SEM SOLUÇÃO

Ataque de crianças que terminou em morte é arquivado em São José

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Da redação
Benedito era motorista e morava sozinho em uma casa, no bairro Jardim Imperial, em São José dos Campos
Benedito era motorista e morava sozinho em uma casa, no bairro Jardim Imperial, em São José dos Campos

Buscando justiça pela morte do irmão, os familiares de Benedito Márcio Prado, 59 anos, vão ficar sem respostas. Isto porque, o inquérito policial foi arquivado a pedido do Ministério Público. 

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Benedito era motorista e morava sozinho em uma casa, no bairro Jardim Imperial, em São José dos Campos. No dia 7 de abril de 2023, ele teve a casa atacada a pedradas por crianças, durante à noite, e morreu momentos depois.

A família acredita que ele tenha sofrido um mal súbito com o susto causado pelas pedras. Edna Prado, irmão de Benedito, recebeu um áudio do motorista pedindo ajuda, minutos após a casa ser alvo das crianças e adolescentes. Uma câmera de segurança registrou a movimentação.

A 5ª Promotoria de São José dos Campos alega na decisão que “inicialmente, a autoridade policial registrou ocorrência de crime de dano e não requisitou exame necroscópico. No dia 11 de abril de 2024, o boletim de ocorrência foi editado para alterar a ocorrência para morte suspeita. Por essa razão, nem o cadáver nem o local dos fatos foram submetidos à perícia, prejudicando a determinação da causa da morte”, diz o texto.

A decisão do Ministério Público vai além e diz que, como têm menos de 18 anos, os suspeitos não poderiam ser responsabilidades pelo caso. “Não há indício de crime, anotando-se que as notícias de arremesso de pedras contra a residência se referem a crianças e adolescentes, inimputáveis em razão da idade”, diz o MP.

“Lamentamos isso. Vamos ficar sem respostas”, disse a irmã, Edna.

O CASO 

Edna suspeita que uma faixa do Corinthians na porta do imóvel possa ter causado a ‘fúria’ dos adolescentes. “É a única explicação que a gente tem nesse momento. Os horários coincidem com o fim do jogo do Palmeiras, no domingo”, disse em entrevista a reportagem. O arquirrival do Corinthians, o Palmeiras foi campeão paulista na noite da morte.

Sem entender os motivos da casa toda bagunçada, Edna e os parentes de Benedito foram atrás de explicações e conseguiram imagens de uma câmera de segurança de uma casa. Nas imagens é possível ver que, às 20h58, cinco garotos aparecem. A casa é de esquina. Até 21h04, os menores permanecem na porta.

Eles atravessam a rua e voltam. Sobem no portão e ficam andando na frente do imóvel. Eles só saem quando o carro de um vizinho aparece saindo da garagem.

Com um problema no coração, Benedito já havia sido operado. Ele estava afastado do trabalho há dois anos e morava sozinho. “Ele me mandou mensagem às 21h06 pedindo ajuda”, disse Edna. O horário é dois minutos após os menores saírem da porta da casa dele.

Em um curto áudio enviado à irmã, Benedito diz, com a voz trêmula. “Ô fia, eu tô mal. Vem...”, e o áudio termina. “Eu não estava com o celular e só vi depois”, conta Edna. Às 22h38, ela respondeu a Benedito com uma ligação de voz não atendida por ele. Três minutos depois ela pergunta se ele melhorou. Também sem reposta.

Ainda na noite do domingo, por volta das 23h, uma sobrinha de Benedito foi até a casa do tio. Em boletim de ocorrência registrado no 3º Distrito Policial, a família explicou como encontrou o parente já morto. “Rafaela (sobrinha) foi até a residência da vítima, resolveu pular pela janela e viu seu tio deitado ao sofá, já sem vida”, diz o documento.

Ainda segundo o registro da ocorrência, vizinhos foram chamados e observaram os cacos de vidro e pedras no quintal. Segundo eles, no momento que os meninos atravessavam as ruas eles iam atrás de pedras em um campo de futebol na frente da casa e jogavam contra o imóvel.

“Talvez eles (adolescentes) tenham provocado e meu irmão tenha dito algo que motivou o vandalismo”, disse Edna.

Benedito foi enterrado na tarde de segunda-feira (8), no cemitério do Jardim Morumbi, em São José dos Campos.

No dia seguinte, por volta de 13h21, um novo vídeo, desta vez mais nítido, mostra o mesmo grupo de garotos jogando pedras e forçando o portão da casa de Benedito, que estava sendo velado. A câmera também registra áudio e um vizinho grita com o grupo. “Não pode ficar jogando pedra aí não. Eu tô vendo vocês...”. Depois disso, os menores viram a esquina e vão embora.

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