PROGRAMA

Com dois meses de atraso, Prefeitura aplicará reajuste anual do Cartão Mesa Taubaté

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/PMT
Troca das cestas básicas pelo cartão foi promessa de campanha de Saud
Troca das cestas básicas pelo cartão foi promessa de campanha de Saud

Com dois meses de atraso, o governo José Saud (PP) irá promover o reajuste anual do valor do benefício do Cartão Mesa Taubaté, que é o programa municipal de transferência de renda.

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Como a inflação oficial de 2023, que é medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 4,62%, o valor passará dos atuais R$ 179 para R$ 188. O reajuste passará a valer no mês de março.

O decreto do reajuste foi editado na última sexta-feira (16), exatas duas semanas após OVALE publicar uma reportagem que mostrou que o governo Saud havia deixado de aplicar uma lei municipal que determina a revisão anual do valor do benefício. Na ocasião, a Prefeitura alegou que o reajuste estava previsto, mas sem informar qualquer previsão de data.

VALOR.
Na campanha eleitoral de 2020, Saud prometeu substituir as cestas básicas por um cartão com crédito de R$ 160 – esse valor, corrigido pela inflação, representaria hoje R$ 199,10.

O Mesa Taubaté foi implantado no início de 2022, com crédito mensal de R$ 129 – um valor que era inferior até ao que a Prefeitura pagava por cesta básica à época, de R$ 138 por unidade.

O reajuste anunciado esse mês foi o segundo desde o início do programa. O primeiro foi em janeiro de 2023, para R$ 179.

SERVIDORES.
Assim como era feito com as cestas básicas, o cartão também é distribuído para os servidores da Prefeitura que recebem até determinado padrão salarial - atualmente, até R$ 2.784,18.

Para os funcionários, o cartão foi instituído com valor mensal de R$ 128,11, que também foi ampliado apenas uma vez - em agosto de 2022, para R$ 178,11.

Caso o valor atual para os servidores fosse reajustado pela inflação do ano passado, o benefício mensal passaria a ser de R$ 186,33.

IMPACTO.
Segundo cálculo feito pela reportagem, a correção do valor do benefício para moradores e servidores custaria R$ 623 mil para a Prefeitura esse ano.

No caso dos moradores, como são 3.900 beneficiados por mês, o custo anual seria de R$ 386,5 mil - mas, como isso ocorrerá apenas de março a dezembro, cairá para R$ 322 mil.

Já em relação aos servidores, que são 2.400, o custo adicional seria de R$ 236,7 mil.

LEGISLAÇÃO.
Em fevereiro de 2023, ao votar um projeto de Saud que alterava as regras do programa, a Câmara aprovou por unanimidade uma emenda da Comissão de Justiça e Redação para garantir o reajuste anual do valor do benefício.

O prefeito chegou a vetar a emenda, sob a alegação de que “condicionar a correção do benefício monetário conforme índices inflacionários” impediria que o valor tivesse um aumento maior do que o da inflação. O prefeito afirmou ainda que os principais programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, “não condicionam atualizações monetárias anualmente”.

Em abril, no entanto, a emenda foi derrubada pela Câmara, novamente por unanimidade, e o texto foi promulgado pelo Legislativo.

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