PLANTIO

Drones despejam sementes de árvore em áreas de deslizamento de terra em São Sebastião

Por Da redação | São Sebastião
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Iniciativa pioneira usa drones elétricos, inteligência artificial e cápsulas biodegradáveis para reflorestar áreas de difícil acesso e alta declividade
Iniciativa pioneira usa drones elétricos, inteligência artificial e cápsulas biodegradáveis para reflorestar áreas de difícil acesso e alta declividade

Quase um ano após os temporais que devastaram a Barra do Sahy, em São Sebastião, a região contou nesta semana o sobrevoo de drones com sementes de árvores que vão recuperar 851 áreas de deslizamento de terra na serra Mar. O projeto é realizado pelo Instituto Verdescola, ONG que se tornou base para resgate de vítimas na noite da catástrofe na Vila Sahy.

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A diretora-executiva do Instituto Conservação Costeira que é dedicado à preservação ambiental na região, Fernanda Carbonelli, explica que esse é o começo do projeto que pretende restaurar parte dos 200 hectares de mata atlântica devastados pelas chuvas que ceifaram a vida de 64 pessoas em fevereiro de 2023.

"Foi uma tragédia humana e ambiental. Tivemos dimensão do estrago seis meses depois e, agora, a esperança se renova com essas sementes”, disse.

No ICC, Fernanda articulou o projeto em parceria com a Fundação Florestal de São Paulo, que abriu chamamento público em março para mitigar os impactos da tragédia. Uniram-se a eles a Atlântica Consultoria Ambiental e a Ambipar Group, que fizeram diagnósticos e testes durante o ano.

A iniciativa pioneira usa drones elétricos, inteligência artificial e cápsulas biodegradáveis para reflorestar áreas de difícil acesso e alta declividade na costa sul de São Sebastião, onde estão Baleia, Barra do Sahy, Boiçucanga, Juquehy, Jureia, Toque-Toque e ilhas. A proposta do ICC, caso haja novos recursos, é de estender a iniciativa em mais dois anos para ações de monitoramento.

"A equipe se posiciona bem próxima ao deslizamento, em uma cabana com transmissão a rádio e monitores", afirma Gabriel Estevam, diretor de inovações da Ambipar que acompanhou a largada inicial nesta semana em São Sebastião.

O plantio é acompanhado por um software de inteligência artificial que mapeia as altitudes do terreno, mede a temperatura do solo e estabelece um plano de voo com os pontos exatos de semeadura. "Não é simplesmente você pegar um drone e jogar as sementes", afirma Estevam.

A empresa de gestão ambiental desenvolveu a biocápsula com sobras de colágeno de indústrias farmacêuticas. Processada em laboratório, ela recebe um mix de sementes de árvores —muitas de cooperativas caiçaras— e adubo orgânico feito com resíduo da indústria de papel e celulose.

Um invólucro a protege contra insetos e, ao entrar em contato com água, a biocápsula se dissolve e libera um gel nutritivo que favorece a germinação.

"Em um voo, o drone consegue semear 20 mil sementes em um hectare", diz Gabriel Estevam. "Sempre há perdas, natureza é isso, mas plantamos perto da janela de chuva e acredito que, em quatro ou cinco meses, já vamos ver a cobertura vegetal."

MAIS DE 1,2 TONELADAS DE SEMENTE

O projeto com duração de três anos tem custo de R$ 3,5 milhões, financiado em grande parte pela Concessionária Tamoios e prevê mais de 1,2 tonelada de sementes na região a ser restaurada.

As primeiras a serem plantadas são as chamadas "espécies pioneiras", plantas arbustivas que conseguem se desenvolver em áreas adversas.

Entre elas, araticum, guapuruvu, embaúba, pau-viola e babosa-branca, espécies da mata atlântica indicadas pela Fundação Florestal de São Paulo, ente responsável pelas unidades de conservação estaduais, para a primeira cobertura do solo.

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