O policial civil aposentado Paulo Felicio, 61 anos, e a esposa Juliani Felicio, 47 anos, de Taubaté, mudaram totalmente a rota da vida em meio à superação do maior desafio da vida dele: a leucemia.
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“Tivemos uma grande mudança na vida, que foi o começo de tudo [das viagens]. Em 2018, Paulo estava com leucemia e essa questão da saúde nos fez recalcular a rota e ver o que vale a pena viver”, disse Juliani.
“Eu já estava mirando a aposentadoria e o sonho do motorhome sempre foi acalentado por mim. A aposentadoria acelerou esse processo”, afirmou Paulo.
Juntos desde 2010, o casal de Taubaté já visitou 14 países e conheceu 17 estados brasileiros em viagens regulares e capazes de enriquecer o conhecimento de ambos sobre viver em um motorhome, que eles batizaram de Maloca. “Quando compramos o motorhome era para mudar de vida mesmo”, disse Juliani.
AMÉRICA DO SUL.
Segundo ela, o casal faz duas viagens longas por ano e viagens mais curtas aos finais de semana. A partir de março de 2025, eles pretendem percorrer 8.500 quilômetros pela América do Sul.
“Já estivemos no Peru, Chile e Argentina, mas agora queremos viver o dia o dia desses lugares, com mais tempo. Ver o que se compra lá, o que se come, a cultura, a diferença de preço. Entender que cada país tem a sua particularidade”, explicou Juliani.
A meta do casal é ir até o Acre, a partir de março de 2025, e de lá chegar ao Peru, descendo pela costa peruana até o Chile. Paulo e Juliani pretendem cruzar o Deserto do Atacama e chegar à Argentina, para depois retornar ao Brasil. A previsão é de percorrer 8.500 quilômetros pela América do Sul. “Será a nossa volta pelo quarteirão”, brincou Juliani.
VALE DO PARAÍBA.
Para ir aquecendo os motores da Maloca, o casal de Taubaté começa no sábado (6) a viagem por todas as 39 cidades do Vale do Paraíba. A aventura regional terá início em São José do Barreiro e deve incluir uma cidade da região a cada final de semana.
Juliani conta que a doença de Paulo, que segue em tratamento, fez o casal entender que não adianta juntar dinheiro se não puder desfrutar a vida, conhecendo novos lugares e pessoas.
“Dinheiro foi feito para nos servir, e não o contrário. Se você tem condição tem que ir. Para ter as melhores memórias da vida, isso é que vale a pena. Falo isso todos os dias: Paulo não sabe quantos anos tem pela frente, porque a leucemia pode ter uma queda aguda e ele ir para uma cama, e daí ele tem que ter as melhores memórias”, disse a esposa.
Ela confessou que já chorou durante uma semana com os problemas de saúde do marido e que percebeu que não adianta se lamentar, mas continuar lutando e acreditando na recuperação. “Não adianta chorar. Temos que tocar em frente, a vida. Ele tem uma fé inabalável”.
VIVER COM MENOS.
Outra lição que a vida na estrada trouxe ao casal foi de viver com menos, nunca desperdiçando. “A principal aprendizagem é a economia. Não desperdiçar. Aprendi a viver com menos”, diz Juliani.
Com pai amazonense e mãe mineira, a comida sempre foi abundante na casa dela. “Era exagero. Cresci com panelão e muita comida na mesa”.
No motorhome, em razão dos espaços exíguos, o casal precisou levar o estritamente necessário e evitar exageros, além de praticar o descarte correto dos resíduos.
“Nosso banho tem que durar dois minutos. Tenho que limpar água suja e despejar no lugar correto. Aprendemos que não podemos descartar em qualquer lugar. Uma água com detergente não pode ir para uma grama. Tenho que fazer o descarte correto para não prejudicar o outro. Essa consciência é um olhar diferente. Você tem essa consciência de deixar limpo o local para o próximo”, contou Juliani.
Ela confessa, entre risos, que a única coisa que ainda não conseguiu se desapegar por completo foi das roupas. “Minimalista com roupa eu ainda não consegui, não estou nesse nível. Tenho muito armário. Mas vou mudando”.