MORTE NA TAMOIOS

'Que Justiça seja feita, em nome de Jesus', diz mãe de Cristiano

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 7 min
Reprodução
Cristiano e a filha Melissa
Cristiano e a filha Melissa

"Eu, como mãe do Cristiano, quero a Justiça seja feita, em nome de Jesus".

A frase é de Jeni Teixeira, a mãe de Cristiano Teixeira de Oliveira, de 39 anos, morto em acidente na Rodovia dos Tamoios, em São José dos Campos, na madrugada de 27 de abril. A moto que Cristiano guiava foi atropelada por um carro de luxo -- um Volvo XC60 prata. O empresário Kelvin Ribeiro, 31 anos, que dirigia o veículo, não prestou socorro e fugiu do local. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp. 

A avó, que está com a guarda dos netos, tem fé na condenação do empresário pela morte do filho. Cristiano cuidava sozinho do casal de filhos desde a perda da esposa, que lutou por três anos contra o câncer e morreu há um ano e meio. A morte Cristiano comoveu a cidade e revoltou a família, que cobra justiça. Até aqui, o motorista do Volvo não ofereceu nenhum tipo de ajuda à família da vítima.

Mas, afinal, quem era Cristiano? Motorista, viúvo e pai de dois filhos, ele perdeu a vida na madrugada de sábado (27), em um acidente na Rodovia dos Tamoios, após a sua moto ter sido violentamente atingida na traseira por um carro de luxo -- Volvo XC60 prata. Já identificado pela polícia, o motorista não prestou socorro. Ele foi ouvido, liberado e responde o inquérito em liberdade.

CRISTÃO.

Definido pelos amigos como uma "referência de cristão", Cristiano era motorista e pai de dois filhos, uma menina de 15 e um menino de 8 anos. Ele criava as crianças sozinho desde a morte da esposa, Mayara Kelen, há um ano e meio atrás. Cristiano lutou ao lado da amada durante os três anos de tratamento contra o câncer.

"O que o meu pai mais queria era reencontrar minha mãe, ele estava sofrendo muito aqui na Terra por conta de ter perdido ela. Agora eles estão juntinhos lá no céu! O amor deles era tão forte que eles estão juntos", afirmou a filha de Cristiano, Melissa, em palavras carregadas de emoção após a perda do pai.

Além de motorista, Cristiano era diácono na Aliança Cristã de São José, onde atuava havia 18 anos. Os amigos e familiares definem Cristiano como "referência de cristão", excelente pai, marido maravilhoso, amigo querido e um homem com bom coração. "A família era tudo para ele. Uma pessoa super de bem, ajudava a todos que precisava. Uma pessoa cristã, de Deus. Ninguém tem uma coisa ruim para falar do Cristiano", disse uma prima do motorista.

Cristiano sonhava quitar a casa da família e conseguir garantir um diploma para os dois filhos, além de seguir trabalhando como motorista, de preferência, a bordo da boleia de um caminhão, uma de suas paixões.

A MORTE.

O acidente aconteceu por volta de 1h50 de um sábado (27 de abril) em um acesso à Rodovia dos Tamoios, no Km 8, na altura da Vila São Bento, e foi comunicado à polícia às 2h12. A equipe de resgate foi ao local, onde um carro de luxo -- Volvo XC60 prata -- bateu na traseira da moto de Cristiano, uma JTA/Suzukien. Os veículos ainda estavam na rodovia e Cristiano foi encontrado morto. O motorista do Volvo, o empresário Kelvin Barbosa Ribeiro, fugiu sem prestar ajuda -- de acordo com a defesa, o motorista estava fugindo de dois criminosos, quando atingiu a moto de Cristiano acidentalmente.

Imagens de vídeo obtidas por OVALE mostram o estado do Volvo XC60 prata e da moto JTA/Suzukien envolvidos no acidente que matou Cristiano. Na gravação, é possível perceber a violência do choque. O carro e a moto ficaram 'engatados'. A moto guiada por Cristiano foi atingida na traseira.

OVALE ouviu a versão de testemunhas. Motociclistas e entregadores foram os primeiros a presenciar a tragédia. Eles narram que o motorista do Volvo fazia zigue-zague na Tamoios, em alta velocidade, e atingiu a moto do Cristiano -- a defesa nega. Com o impacto violento, Cristiano caiu.

“Ele passou por cima e foi embora. Ele deixou meu irmão igual um animal na pista”, disse Cristian Teixeira, irmão do Cristiano, em entrevista a OVALE. Segundo Cristian, testemunhas disseram à família, que o Volvo teria passado sobre o corpo da vítima. “O corpo estava muito machucado”, disse Cristian.

FUGA.

Após atropelar Cristiano, o motorista do Volvo, um empresário de 31 anos, seguiu em alta velocidade pela Tamoios, de acordo com as testemunhas ouvidas por OVALE. Com a violência do choque, a moto ficou presa no carro e o motorista seguiu fazendo zigue-zague, na tentativa de fazer o veículo de Cristiano se desprender do Volvo.

Sem conseguir e com a moto ligada, ele seguiu sentido Caraguatatuba, e entrou na alça de acesso para os bairros na região do Putim. Ele passou sob um viaduto na Tamoios e seguiu por mais alguns metros, onde parou com o carro, em uma avenida de acesso ao bairro. Neste momento, uma testemunha ouvida pelo OVALE narra o encontro.

“Eu estava fazendo o sentindo inverso dele na avenida e vi ele parando e descendo do carro. Ele estava 'doidão', com certeza estava embriagado”, disse. O motorista, segundo a testemunha, desnorteado, saiu do carro armado. Olhando para os lados, ele atirou para cima. “Eu fiquei com medo, mas vi ele correndo em uma rua e sumiu”, disse a testemunha que se apresentou ao DP. A capsula da pistola .40 foi apreendida pela perícia no dia do acidente.

Acompanhado pelo advogado, o motorista do Volvo foi ao 7º DP e foi ouvido, sendo posteriormente liberado. O caso está sendo investigado como "homicídio culposo na direção de veículo automotor". A defesa dele afirmou que o cliente está "disposto a ajudar nas investigações". De acordo com a defesa, o motorista e sua família estão recebendo ameaças de morte.  A defesa do motorista diz que o cliente pretende, em algum momento, prestar apoio à família da vítima.

OUTRO LADO.

O advogado Rodrigo Coelho da Cunha, que defende o empresário Kelvin Ribeiro, 31 anos, que dirigia o Volvo, enviou uma nota à reportagem de OVALE com a versão do motorista sobre o acidente. De acordo com a defesa, Kelvin estaria escapando de uma abordagem criminosa e acelerou o carro, batendo "por uma fatalidade" na moto de Cristiano. Segundo a defesa, o empresário e sua família estão recebendo ameaças. Leia abaixo a nota na íntegra:

"Na condição de advogado do motorista que está sendo investigado pela morte do sr. Cristiano Teixeira Oliveira, que veio a falecer em decorrência do acidente de trânsito ocorrido na Rodovia dos Tamoios, no dia 27/04/2024, temos a informar o seguinte: 1. Enquanto trafegava pela Rodovia dos Tamoios, em direção a sua residência, o motorista percebeu a aproximação de duas motocicletas, tendo uma delas sinalizado em direção ao seu veículo e outra ingressado na contramão em direção ao seu carro para iniciar a abordagem criminosa. Naquele momento, temendo por sua vida, acelerou o veículo com o objetivo de se evadir do local, vindo a colidir, por fatalidade, com a motocicleta dirigida pelo sr. Cristiano Teixeira Oliveira.

2. Assim que ouviu o barulho da colisão, percebeu que a moto havia ficado acoplada ao parachoque do veículo e, sem identificar o motociclista e sem vê-lo caído ao chão, permaneceu em fuga em direção ao bairro mais próximo em busca de ajuda. Informa ainda que possui arma de fogo registrada e efetuou disparo para o alto com o intuito de afastar os criminosos.

3. O motorista informa que se apresentou espontaneamente à autoridade policial, que está colaborando para a elucidação dos fatos e que lamenta profundamente a morte do sr. Cristiano Teixeira, solidarizando-se com a família da vítima e colocando-se à disposição para dar todo o suporte que for necessário.

4. O motorista nunca respondeu a nenhum processo criminal, não faz uso de bebidas alcoólicas ou de drogas e pede para que sua vida pessoal não seja exposta, pois está recebendo ameaças após a ampla divulgação do caso pela imprensa, temendo pela vida de sua esposa e filho.

5. Por fim, esclarece que o motorista agiu em estado de necessidade, sem nunca assumir o risco pelo acidente ou agir de forma negligente ou imprudente, cujos fatos serão devidamente comprovados pelas provas já encaminhadas para a Polícia Civil".

Comentários

Comentários