HISTÓRIA

Em São José, sobrevivente de Hiroshima guarda memória da guerra: ‘Devastador’

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Sobrevivente de Hiroshima, Yoshimitsu Kawachi mora desde os anos 1960 em São José
Sobrevivente de Hiroshima, Yoshimitsu Kawachi mora desde os anos 1960 em São José

Aos quatro anos de idade, Yoshimitsu Kawachi gostava de brincar ao redor da casa da família na cidade de Hiroshima, no Japão.

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O bairro onde ele morava distava cerca de 10 quilômetros do centro da cidade, que tinha 330 mil habitantes e era a sétima maior do Japão. Corria no ano de 1945.

No dia 6 de agosto, às 8h15, os sonhos do pequeno Kawachi foram interrompidos por um artefato batizado de ‘Little Boy’ – ‘garotinho’, como a criança japonesa.

Tratava-se de uma bomba de três metros de comprimento e 75 centímetros de largura, que pesava quatro toneladas. Ela levava 72 quilos de urânio 235 e foi lançada sobre a cidade.

Foram 43 longos segundos até a explosão 576 metros acima da clínica Shima, a 800 metros do alvo indicado: a ponte Aioi, localizada no centro da cidade japonesa.

A temperatura do núcleo da bomba foi de 50 milhões de graus centígrados e liberou 500 milhões de volts de energia. Tudo que estava pelo menos a dois quilômetros foi destruído pela explosão, equivalente a 13 mil toneladas de TNT.

MORTES

Morreram imediatamente 80 mil pessoas. Uma enorme nuvem em forma de cogumelo de poeira cinza, marrom e negra subiu pelo céu. Hiroshima ficou às escuras, o Sol tinha desaparecido, e passou a cair uma chuva negra radiativa. Até o fim do ano de 1945, outras 70 mil pessoas morreram vítimas das sequelas da explosão nuclear.

Contando os feridos, foram mais de 250 mil pessoas atingidas pelos impactos da bomba lançada pelos Estados Unidos.

“Era verão e depois caiu uma chuva radioativa. Muitas pessoas se jogaram no rio porque não aguentavam as queimaduras. Todos com o rosto inchado e queimado. Até hoje tem gente morrendo nos hospitais do Japão. É devastador. Pessoas com câncer e o governo japonês não quer ajudar”, contou Kawachi a OVALE, em 2017.

Hoje ele está com 82 anos e enfrenta problemas de saúde, segundo familiares.

SÃO JOSÉ

Morando em São José dos Campos desde a década de 1960, Kawachi não se esquece do dia que causou a morte de mais de 150 mil pessoas, no apagar das luzes da Segunda Guerra Mundial. Entre as vítimas, estavam parentes e amigos de sua família.

“Procurar guerra é muito perigoso. Eles apertam um botão e matam milhões de pessoas”, disse Kawachi, que mora na zona sul de São José.

Ele é um dos sobreviventes da catástrofe nuclear provocada pela bomba atômica que devastou a cidade de Hiroshima. Kawachi vivenciou o episódio de perto.

Segundo ele, as consequências do lançamento da bomba são sentidas até os dias de hoje. A devastadora radiação gerou lesões genéticas em mais de 70 mil pessoas, que morreram principalmente de câncer.

Além disso, Kawachi foi um dos sobreviventes da tragédia que ainda não havia recebido a indenização do governo japonês.

CONFLITOS

Atento ao cenário de conflitos políticos no mundo, ele admitiu estar preocupado com o futuro da humanidade e com a possibilidade do lançamento de novas bombas atômicas.

“Guerra hoje é química. Não tem metralhadora. Você viu o ataque dos EUA ao Estado Islâmico? Tem que alertar. Hiroshima é exemplo. Isso acaba com o mundo”, disse ele.

A explosão arquitetada pelos Estados Unidos na sangrenta Segunda Guerra Mundial foi o primeiro lançamento de uma bomba atômica a devastar uma cidade na história.

Após Hiroshima, o segundo alvo americano foi Nagasaki, que foi atingida no dia 9 de agosto, três dias após o ataque na cidade de Kawachi.

A segunda bomba causou a morte de mais 40 mil pessoas e outras 30 mil nos anos seguintes em razão das sequelas do ataque nuclear.

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