TRANSPORTE

Com mais de 2.000 ônibus elétricos, Santiago do Chile vira inspiração para São José

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / Adenir Britto / PMSJC
Ônibus urbano elétrico no Arco da Inovação, em São José
Ônibus urbano elétrico no Arco da Inovação, em São José

Após três tentativas para locar 400 ônibus elétricos e implantar o novo sistema de transporte público, a Prefeitura de São José dos Campos aposta na quarta edição do edital, publicado pela Urbam (Urbanizadora Municipal) em 17 de outubro. As propostas serão recebidas em 24 de novembro.

O prefeito Anderson Farias (PSD) justifica a demora pelo ineditismo do projeto. Segundo ele, nenhuma cidade do país fez o que São José pretende fazer.

“Vamos fazer a locação dos veículos e contratar uma empresa para fazer a operação, e uma terceira para a gestão financeira. É um modelo diferente e único”, disse o gestor.

INSPIRAÇÃO

De fato, a inspiração para o modelo de São José vem de Santiago, a capital e maior cidade do Chile, país com 2.043 ônibus elétricos em operação, a maior parte deles na capital.

Santiago começou a substituir a frota por ônibus elétricos em 2017 e hoje tem a maior frota eletrificada fora da China, com quatro tipos de veículos: trólebus, midi (8-11m), convencional (12-15m) e articulado (acima 18m), todos com bateria.

Além do Chile, a Colômbia também é considerada referência na eletrificação da frota de ônibus, com 1.589 veículos em operação.

SÃO JOSÉ

São José vai alugar 400 ônibus elétricos em um contrato de 15 anos, que pode custar R$ 2,846 bilhões. A meta é tornar o sistema de transporte 100% elétrico.

Especialista em mobilidade elétrica, Flávia Consoni, professora do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), disse que Santiago investiu em um modelo exitoso de eletrificação, que separa o proprietário do veículo da operação, como quer fazer São José.

“Quem compra não é a pessoa que opera. Os operadores sabem fazer isso muito melhor do que as cidades. Então, você separa”, disse Flávia.

Segundo ela, Santiago tem um diferencial competitivo que é a responsabilidade compartilhada com o governo federal, diferente do Brasil.

“Aqui a responsabilidade pelo transporte público é do município, que não é tão rico quanto o Estado. Isso também traz dificuldades para os municípios. No Chile, quem participa de forma muito forte nesse modelo de negócio do transporte público é uma empresa de energia [Enel], que é um parceiro forte nesse financiamento”, afirmou a professora da Unicamp.

Leia mais: Entrevista: sistema de transporte, Banhado e apoio do PSDB viram desafios para Anderson

Comentários

1 Comentários

  • Cássio Moutinho 28/10/2023
    Nesse locais fora do Brasil citados não implantaram tudo de uma vez como quer fazer aqui. O sistema foi mudando e as linhas readequadas ao longo de alguns anos. Aqui no Brasil temos o exemplo de SP Capital que está implantado gradualmente a frota elétrica.