Um vídeo gravado pela veterinária e ciclista Letícia Besse, no qual relata um episódio de assédio enquanto pedalava em uma estrada no bairro de Secretário, em Petrópolis, ganhou grande repercussão nas redes sociais. Letícia, visivelmente abalada e chorando, compartilhou o medo que sentiu durante o incidente ocorrido na última sexta-feira (21). Na legenda do vídeo, ela revelou que enfrentou a mesma situação menos de 15 dias antes, sendo que este foi o quarto episódio de assédio nos últimos três anos.
“Passou um cara de moto, ficou me olhando, diminuiu a velocidade e eu segui. Na hora em que olho, ele voltou… nunca tive tanto medo! Ele ficou com a moto do meu lado e disse: bom dia, você não vai me responder, não? E ele me xingou de um nome”, relatou Letícia. Para ela, talvez no momento em que o homem viu que ela havia pegado o celular para filmar, tenha desistido de continuar a perturbá-la.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp.
A postagem de Letícia no Instagram recebeu uma avalanche de apoio e discussões, com mais de 11 mil comentários. Várias mulheres compartilharam experiências semelhantes, destacando como o assédio é uma realidade constante em espaços públicos. "Eu não vou ficar calada… Espero que esse relato sirva de apoio para todas as mulheres que já passaram por isso, e que mesmo com medo, não deixe de fazer o que gosta. ", escreveu Letícia na legenda da postagem.
Teve homem dizendo que a ciclista deveria ter respondido o bom dia por educação, enquanto outras pessoas explicavam que desconhecidos não devem abordar mulheres sem necessidade, porque isso provoca medo e constrangimento.
“É muito triste uma mulher ter que escolher um horário 'mais seguro' ou precisar de uma companhia masculina para conseguir fazer algo tão natural como se exercitar,” desabafou Letícia. “Cada vez que isso acontece, seja comigo ou com uma amiga, nosso medo vai aumentando. Só de escutar uma moto ou carro passando devagar, gera uma angústia e impotência,” acrescentou, destacando como esses sentimentos transformam um ato de prazer e liberdade em apreensão e ansiedade.
Uma postagem do perfil Feminismo Includente ajudou a espalhar o vídeo. “É muito cansativo! A segurança não é real quando continuamos sendo vítimas constantemente de assédio e violência. Precisamos questionar essa falsa sensação de segurança, é preciso ações concretas para ontem, responsabilizar os assediadores e implementar políticas mais rígidas de combate ao assédio não apenas na nossa cidade, mas em todo nosso país. Não podemos mais tolerar a impunidade e a normalização da violência contra as mulheres”, escreveu o perfil.
O vídeo de Letícia não ficou restrito ao Instagram. No Twitter, um comentário da ilustradora Ana Luiza Koehler sobre o assunto recebeu mais de 20 mil curtidas. “Isso aqui chama-se expulsar a mulher do espaço público. Do assédio sexual ao feminicídio, é como os homens expulsam mulheres do espaço urbano, da vida profissional, da política e do esporte. É sobre poder, é sobre controle e é sobre desumanização,” escreveu Ana Luiza, resumindo a indignação coletiva.