JUSTIÇA

Ativista é condenado por ofender repórter que chorou em tragédia de São Sebastião

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Repórter Walace Lara chora durante transmissão sobre a tragédia em São Sebastião
Repórter Walace Lara chora durante transmissão sobre a tragédia em São Sebastião

O ativista Antonio Isupério Pereira Junior foi condenado a pagar indenização de R$ 5 mil ao jornalista Walace Lara, da Rede Globo. Cabe recurso à decisão, que é da Justiça de São Paulo. A informação é do UOL.

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Em fevereiro do ano passado, Lara participou da cobertura da tragédia provocada pelas chuvas no Litoral Norte. Em São Sebastião, cidade mais atingida pela tempestade, 64 pessoas morreram.

Em meio à comoção, Lara chorou ao vivo ao comentar que comerciantes estariam cobrando R$ 93 por um litro de água. “É difícil ouvir o depoimento que a gente ouviu agora e não se emocionar. Cobrar R$ 93 em um litro de água na situação que nós estamos aqui é inacreditável”, disse o repórter na ocasião.

Após a cena viralizar na internet, o arquiteto Pereira Júnior, ativista do movimento negro e LGBT+, atacou o repórter nas redes sociais.

Entendendo que Lara havia feito referência a uma determinada comerciante negra, o ativista o acusou de espalhar fake news e o chamou de "racista". "Vergonha mundial. Ninguém checou os fatos", escreveu o ativista, que citou "a branquitude das pautas".

Os advogados Arthur Rollo e Rafael Freire, defensores do jornalista, disseram que nenhum nome de comerciante havia sido citado durante o programa, e que o Procon constatou a ocorrência de aumentos injustificados no preço dos produtos durante a tragédia.

O ativista, que mora nos Estados Unidos, se defendeu no processo dizendo que o post não se referia a Lara, mas "sobre as consequências que advieram à comerciante atingida pela notícia veiculada na TV". Afirmou também que o programa jornalístico "não teve a cautela de efetuar a necessária comprovação da veracidade da notícia" ao divulgar o relato da moradora. Ele disse também que, em nenhum momento, acusou o jornalista de racismo.

O juiz Jomar Amorim, ao condenar o ativista, ressaltou que ele usou a imagem de Lara sob o título "fake news" e que, em um segundo post, "reiterou haver um aspecto racista no episódio". Disse ainda que ele ofendeu deliberadamente a honra do jornalista, "relacionando arbitrariamente sua conduta a uma 'branquitude de pautas' e a um inexistente racismo".

O ativista ainda pode recorrer. Lara, que havia pedido uma indenização de R$ 80 mil, também. O valor de R$ 5 mil definido pelo juiz ainda será acrescido de juros e correção monetária.

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