EDUCAÇÃO

Proibida de estudar pelo Talibã, afegã é avaliada em Taubaté para continuar estudos

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Prefeitura de Taubaté
'Asma' gosta de se aproximar da entrada de algumas escolas para acompanhar a chegada dos alunos
'Asma' gosta de se aproximar da entrada de algumas escolas para acompanhar a chegada dos alunos

Nesta quinta-feira (8), uma estudante afegã, de 16 anos, faz prova de reclassificação viabilizada pela Secretaria de Educação de Taubaté, para que possa estudar em escolas regulares no Brasil. Asmaulhusna Najafi mora em Taubaté desde outubro de 2023, quando chegou ao país.

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Segundo a prefeitura, a jovem está ansiosa para continuar seus estudos, interrompidos há quase cinco anos. “Asma”, como ela é chamada, estudou até 2019 no Afeganistão, mas, com a pandemia de covid-19, as aulas passaram a ser remotas. Naquele período, o regime autoritário talibã assumiu o poder no país do Oriente Médio e proibiu que meninas voltassem às escolas. A estudante ficou impedida de frequentar as aulas.

HISTÓRIA 
A afegã tem dois irmãos. Sua irmã mais velha, Noori Najafi, participava de competições por ser mesa-tenista, formada em Educação Física, e essas viagens a tornaram alvo de perseguição política, já que era mulher solteira e com autonomia.

Noori é atleta paraolímpica desde que perdeu uma das mãos num atentado a bomba. Para continuar sua atuação no esporte, precisou deixar seu país de origem, indo para o Irã e, posteriormente, para o Paquistão. O irmão, Mahdi Najafi, se juntou a ela para acompanhá-la e descobriram lá, por meio da Embaixada Brasileira, que o Brasil era o único país que disponibilizava o visto de refúgio humanitário para afegãos.

Em duas semanas e com permissão dos país, eles buscaram Asma e vieram para o Brasil. Em Taubaté, são assistidos por uma ONG. Uma representante dessa organização, que acompanha o caso da família, fez contato com a Secretaria de Educação de Taubaté para saber como Asma poderia retomar os estudos, uma vez que a adolescente não possui nenhuma documentação.

A prova de reclassificação deve ser aplicada nesta quinta, em inglês, para identificar o grau de conhecimentos gerais da adolescente. A prova deveria ser realizada em sua língua de origem, mas não há um tradutor de persa disponível.

NA ESCOLA
Hoje, Asmaulhusna Najafi está mais adaptada à sua nova vida, e vem superando as dificuldades iniciais.

A jovem demonstra grande vontade de aprender e já compreende um pouco do português. Lida bem com a falta de seus pais e gosta de ver crianças indo para a escola, chegando a ir na entrada de algumas unidades de ensino para acompanhar a chegada dos alunos. A expectativa é que, em que poucos dias, ela também esteja na escola, como aluna, realizando um sonho.

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