A mãe da corretora de imóveis Valéria Fátima de Castro, brutalmente assassinada aos 25 anos de idade, em São José dos Campos, esperou por quase uma década que o principal acusado pelo crime fosse preso.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
O homem era considerado o mentor do assassinato da filha, morta por asfixia e que teve o corpo todo queimado. O caso chocou a região.
Valéria foi morta em fevereiro de 2015 pelos colegas de trabalho, após uma discussão sobre comissão da venda de um imóvel. Quatro acusados foram condenados pela Justiça, sendo que um deles estava foragido desde o crime. No ano que vem, ele completaria 10 anos sem responder ao homicídio.
No entanto, nesta quinta-feira (29), em uma rua de Jacareí, Lucas de Lima Pinto, de 34 anos, foi preso pela Polícia Militar. Ele foi condenado a 21 anos de prisão pela morte da corretora, crime do qual foi considerado o mentor, e estava desaparecido desde o assassinato, para desespero da mãe de Valéria.
“Acabou com a vida da gente, com a minha, com a dos filhos dela. Ninguém espera isso acontecer. Uma parte minha foi embora. Espero que a justiça dos homens se concretize”, disse ela, em um vídeo sobre o caso.
“Que eles paguem pelo crime. Destruíram não só a minha família, mas a família deles também. A perda maior foi a minha, pelos meus netos, que não têm a mãe. É muita crueldade”, afirmou a mulher.
“Nunca esqueci a minha filha e não vou esquecer. É muita dor perder um filho na forma como perdi. Rezo e peço a Deus todos os dias para ele ser encontrado. Quero que ele fale a verdade, para eu ter um pouco de paz e conseguir dormir em paz. Se eu não tenho paz, tenho certeza que eles não têm paz também. Perder um filho é a pior coisa no mundo.”
Corpo carbonizado.
O corpo de Valéria foi encontrado carbonizado numa estrada de terra na região norte de São José, em 13 de fevereiro de 2015. Era sexta-feira, véspera de Carnaval. Terminava de forma lúgubre e misteriosa a vida de Valéria, casada, mãe de dois filhos e corretora de imóveis em São José.
Só que ninguém sabia quem era a mulher queimada. Não havia documentos ou qualquer tipo de identificação. As chamas destruíram todos os traços que pudessem ajudar os policiais a desvendar a identidade da vítima.
Sem identificação, o caso não foi encaminhado diretamente à equipe de Homicídios de São José, mas para o setor de Desaparecidos da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da cidade.
Primeiro, um detalhe colaborou para corroborar a convicção de que o corpo carbonizado era o de uma mulher. Um dos pés não havia sido inteiramente consumido pelo fogo. Era muito semelhante ao pé de uma mulher, mais delicado do que o de homem, e as unhas estavam pintadas de vermelho.
Os policiais analisaram registros de pessoas desaparecidas em data próxima ao encontro do cadáver e descobriram o boletim de ocorrência de Valéria, registrado pela mãe.
Mas a certeza de que o corpo carbonizado era mesmo o de Valéria só viria muito tempo depois. A investigação levou cerca de dois meses. Quando o laudo da perícia ficou pronto, confirmando a identificação do cadáver, que precisou ser exumado, os investigadores já haviam chegado aos autores do crime e pedido a prisão deles, concedida posteriormente pela Justiça.
Pedido de prisão.
A Polícia Civil pediu a prisão de todos os quatro suspeitos de envolvimento na morte de Valéria. Um colega dela foi preso em 15 de abril de 2015 e as duas mulheres em junho daquele ano. Lucas estava foragido desde que prestou depoimento aos investigadores, em março de 2015.
Em fevereiro de 2020, cinco anos após o crime, os acusados foram condenados pela Justiça, por meio de júri popular em São José. As duas mulheres, que haviam sido inocentadas em sessão anterior, foram condenadas a dois anos e seis meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de ocultação de cadáver.
Réu foragido e que foi representado no julgamento por um defensor indicado pela Justiça, Lucas foi condenado a 21 anos e quatro meses de prisão em regime fechado por homicídio e ocultação de cadáver.
O outro colega de Valéria foi condenado em 2016. A pena inicial de 15 anos de prisão foi ampliada para 18 anos e oito meses após recurso do Ministério Público. Ele está preso desde 2015.
Lucas chegou a entrar para a lista de criminosos mais procurados pela Polícia Civil de São José dos Campos. Com a prisão dele, o caso Valéria finalmente chega ao fim quase uma década depois do crime.