Depois de quatro horas de paralisação, trabalhadores da Embraer suspenderam a greve deflagrada na manhã desta terça-feira (3), em São José dos Campos.
A greve foi votada em assembleia do Sindicato dos Metalúrgicos e aprovada, mas depois de algumas horas houve o recuo por parte dos funcionários.
O sindicato alegou que os trabalhadores ficaram intimidados com a presença da Polícia Militar e de seguranças da empresa, que estavam filmando os grevistas. Por volta de 9h20, a empresa informou que as operações estavam normais em todas as unidades da Embraer.
Os trabalhadores da Embraer não aceitaram o índice de reposição da inflação, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do período da data-base da categoria (setembro de 2022 a agosto de 2023), que é de 4,06%. Eles reivindicam aumento real e a renovação de todos os direitos da convenção coletiva.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a última vez que houve aumento real foi em 2017. A greve é por tempo indeterminado.
“A condição imposta pela Embraer para a assinatura é a redução da estabilidade no emprego para trabalhadores que foram vítimas de doença ou acidente ocupacional. A convenção de 2017 garante estabilidade até a aposentadoria, mas a empresa quer reduzir esse período para 21 meses (em caso de doença ocupacional) e 60 meses (acidente ocupacional)”, diz o sindicato.
“A estabilidade para esses trabalhadores é um direito histórico, conquistado pelos metalúrgicos ainda na década de 1970.”
A Embraer possui cerca de 9.000 trabalhadores em São José dos Campos e é beneficiada com recursos públicos vindos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Somente entre 2020 e 2023, o banco liberou R$ 3,7 bilhões para a empresa.
“Não podemos admitir que uma empresa que recebe financiamentos públicos bilionários mantenha trabalhadores sem direitos garantidos em convenção coletiva. Isso ameaça inclusive a segurança dos aviões. Já são cinco anos em que os funcionários da Embraer estão sem aumento real e sem convenção. O aviso está dado: não vamos aceitar retirada de direitos e reajuste apenas pela inflação”, disse o diretor do sindicato, Herbert Claros.
OUTRO LADO
A Embraer foi procurada e disse, por meio de nota, que já concedeu aumento salarial de 4,06% e que as negociações com o sindicato continuam.
“A Embraer, por liberalidade, já concedeu o reajuste salarial de 4,06% (que corresponde a 100% da inflação no período) aos colaboradores que recebem salários de até R$10 mil e um fixo de R$ 406,00 para remunerações acima desse valor, conforme proposta apresentada pela Fiesp, que representa as empresas do setor. As negociações entre Fiesp e entidades sindicais continuam. ”