"Já brincou com Papai do Céu?".
Comovente, a pergunta foi feita em uma carta aberta postada pela irmã e endereçada ao pequeno Heitor Nascimento dos Santos, o "Anjinho Heitor", de um ano e oito meses, que morreu atropelado em São José dos Campos. O acidente, ocorrido no último sábado (28), no Jardim São José 1, na região leste, comoveu a cidade. A homenagem ao bebê foi escrita, publicamente, nas redes sociais de Maria Fernanda, irmã de Heitor.
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"Já brincou com o Papai do Céu? Ele já te deu papá? Levou sua pepeta, né, vida?", diz trecho da carta. Nela, a irmã chama Heitor de "presente de Deus" e diz que jamais vai esquecê-lo.
"Carta aberta para o meu pretinho!
Você foi meu maior tesouro, o sonho que eu sempre pedia para nossa mãe: “Mãe faz um neném homem com o olho verde”. Eu só pedia isso. E veio o nosso “tesouro”, nosso “homenzinho” (...) o AMOR DA MINHA VIDA!
Eu prometi não deixar ninguém te machucar, NINGUÉM! Infelizmente eu falhei contigo, infelizmente não consegui te proteger, eu tentei ser uma irmã boa para você, eu só queria saber como você está nesse momento, já brincou com o Papai do Céu? Ele já te deu papá? Levou sua pepeta né vida? Obrigado por tanto, obrigado por cuidar de mim aqui, obrigado por ter trazido o meu brilho, obrigado por me deixar feliz quando eu chegava cansada da escola e do serviço!", escreveu a irmã do pequeno Heitor, em uma homenagem que emocionou amigos e familiares.
Ela lembrou-se ainda do último abraço que deu no irmãozinho e pediu que Heitor a proteja.
"Dia 28 você me deu um abraço tão do nada, tão verdadeiro, eu queria novamente, mas você só olhava para mim com o seu olhar inocente e dava risada. Você sempre estará no meu coração, nas minhas lembranças e no meu pensamento, jamais esquecerei do meu bolo fofo, JAMAIS, você sempre foi meu presente de Deus", afirmou a jovem. "Eu ainda fico me perguntando por que Deus te levou (...) EU LHE AMO DEMAIS, CUIDA DA IRMÃ AÍ DE CIMA", completou.
O CASO.
Segundo boletim de ocorrência obtido pelo OVALE, o acidente aconteceu por volta das 11h. De acordo com o documento, a PM foi acionada para atender um chamado de atropelamento. A motorista disse que o Heitor cruzou a rua repentinamente e ela não teria visto.
Em conversa com a reportagem na noite desta segunda-feira (1), pouco mais de 24 horas após enterrar o filho, Gracielle do Nascimento, 35 anos, falou sobre o que aconteceu com Heitor. “Minha filha mora no meio do quarteirão. Quem estava no final da rua escutou, porque foi muito forte”, disse.
Gracielle morava em Caraguatatuba com o filho, no bairro Getuba, e os dois estavam de férias, na casa de sua filha mais nova. Além de Heitor, Gracielle e mãe de duas meninas de 18 e 15 anos. “Minha filha ia trabalhar, a colega dela chegou o com o carro. Aí quando minha filha entrou no carro, o Heitor saiu. A motorista não viu e pegou ele”, disse Gracille. Os irmãos eram muito ligados e ela acredita que o menino tenha corrido para ver a irmã.
“Mas ela não parou o carro e andou mais umas duas ou três casas para frente, arrastando meu filho”, disse a mãe. Desesperada, Gracielle conta que saiu correndo para socorrer Heitor. O garoto tinha muitos ferimentos e estava desmaiado. “Ele perdeu muito sangue”, disse mãe.
Sem saber o que fazer, Gracielle conta que pegou o menino no colo e seguiu para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Novo Horizonte. “Ele estava vivo, mas estava fraco, perdendo muito sangue”, disse mãe.
Com a gravidade do caso, Heitor foi transferido para o Hospital Municipal da Vila Industrial, onde não resistiu aos ferimentos graves e morreu por volta das 12h25. O corpo de Heitor foi velado durante o domingo (30), em Caraguatatuba, onde também foi enterrado. “Esse menino era meu sonho. Era meu sonho ter um filho homem”, disse Gracielle.
A reportagem não localizou a motorista do carro. Segundo a família, a jovem trabalha em um petshop. “Eu acho que no mínimo, uma desculpa, coisa que ela não fez”, afirmou a mãe. Gracielle disse que está medicada e tem tentado assimilar tudo que aconteceu. “Nada que eu fizer vai trazer ele de volta”, disse a mãe.