DRAMA DO CRACK

Corpo de homem encontrado no rio Paraíba é novo capítulo na busca por Edinho em São José

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Acervo de família
Edinho, de 43 anos, é conhecido nas ruas do centro
Edinho, de 43 anos, é conhecido nas ruas do centro

Sem nome.
O corpo de um homem enterrado como indigente é uma nova pista sobre o paradeiro de Edson Camargo Pereira, 43 anos, o Edinho, morador em situação de rua com o corpo queimado que vivia pelas ruas da Vila Adyana, no centro de São José dos Campos. Ele desapareceu no fim de 2023 e a família busca por informações que possam levar ao seu paradeiro. Está vivo ou morto? É o que questionam-se os parentes do homem transformado em uma das faces da epidemia de crack na cidade.

A localização de um corpo no rio Paraíba, em janeiro, pode representar o ponto final na história de Edinho, contada por OVALE com o apoio da família, ou reticências repletas de dúvidas que pontuam dias de incerteza.

De acordo com o boletim de ocorrência, registrado em 10 de janeiro no 6º DP (Distrito Policial), o cadáver de um homem havia sido sepultado naquela dada, sem identificação, sem que a família de Edinho conseguisse identificá-lo, devido ao avançado estado de decomposição. A OVALE, a irmã de Edinho conta que seu marido fez o reconhecimento por fotos, mas sem confirmar ou descartar a sua identidade.

"Não sei, quem viu foi meu marido e a irmã dele, e 50% a gente acha que é, 50% acha que não é, porque estava muito deformado, não dava para ver. E a gente fica um pouco cismado porque o policial mostrou a foto [do corpo] para o meu marido e algumas características bateram, tinha uma marca de enxerto na perna e meu irmão tem uma marca de enxerto, tirou da perna para por no rosto quando foi queimado. O policial detalhou que o cadáver estava com dedos faltando pedaços, e ele, por ter sido queimado, ficou com os dedos [das mãos] engruvinhados. Não tinha dente também... pode ser ele ou pode não ser ele", disse Aline Pereira, irmã de Edinho.

Leia mais: A triste face do crack: quem é Edinho, que desapareceu nas ruas de São José? https://sampi.net.br/ovale/noticias/2815083/vale-do-paraiba/2024/02/a-triste-face-do-crack-quem-e-edinho-que-desapareceu-nas-ruas-de-sao-jose

Ela tem esperança de encontrá-lo ainda com vida, mas não descarta que o irmão possa ter sido morto. Enquanto ela busca informações acerca do paradeiro de Edinho, Aline espera a possibilidade de um teste de DNA para saber se o homem encontrado no rio é ou não o seu irmão.

"Sobre o corpo, jogaram a gente de uma delegacia para outra. Aí, o primeiro delegado falou que ia fazer o DNA, mas não quiseram fazer, porque muita família que tem parentes que estão desaparecidos foi lá ver, fiquei sabendo que fizeram o DNA de uma família, fiquei sabendo que o resultado sai em quatro meses e só depois podem fazer de outra família, se não for reconhecido", contou.

Desde o desaparecimento, a família luta por informações e defende que o caso de Edinho torne-se um símbolo da importância do combate às drogas.

"Demos falta dele mesmo em dezembro. Ele ia ao banco todos os dias, então fomos ao banco, falaram que ele foi visto com um casal, percorremos a cidade, conversamos com taxistas e não encontramos. As pessoas falaram que fazia tempo que não viam ele. Em janeiro fizemos o boletim de ocorrência. Antes disso, a gente procurou em hospital, no IML e lá tinha um corpo, que meu marido foi reconhecer, era de um rapaz que tinha sido encontrado no rio Paraíba".

O CASO.
Viciado em crack, Edinho é de São José e, de acordo com a família, tem um histórico de depressão, já tendo ateado fogo ao próprio corpo e tentado o suicídio. Para a irmã, a história dele serve como um alerta contra o uso de entorpecentes e seus efeitos devastadores.

De acordo com a família, Edinho 'dava trabalho' desde criança, saindo de casa pela primeira vez aos 10 anos, por conta das más companhias e das drogas. "Desde criança eu me lembro da minha mãe chamando ele para ficar em casa, mas ele fugia de novo. Ele já foi internado várias vezes, em clínicas daqui [São José] e de São Paulo", disse Aline.

A irmã conta que testemunhas, incluindo um funcionário da agência onde Edinho recebe seu benefício, afirmaram terem visto ele na companhia de um casal em um Fox vermelho, no final do ano passado. O casal teria tentado sacar o dinheiro de Edinho e fazer empréstimos em seu nome, em vão, alegando que iriam interná-lo em uma clínica.

"Fui ao banco, conversei com o gerente, e ele [Edinho] foi visto [na agência] e em um outro banco com esse casal. Outras pessoas diferentes disseram que ele estava tentando fazer um empréstimo para esse casal, que disse que faria o empréstimo a pedido da irmã dele, mas não conhecemos eles", disse Aline. Se alguém tiver alguma informação ligar para (12) 98807-5740 (Aline) e (12) 98883-0556 (cunhado).

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