HOSPITAL REGIONAL

HR Vale retira tumor cerebral em cirurgia com paciente acordado

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Governo de SP
Equipe de cirurgia no Hospital Regional
Equipe de cirurgia no Hospital Regional

Instalado em Taubaté, o Hospital Regional do Vale do Paraíba realizou, pela primeira vez, uma neurocirurgia para retirada de tumor com paciente acordado. Conhecido como “Awake”, o procedimento é técnica avançada e com menor risco de danos cerebrais.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp.

O auxiliar de depósito Anderson Felipe Martins da Silva, 37 anos, acometido por um tumor intracraniano, passou pelo procedimento inédito na unidade após ser diagnosticado com uma lesão na chamada “área nobre do cérebro”, responsável pelas funções motoras.

Com fortes crises convulsivas, Anderson foi até o Hospital Regional em novembro do ano passado, quando descobriu um tumor primário no sistema nervoso central por meio dos exames. Visando uma recuperação mais rápida, foi recomendada a técnica Awake no lugar da cirurgia convencional.

“Quando os médicos falaram que precisaria de procedimento cirúrgico, eu falei que estava pronto para o que eles me dissessem a respeito dos próximos passos do meu tratamento, mesmo preocupado por se tratar de uma área tão delicada do corpo. Porém, fui confiante”, conta o paciente.

A médica anestesista, Ana Claudia Aragão Delage, explica que o procedimento utilizado nestes casos permite preservar ao máximo as funções cerebrais, evitando lesões neurológicas e sequelas no pós-operatório.

Durante a operação, o paciente anestesiado permanece acordado e recebe comandos para que a equipe médica se certifique de que as demais áreas não estejam sendo afetadas.

De acordo com o neurocirurgião Fábio Carreirinha, que também participou e chefiou a equipe de cirurgia, a evolução e a maior acessibilidade às medicações analgésicas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) permitem a realização de cirurgias desse porte sem causar sensibilidade à dor e sedação, mantendo o paciente em estado de consciência. O procedimento dura, em média, de 6 a 8 horas.

“A cirurgia do Anderson foi ótima. Ele teve uma boa recuperação, que é uma das vantagens deste tipo de procedimento. O paciente é operado completamente consciente, o que evita todos os contratempos de uma sedação, como náusea, vômito, demora a despertar, além de um longo tempo de internação com risco de infecção”, disse o neurocirurgião.

Por meio de um neuronavegador que localiza as imagens do tumor, como numa ressonância, a equipe médica monitora em tempo real o quadro e tem uma visualização ampliada das áreas cerebrais.

Anderson se recorda do momento da cirurgia e diz lembrar-se de toda a equipe que estava ali presente. “Consigo me lembrar perfeitamente do médico que falava comigo e me passava os comandos, enquanto eu tentava focar para corresponder tudo corretamente”.

Apesar do procedimento ser considerado seguro, não são todos os pacientes que podem realizá-lo, pois é necessário completo estado de consciência para que a operação não seja prejudicada.

“Não pode ter alteração cognitiva, quadro de delírio, fobias ou agitação que venha a atrapalhar a compreensão das ordens. O paciente tem que estar muito consciente do ato cirúrgico porque apesar de ser indolor, ele pode ter um desconforto momentâneo e durante todo o tempo ele é demandado”, afirma Carreirinha.

Para Anderson, ser operado foi uma grande realização, é um ato de coragem para pôr fim aos medos que assolavam ele e a família. “Nunca pensei que iria passar por isso e hoje só tenho a agradecer. Agora pretendo estar perto dos netos e viver de verdade a minha vida”.

HOSPITAL

Em funcionamento desde 2004 e considerado um dos maiores da região, o Hospital Regional do Vale Paraíba já realizou mais de 11 milhões de atendimentos, como 8 milhões de exames, 1,4 milhão de tratamentos clínicos como radioterapia, diálise e quimioterapia, além de 100 mil cirurgias e 139 mil internações. A unidade é de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

“20 anos do Hospital Regional representa muito para Taubaté. Saímos de um hospital com baixo número de atendimentos e graças aos investimentos do governo, hoje temos uma instituição que pode oferecer para os pacientes o que há de melhor na medicina”, afirma o diretor clínico da unidade, Frederico Vilela.

Comentários

Comentários