Candidato à reeleição em Taubaté, o prefeito José Saud (PP) participou nesta segunda-feira (23), na redação de OVALE, da sabatina dos postulantes ao Palácio Bom Conselho.
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As sabatinas com os candidatos a prefeito de Taubaté ocorrerão até 24 de setembro, com início às 11h. As entrevistas têm uma hora de duração e são transmitidas ao vivo pelo site de OVALE, além do YouTube e Facebook, com conteúdos adicionais no Instagram.
Saud respondeu a perguntas do chefe de reportagem de OVALE, Caíque Toledo, e do repórter especial Xandu Alves.
Durante a sabatina, Saud criticou duramente o ex-prefeito de Taubaté Ortiz Junior, candidato na cidade pelo Republicanos. “Péssimo prefeito”, disse ele.
O mandatário alegou que sua gestão foi prejudicada pela administração do adversário, que o antecedeu no comando da administração municipal.
“Pegar uma dívida de R$ 1 bilhão e realizar 93% do plano de governo não é para qualquer um. O ex-prefeito disse que pegou dívida de R$ 45 milhões e fez 25% do plano de governo no segundo mandato. Eu fiz muito mais”, disse Saud.
Segundo o TCE (Tribunal de Contas do Estado), a dívida total era de R$ 800 milhões, sendo que a dívida que o ex-prefeito devia ter pago até 2020 e não pagou era de R$ 106 milhões. O restante era de compromissos futuros, entre dívidas de curto prazo, que são aquelas que vencem em 12 meses, e dívidas de longo prazo, que vencem depois de 12 meses (grande parte delas nem venceriam até o fim do atual governo, em 2024). Mesmo assim, Saud insistir em usar o número de R$ 1 bilhão durante a sabatina.
O prefeito de Taubaté voltou a criticar Ortiz Junior em diversos momentos da sabatina, dizendo que precisou honrar contratos assinados e não pagos durante a gestão do ex-prefeito, o que teria prejudicado sua própria gestão.
“Contratos que o ex-prefeito tinha assinado e honrei quase que todos, a não ser pelo CAF [Banco de Desenvolvimento da América Latina]. Não paguei por causa da chuva torrencial que caiu na cidade e tivemos que fazer muitas obras emergenciais”, afirmou Saud.
“Cumprimos o plano de governo porque Deus nos ajudou muito e tínhamos gente focada em trabalhar e entregar, senão não daria”, completou.
Sem apoio de nenhum partido nessas eleições, ao contrário das seis legendas que o apoiaram no primeiro turno de 2020, Saud ironizou a falta de coligações: “Não sei até onde é importante hoje [ter apoio] ou é livramento. Se tem muitos partidos, vão querer secretarias. Agora estou tranquilo para ir para a campanha”, afirmou.
Saud disse que precisou convencer o próprio partido da viabilidade da sua candidatura. “Várias vezes os ‘grandões’ de Brasília do PP disseram que não tinha condição, e tive que convencê-los. Tenho trabalho para mostrar”.
O prefeito de Taubaté citou o que chama de “diferença enorme” entre ele e os políticos. “Os empresários fazem e resolvem problemas, os políticos querem ir e cacarejar. Eu não sou assim e não é o meu tom, que é de trazer resultados. O tempo vai mostrar o que eu fiz”, afirmou Saud.
Questionado se subestimou os problemas da cidade ou se teria se arrependido em se tornar prefeito, Saud disse que “acreditou naquilo que o ex-prefeito falou na transição” sobre as condições financeiras de Taubaté, que “estava deixando superávit”.
“Não tenho arrependimento. Se não fosse eu pegar aquilo, daí teria arrependimento mesmo, Pagamos mais de R$ 600 milhões do pacote da dívida. Temos que renegociar outras dívidas. Estamos seguindo todos os trâmites do governo federal para não bloquearem as nossas contas. Foi difícil para caramba e foi o importante eu estar lá para sair disso aí”, disse Saud.
Perguntado sobre aumento de gastos da prefeitura durante seu mandato, mesmo com as dívidas da administração, Saud disse que recebeu uma espécie de “herança maldita” da gestão anterior e que adotou uma “visão de empresário”, usando os recursos para multiplicar a chance de gerar divisas para a cidade.
Ele também associou essa “visão administrativa” ao aumento no número de cargos comissionados em Taubaté, que subiram de 100 para cerca de 200. Segundo o prefeito, a maioria dos cargos é ocupado por servidores de carreira do município.
“É questão de visão. A minha é a do empresário. Ou usava o pouco dinheiro que tinha para pagar a dívida ou usava para gerar recurso. Decidi investir no servidor público para fazer a prefeitura funcionar e gerar reursos. Aumentar a arrecadação sem aumentar impostos. Essa conta não fecha na cabeça das pessoas, mas deu resultado. É notório que deu resultado”, explicou.
“Aumentei em R$ 14 milhões a folha de pagamento por mês. Fui corajoso de colocar [e acreditar] nas mãos dos funcionários [o trabalho] e fazer com que as coisas funcionassem.”
Ele também criticou a municipalização do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté), feita na gestão de Ortiz Junior, e disse que a cidade nada ganhou com ela. “Não consegui entender até agora. O que se ganhou com isso? A cidade ficou com o carnê?”, questionou.
Saud ainda defendeu a compra do Saad e da antiga ADPM e disse que os R$ 53 milhões gastos para a aquisição vieram do governo federal, e que a gestão pretende construir ali a ‘Cidade da Criança’, também chamada de Sedes 2.
O prefeito de Taubaté defendeu também as 51 obras emergenciais e gerais feitas na cidade na época das chuvas. “Caiu o mundo na cidade e tivemos que fazer muitas obras emergenciais”.
Saud usou durante a sabatina o índice de 93% de cumprimento das promessas de campanha, do plano de governo. Levantamento de OVALE mostra resultado diferente, de 5% de cumprimento total dos compromissos e de 50% que ainda estão sendo feitos e não foram concluídos.
O prefeito contestou os dados de OVALE e questionou a inclusão de itens prometidos ao longo da campanha, em entrevistas e debates, por exemplo. Segundo ele, nem tudo o que foi dito significava que seria feito. A maternidade foi um exemplo. “Promessa de campanha tem que ser feita antes da eleição. Eu gostaria de ter feito [a maternidade], mas não deu pela falta de dinheiro. Eu falei que gostaria de fazer, e não que iria fazer”.
No final da sabatina, Saud disse que “trabalha muito” por Taubaté e que a cidade “está arrumada”, mas admitiu que ainda falta muita coisa a se feita.
”Gostaria de ter feito muito mais, mas as dívidas não permitiram. Quero a oportunidade de estar com menos dívida e realizar muito mais para vocês. Quantas vezes eu não chorei porque não conseguia dar o que a população queria. Tinha uma dívida para pagar. Tenho a certeza de que fiz o melhor e que posso dar mais”, completou.