Na capital da violência, jovens cometem homicídios e divulgam as mortes pela internet, em lives e publicações nas redes sociais para se vangloriar dos crimes.
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A prática do ‘crime ostentação’ foi descoberta pela Polícia Civil em Cruzeiro, cidade que enfrenta onda de violência motivada por disputas entre gangues de jovens.
Cruzeiro tem atualmente a maior taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes do estado de São Paulo, com 37,35 vítimas – quase 10 vezes a taxa da capital, que é de 4,5. O município do Vale do Paraíba registra 28 mortes por homicídio nos últimos 12 meses.
O número de assassinatos começou a subir em Cruzeiro em 2020, quando chegou a 33 mortes, para bater o recorde em 2021, com 42 óbitos (maior número desde 2001), caindo para 33 em 2022 e 28 no ano passado. No primeiro trimestre de 2024, a cidade tem seis homicídios e a menor média mensal desde 2018.
Segundo o delegado João Paulo de Oliveira Abreu, que assumiu a Delegacia Seccional de Cruzeiro em fevereiro de 2022, em meio ao aumento de homicídios, a identificação do perfil dos jovens envolvidos com o crime foi fundamental para combater e reduzir a violência.
“Foi fundamental entender o que está acontecendo em Cruzeiro, porque esses jovens estão se matando e aí lançar mão de estratégias”, afirmou o policial.
O delegado identificou em Cruzeiro um fenômeno conhecido da criminologia que é a subcultura da delinquência. Ela leva os jovens a atuar não em benefício próprio, para obter ganhos materiais, mas para impor respeito, impor uma questão de território e de status.
“São bairros de periferia ou jovens unidos ali entre eles e que entraram em rixa com outros bairros, e aí vêm cometendo crimes. Todos participam em grande parte do tráfico de drogas, mas a gente não viu uma disputa de territórios entre esses bairros. Um bairro não vai ao outro invadir o território para tomar aquelas riquezas”, disse Abreu.
Os jovens trazem na própria pele os “estigmas” ligados ao mundo do crime, como tatuagens no rosto com elementos utilizados por gangues, como tragédia, palhaço, cifrão, lágrima e coração na garganta.
As vestimentas, as músicas, o palavreado, as maneiras de andar e se comunicar são semelhantes entre os jovens, mas as gangues entram em conflito mesmo tendo os mesmos gostos e características.
“São típicos elementos que caracterizam elementos de gangue, da subcultura da delinquência. É o que nós temos observado em Cruzeiro”, disse o delegado.