A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo irá lançar um selo para fomentar a equidade de gênero a partir da inclusão e da promoção das mulheres advogadas nos escritórios de advocacia no estado. O selo, que terá quatro categorias - diamante, ouro, prata e bronze -, será concedido anualmente às sociedades de advogados, de acordo com requisitos atingidos.
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"A proposta do selo é viabilizar a contratação e a ascensão das carreiras femininas dentro dos escritórios e, em contrapartida, certificar as bancas de advocacia que contratam e investem na advocacia feminina com estratégias para transpor os obstáculos de gênero e raça", informou a OAB.
"[A ideia] é não só fomentar a contratação e a inclusão de mulheres, mas também promovê-las, mudar os seus ‘status’. Para isso, a sua concessão observará questões como atenção ao trabalho de cuidado, divisão sexual do trabalho, licença parental e incentivos financeiros, como bolsas de estudos e cursos de capacitação. Ganham a advocacia, a sociedade e também os escritórios certificados", afirmou Dione Almeida, secretária-geral adjunta da OAB de São Paulo.
EQUIDADE RACIAL.
Uma pesquisa realizada pela OAB esse ano apontou também que, de 333 escritórios analisados, somente 28 disseram ter de dois a cinco advogados negros na empresa.
Para também fomentar a equidade racial, a OAB tem adotado ações como tornar obrigatória a existência de Comissões de Igualdade Racial em todas as subseções paulistas e o compromisso de inserção de 50% de pessoas negras nos quadros de lideranças da entidade até 2030.
“Eu me lembro da época da campanha [eleitoral da OAB], a gente nas ruas, mulheres grávidas, e eu dizia que elas não teriam que amamentar seus filhos nos jardins e estacionamentos dos fóruns, porque nós faríamos sala para amamentação. As advogadas nos olhando no rosto e se identificando conosco. Eu falava para a advocacia negra que aquela era a única chance que tínhamos de ver no tribunal alguém com o nosso rosto. Víamos olhares esperançosos e que clamavam por dias melhores, e esses olhares, essas vozes reverberam todos os dias no nosso trabalho. Queremos uma OAB SP que represente a todas, todos e todxs”, concluiu a secretária-geral adjunta.