que está no Hospital Municipal", afirmou. "É bem diferente daquilo que o Carlinhos propôs".

Comentários

6 Comentários

  • José Figueira 25/09/2024
    Quando eu vejo o Anderson, criticando o Emanuel o cara que se formou no ITA e mudou São José. Eu paro, respiro e já sei que São José precisa mudar de Prefeito.
  • Jeniffer Batista 25/09/2024
    Em meio às promessas de campanha eu resolvi procurar uma ex professora de maus filhos e ouvir o que ela teria a me dizer sobre este Prefeito, não precisei mais que 10 minutos de conversa para ter a certeza que São José precisa de outra pessoa, com mais empatia pelos idosos aposentados e que pense menos em asfaltar ruas.
  • Paulo José Chagas 25/09/2024
    Gente, como política é suja. A pouco tempo atrás, eram todos cama e mesa, um secretário do outro, outro deputado federal em defesa da cidade do outro, mil maravilhas. Mas a sede de poder detona tudo, é isto. Política para mim é dim dim, o resto, como dizia o saudoso Álvaro Gonçalves, é silêncio.
  • Laurence Benatti 25/09/2024
    Simplesmente não convence. Os servidores do município, como também os aposentados e pensionistas do Instituto, não receberam a atualização dos vencimentos referente à inflação do período da pandemia. Além disso estão contribuindo com 14% dos vencimentos para o instituto sobre o que ganham acima dos salário mínimo nacional e não sobre o valor máximo da previdência, o que infere uma diferença enorme. Além disso, diversas leis foram aprovadas pelos veradores, cupinchas do executivo, que prejudicaram o Instituto em termos de patrimônio. O PSDB e outros partidos nunca \"gostaram\" de funcionário público concursado porque são autônomos e não compactuam com \"certas\" manobras eleitoreiras. Esquecem que a segurança do município está exatamente calcada neste fundamento. Quem realmente contribui e contribuiu para o progresso desta cidade são e foram os funcionários públicos que se dedicaram para isso e, diga-se de passagem senpre sendo atrapalhados pelo egocentrismo dos caudilhos e seus asseclas.
  • Pedro de Lima 25/09/2024
    Com 4 bilhões de orçamento ainda faz uma dívida de 500 milhões para 20 anos? Não preciso de mais nada para votar em outro.
  • Alfredo Macedo 25/09/2024
    Quem era esse rapaz antes de Cury e Emanuel? O poder subiu-lhe à cabeça! Dá pra confiar em um gestor que não era nada antes de Cury e Emanuel? Minha avó sempre me dizia: quer ver o caráter de alguém, de-lhe poder! Bingoooo!