PARALIZAÇÃO

São José: 2,5 mil terceirizados da Revap entram em greve

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Leandro Vaz
Manifestação durante a terça-feira (21) na Revap
Manifestação durante a terça-feira (21) na Revap

A terça-feira (21) foi marcada por manifestações, protestos e o início de uma greve por tempo indeterminado por parte de funcionários terceirizados da Revap, a Refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos. Cerca de 2,5 mil funcionários de empresas que prestam serviços para a refinaria decidiram cruzar os braços após uma negociação que estende há duas semanas. Sem ganho real acertado, e uma série de reivindicações não aceita, o Sintricom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção, Mobiliário e Montagem Industrial de São José dos Campos e Litoral Norte) propôs a paralização. O grupo já estava em estado de greve desde a semana passada.

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“Infelizmente as empresas não avançam no ganho real. Estamos fazendo uma proposta única e vamos aguardar”, disse Marcelo Rodolfo da Costa, atual presidente do sindicato.

OVALE esteve hoje na manifestação e acompanhou parte dos protestos que aconteceram desde as primeiras horas da manhã. A partir das 4h já havia movimentação de funcionários na porta da Revap. Com o início do primeiro turno, às 5h, o grupo foi crescendo, e as 7h a multidão já era visível para quem passava pela rodovia Dutra.

Segundo Marcelo, 2,5 funcionários devem ter participado do ato que decretou a greve. É o mesmo número de funcionários que são terceirizados de empresas contratadas pela Petrobrás. Entre essas 2,5 mil pessoas têm eletricistas, caldeireiros, operadores de máquina, pintores, instrumentistas, técnicos, supervisores, entre outros. A situação é grave, já que a Revap mantém a maioria de funcionários terceirados na planta de São José dos Campos. Segundo do Sintricom, além dos 2,5 mil funcionários que eles representam, ainda existem cerca de mil funcionários terceirizados que são representados por outros sindicatos, e apenas 600 são contratados diretamente pela Revap.

Entre os pedidos apresentados pelo Sintricom à um bloco de 13 empresas, está o reajuste de 10% nos salários, R$ 7 mil de PLR (Participação nos Lucros e Resultados), ajuda de custo de vale refeição de R$ 1,5 mil, fornecimento de café da manhã em espécie no valor de R$ 12 reais por dia, além de uma cesta natalina de R$ 750.

Segundo Marcelo, o grupo de empresas apresentou apenas 3,28% de reajuste, que é o aumento da inflação no último ano, ou seja, sem ganho real para o funcionário. “Nós temos tentado. Foram três rodadas de negociação e eles não querem oferecer nada mais”, disse.

Com a paralização dos funcionários, se não houver nenhuma movimentação, na próxima quinta-feira (23) haverá uma audiência de conciliação no Tribunal do Trabalho, o TRT da 15ª Região, em Campinas. “Lá pode haver alguma novidade”, disse Marcelo.

Procurada, a Petrobras afirma que a refinaria opera normalmente. “Em relação à manifestação ocorrida na manhã desta terça-feira (21/05) próximo ao acesso à Refinaria Henrique Lage (Revap), a Petrobras esclarece que no desenvolvimento de suas atividades realiza a contratação de prestação de serviços, respeitando a autonomia e legitimidade das relações entre as empresas contratadas, seus trabalhadores e respectivos sindicatos. A companhia reitera que está em dia com todas suas obrigações em relação aos contratos de prestação de serviços ligados à Refinaria Henrique Lage (Revap), em conformidade com a legislação vigente. A refinaria opera normalmente”, disse em nota.

SOBRE A REVAP 

A Refinaria Henrique Lage (Revap) está localizada na Rodovia Presidente Dutra, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Iniciou suas atividades em março de 1980. Atualmente responde, principalmente, pelo abastecimento do mercado paulista e do centro-oeste do país.

A Henrique Lage tem capacidade de processar 40.000 m³/d (252.000 barris/dia), equivalente a 14% da produção nacional de derivados de petróleo. Ela é capaz de processar 100% petróleo nacional, atualmente opera com um mix que varia de 80% a 90% de petróleo nacional e o restante de petróleo importado.

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