ATOS GOLPISTAS

Moraes vota para condenar cabeleireira de São José a 17 anos de prisão pelo 8 de janeiro

Alethea Veruska Soares esteve em Brasília no dia dos atos de vandalismo contra os prédios dos Três Poderes e registrou fotos e vídeos pelas redes sociais

Por Gabriel Campoy | 17/11/2023 | Tempo de leitura: 3 min
São José dos Campos

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou na manhã desta sexta-feira (17) para condenar a cabeleireira Alethea Veruska Soares, de São José dos Campos, a 17 anos de prisão pela participação nos atos golpistas e de vandalismo contra a Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

O STF começou a julgar nesta sexta outros cinco réus acusados pela PGR (Procuradoria Geral da República) de participarem da depredação dos prédios públicos no começo deste ano. Moraes é o relator da ação.

Alethea foi denunciada pelos crimes de: ‘abolição do Estado Democrático de Direito’, ‘dano qualificado’, ‘golpe de Estado’, ‘deterioração do patrimônio tombado’ e ‘associação criminosa’.

Além disso, há por parte dos ministros da Suprema Corte o entendimento de que a maioria dos denunciados tinha uma clara intenção de ‘tomada ilícita de poder’, com intuito de deslegitimar e derrubar o governo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), democraticamente eleito.

Em contrapartida, a defesa dos acusados, inclusive de Alethea Veruska, nega que os acusados tenham participado de qualquer ‘tomada golpista’ e pedem que as ações sejam arquivadas.

Alethea é a segunda moradora do Vale a ser julgada pelo STF na ação que investiga a participação nos atos golpistas de janeiro deste ano. Anteriormente, no final de outubro, o empresário Fabrício Moura Gomes, de Jacareí, que é ex-sócio do restaurante Pub em São José dos Campos e atualmente tem residência em Ilhabela, foi condenado também a 17 anos de prisão.

PERFIL.

Alethea Versuka Soares é uma das mais fervorosas apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que estiveram presentes nos acampamentos realizados, tanto em frente ao DCTA, em São José, como em frente ao quartel do exército em Brasília.

A mulher atuava como cabeleireira na cidade do Vale. Ela, inclusive, possui um registro como MEI (Micro Empreendedora Individual), ainda em aberto, sob o nome fantasia de ‘Veruska Hair’ e com endereço em Jacareí.

Em sua página no Instagram, Alethea usa o nome de ‘Alethea Bolsonaro’, dada a convicção nos ideiais representados pelo ex-presidente. Além disso, a cabeleireira postava ainda diversas críticas ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um de seus conteúdos nas redes sociais é, inclusive, marcado como falso pela própria plataforma. O post mente ao atribuir ao ex-deputado Jean Wyllis a fala de que a "bíblia deveria ser banida em todo o Brasil". A página da bolsonarista na rede também tem postagens com questionamentos às urnas eletrônicas e à atuação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No dia 9 de dezembro, Alethea registrou sua presença em um ônibus a caminho da capital federal, acompanhada de outros manifestantes. Dias depois, ela postou vídeos e fotos diretamente de um dos acampamentos golpistas de Brasília.

Sua última postagem foi feita no dia 7 de janeiro, justamente um dia antes dos atos terroristas. Dias antes, ainda ativa nas redes sociais, ela postou chamamentos para a ação no Planalto, afirmando que “dessa vez os manifestantes não deveriam levar idosos ou crianças”, indicando um agir com mais firmeza. "Vamos à luta de verdade", escreveu.

Atualmente ela não pode usar as redes sociais. Esta foi uma das condições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes para que Alethea pudesse ser solta da prisão que estava em Brasília e responder pelos crimes que é acusada em liberdade. Ela também segue usando uma tornozeleira eletrônica.

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1 COMENTÁRIOS

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  • Aecio
    19/11/2023
    A notícia pode ser verdadeira, mas o cunho tendencioso de carimbar como \"golpista\" mostra a distância entre a isenção e a tendenciosidade. Péssimo profissionalismo.