Dirceu de Lima, 40 anos, tinha um sonho: sair das ruas e voltar para a família.
A violência impediu que esse sonho se tornasse realidade. Dirceu foi morto por outro morador de rua no centro de São José dos Campos, em 10 de fevereiro, em crime esclarecido agora pela Polícia Civil, com a captura do autor do assassinato, preso nesta quarta-feira (22).
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Segundo parentes da vítima, ouvidos pela polícia, Dirceu havia aparecido na casa da família três meses antes de morrer, dizendo que havia chegado ao limite e que estava cansado da vida nas ruas. Ele pediu ajuda para se internar em uma clínica de recuperação para tratamento de dependência química.
Feliz, a família combinou de aguardar o retorno dele, na semana seguinte, para o início do tratamento. No entanto, ele não apareceu. A família só voltou a ter notícia dele no dia 10 de fevereiro, quando o corpo de Dirceu foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de São José.
Dirceu foi morto na avenida Nair Toledo de Mira, no Jardim Paulista, com diversos golpes na cabeça. O Samu foi acionado e constatou o óbito no local. Segundo a polícia, a vítima não tinha registros criminais e era pessoa em situação de rua. O caso foi investigado pela Delegacia de Homicídios de São José dos Campos, que identificou e pediu a prisão temporária do suspeito de ter matado Dirceu. João Felipe, 21 anos, foi localizado e preso em Taubaté.
POLÍCIA.
As investigações começaram com o levantamento de imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais e públicas para entender a dinâmica do crime. O suspeito apareceu como um homem de estatura média, pele clara, jovem, com orelhas de abano e que usava corrente no pescoço.
Os vídeos também mostraram o caminho que ele fez antes e depois do crime. Ao longo da fuga, o autor se livrou de um chapéu preto que utilizava e revelou seu rosto e seus traços físicos.
Nas imagens é possível notar que ele carregava um objeto numa das mãos e estava com o braço manchado do que pareceria ser sangue. A polícia levantou a identidade do autor do crime e pediu a prisão temporária dele, que foi decretada pela Justiça.
A polícia também encontrou uma testemunha que discorreu sobre os fatos ocorridos dias antes do homicídio. O relato apontou que um homem desconhecido havia procurado a vítima na região central da cidade, justamente no local onde Dirceu trabalhava como flanelinha. As características bateram com a do suspeito do crime.
No dia 5 de abril, o homem foi abordado por policiais militares em atitude suspeita e afirmou ser morador de rua. No final de abril, a polícia fez diligências em Taubaté para levantar dados do suspeito. Nesta quarta, ele foi abordado pela Guarda Civil Municipal de Taubaté e encaminhado para a delegacia da cidade, em cumprimento ao mandado de prisão.