DRAMA DO CRACK

A triste face do crack: quem é Edinho, que desapareceu nas ruas de São José?

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Acervo
Edinho aos 2 anos de idade e aos 43, em foto divulgada pela família
Edinho aos 2 anos de idade e aos 43, em foto divulgada pela família

Qual é a face do crack?
Ao caminharmos pela cidade, invariavelmente, ficamos face a face com ele.
Devastador, a ponto de impor às suas vítimas uma fisionomia característica, o crack mostra a sua cara nos semáforos, nos pedidos de esmola na saída de farmácias, bares e padarias, nas calçadas e praças, em furtos e roubos que alimentam a escravidão da pedra. Pérfida, a droga sopra morte para os pulmões e faz vidas virarem fumaça.

São homens e mulheres, jovens, adultos e idosos, de todas as cores, credos e faixa social. Muitos rostos, uma máscara fúnebre. Em São José dos Campos, uma das faces do crack é Edson Camargo Pereira, 43 anos, o Edinho, morador em situação de rua com o corpo queimado que vivia pelas ruas da Vila Adyana, no centro.

Legenda: Edinho aos 2 anos de idade, em imagem de família

Tantas vezes invisibilizado, ele está desaparecido desde o fim de 2023 e a família busca descobrir o seu paradeiro. "As drogas, muitas vezes, são um caminho sem volta, como foi com o Edinho", afirmou Aline, irmã dele, que acredita que a história de Edinho serve como um alerta a respeito da destruição e a dor provocadas pelo crack.

Em razão do vício e das queimaduras, causadas após ele atear fogo ao próprio corpo, ele sofria com o espanto das pessoas ao vê-lo, como se fosse um 'Frankenstein'. "Ele ficava muito chateado por isso, dizia que as pessoas tinham medo dele", conta Aline.

Nos últimos encontros, em razão da intensidade do uso do crack, Edinho já não reconhecia os familiares, parecia acorrentado pelo vício, que o fazia lutar pela próxima pedra, batendo a cara na porta a cada vidro que se fechava no semáforo -- como mostra a foto publicada pela família nas redes sociais na tentativa de localizá-lo.

Sinal verde para a morte.
sinal vermelho para a vida.
Sinal amarelo de alerta. É a outra face da moeda.
A família, que sonha reencontrá-lo com vida e conseguir vê-lo livre da dependência química, crê que o caso de Edinho, um papel encenado também por tantos outros homens e mulheres no palco dramático das ruas e vielas, é um alerta contra as drogas. Quem vê crack, vê coração?

Legenda: Imagem atual de Edinho, divulgada pela família

A família enxerga o que a sociedade não vê.
Na primeira lembrança de Aline, Edinho vestia uma camiseta com a frase 'Meu fusca', shorts e um par de botas de caubói, com direito a estrelas de xerife. Tinha 2 anos. Fazia pose para a fotografia -- a única foto que a mãe tem dos tempos de menino, em São José -- e cabelo penteado. Você, que cruzou com ele na Avenida Nove de Julho ou na Adhemar de Barros, nos arredores da Vila Adyana, conseguiu enxerga naquele homem a face da criança?

Hoje, o que move a busca de Aline e seus familiares é a face da esperança.
"É a última que morre, então, no fundo penso que ele pode estar vivo", declarou ela a OVALE, após percorrer hospitais, clínicas e o IML (Instituto Médico Legal). Edinho, de acordo com a família, tem um histórico de depressão, já tendo ateado fogo ao próprio corpo e tentado o suicídio.

EDINHO.
De acordo com a família, Edinho 'dava trabalho' desde criança, saindo de casa pela primeira vez aos 10 anos, por conta das más companhias e da droga. "Desde criança eu me lembro da minha mãe chamando ele para ficar em casa, mas ele fugia de novo. Ele já foi internado várias vezes, em clínicas daqui [São José] e de São Paulo", disse a irmã.

Ele não tem profissão, esposa ou filhos, sobrevivendo com o recurso que recebe da Loas (Lei Orgânica de Assistência Social), de um salário mínimo (R$ 1.412). Aline diz que o irmão, quando sóbrio, é carinhoso e adora crianças.

A família conta que Edinho desapareceu há cerca de um mês, depois de ser visto na companhia de um casal, em um Fox vermelho, que tentou sacar o benefício dele no banco -- em vão. Aline conta que testemunhas, incluindo um funcionário da agência onde Edinho recebe seu benefício, afirmaram terem visto ele na companhia deste casal.
Se alguém tiver alguma informação ligar para (12) 98807-5740 (Aline) e (12) 98883-0556 (cunhado).

Comentários

1 Comentários

  • Monica 11/02/2024
    Bom dia, eu trabalhava próximo ao PS do parque industrial e constantemente o via por lá pedindo, no semáforo e na padaria, sempre acompanhado de um rapaz ruivo e de barba, se ajudar podem.procurar lo por lá. Deus ajude que o encontre.