ADEUS, MENINAS

'Aproveitei cada segundo', diz mãe após morte de filhas siamesas

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Meninas viveram por seis dias
Meninas viveram por seis dias

"Aproveitei cada segundo".

Após apenas seis dias, a jovem agricultora Alice Fernandes Brito, de 18 anos, se despedia das filhas siamesas Aylla e Allana. É o capítulo final de uma história de amor, esperança, luta e luto. Natural do Acre, Alice viveu uma epopéia lutando pela vida das meninas, ao lado do marido, o também agricultor Adriano Silva Fernandes, de 22 anos. As meninas morreram em Brasília, para onde a família se mudou, em busca de tratamento.

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“Elas foram levadas para a UTI na noite do dia 8. Quando chegou na manhã seguinte, os profissionais nos chamaram para visitá-las na UTI. Chegando lá, vi os aparelhos desligados, pois já tinham declarado o óbito das minhas filhas. Eu chorei muito e ainda estou muito mal”, relembrou a mãe.

A história das irmãs siamesas, que dividiam o mesmo coração, teve início ainda durante a gestação. “Fiz o ultrassom e o médico indicou que tinha apenas um bebê, pois só foi detectado um coração. Apenas no sexto mês da gestação fiz novamente o exame de imagem e o doutor disse que na verdade viriam gêmeos”, relembra Alice, em entrevista ao site 'Metrópoles'.

Mesmo com o médico dizendo que estava tudo bem, a mãe desconfiou da imagem e notou algo incomum, partindo em busca de uma segunda opinião. “Passaram-se alguns dias, fui em outro médico [particular] para ver novamente se estava tudo bem com os bebês, pois sabia que a gravidez de gêmeos tem um grande risco. No exame, o médico começou a fazer a ultrassom e logo percebeu que tinha algo errado. Nos falou que elas estavam unidas pelo tórax e abdômen, e que estavam compartilhando o mesmo coração”, contou a mãe ao portal.

Após a notícia, a família entrou em choque e mudou-se de Rio Branco para Brasília. A mãe ficou 11 dias internada e foi confirmado que as meninas dividiam o mesmo coração, fígado e intestino. Apesar da recomendação médica, de interromper a gravidez, pai e mãe negaram a hipótese de aborto e partiu em busca de tratamento.

O governo do Acre providenciou a transferência da mãe para Brasília. Quando desembarcou, a família recebeu a notícia de que as meninas não resistiriam por muito tempo. “Chegando no hospital, o médico me informou que não havia nada que pudesse ser feito para salvá-las. Disse que um coração para dois corpos não era suficiente, e, ainda era um coração mal formado”, lamentou a mãe ao 'Metrópoles'.

O parto aconteceu no dia 3 de maio. A mãe, após dar à luz, disse ter aproveitado as duas filhas, apesar do curto espaço de tempo. “Elas nasceram no dia 3. Eu estava muito triste e com medo, mas graças a Deus deu tudo certo no procedimento. Foram passando os dias, no pós-operatório, e elas foram ficando bem ruins. Precisaram ficar com oxigênio direto, se alimentando por sonda”, contou ao site.

Foram seis dias de vida. “Mas aproveitei cada segundo delas”, afirmou a mãe de Aylla e Allana.

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