VIOLÊNCIA

Como Ana Hickmann, uma mulher sofre violência em SP a cada dois minutos

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Na média, 689 mulheres foram vítimas de violência no estado por dia em 2023
Na média, 689 mulheres foram vítimas de violência no estado por dia em 2023

Assim como a apresentadora Ana Hickmann, vítima de ameaça e agressão do próprio marido, a cada dois minutos uma mulher sofre violência no estado de São Paulo. O levantamento é de OVALE com base em dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).

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De janeiro a setembro de 2023, o estado acumula 186 mil registros de violência contra a mulher, desde feminicídios a maus tratos, passando por estupros, tentativa de homicídio e lesão corporal.

O número é 31,20% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado – 128 mil ocorrências contra a mulher.

Na média, 689 mulheres foram vítimas de violência no estado por dia em 2023, contra 474 no ano passado.

“Há muito a ser feito para diminuir a violência contra a mulher, que aumentou nos últimos anos, especialmente com a pandemia”, disse Marcela de Andrade, diretora executiva do Centro Dandara, de São José dos Campos.

“O trabalho é de conscientização, de aumentar a fiscalização e de maior rigor na aplicação das leis, além de acolher as mulheres que sofrem violência.”

VIOLÊNCIA

São 16 tipos diferentes de violência enumerados pela SSP, incluindo o feminicídio (assassinato por ser mulher), homicídio e lesão corporal dolosa, além de estupro, ameaça e maus tratos.

No caso dos feminicídios, no qual a vítima é morta por ser mulher, o estado registra 167 casos de janeiro a setembro deste ano contra 132 no mesmo intervalo de 2022, um aumento de 26,5%.

Do total de feminicídios, 110 ocorreram em cidades do interior, região na qual os crimes contra a mulher explodiram em 2023, com aumento de 50,6% na comparação com o ano passado – 73 feminicídios.

O número de mulheres estupradas também continua elevado, com 2.105 crimes consumados e 333 tentados, contra 2.013 e 354 no ano passado, o que representa um aumento de 4,5% nos estupros consumados.

Já contra as vítimas vulneráveis, o total de estupros caiu 1,7%, com 6.879 contra 6.998 em 2022. Há ainda 1.354 casos contra a dignidade sexual das mulheres no estado, aumento de 121% em nove meses.

MULHERES

Nesta semana, a apresentadora Ana Hickmann registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil por ter sido agredida e ameaçada pelo marido, o empresário Alexandre Correa, durante uma discussão na casa do casal, em Itu.

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso. Em nota, o empresário negou que tenha dado uma cabeçada na esposa.

“É um momento difícil pra mim, pro meu filho e pra minha família, mas eu ainda não estou pronta para falar a respeito”, disse Ana Hickmann no programa “Hoje Em Dia”, da Record TV, nesta segunda-feira (13).

Os casos de violência contra mulheres também estão em alta no Vale do Paraíba, com elevados graus de crueldade.

Um homem de 30 anos foi preso no começo de agosto acusado de esquartejar o corpo da própria companheira e jogar pedaços dela em um rio na zona leste de São José dos Campos. De acordo com a polícia, ele teria usado uma machadinha para cometer o crime contra Elenita Jesus de Lima, 27 anos.

O marido foi preso em uma casa abandonada na zona rural de Guaratinguetá, onde tentava se esconder após cometer o homicídio com requinte de crueldade, do qual confessou a autoria, segundo a polícia.

Na última sexta-feira (10), Maria Eduarda, 18 anos, foi morta a machadadas na frente do filho de um ano, em Lorena. De acordo com a polícia, o namorado é o principal suspeito.

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