SÃO JOSÉ

Obras do ‘teatro invertido’ podem ser retomadas com a concessão do Parque da Cidade

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo/OVALE
Esqueletos deixados na obra do teatro invertido
Esqueletos deixados na obra do teatro invertido

A Prefeitura de São José dos Campos estuda retomar a construção do ‘teatro invertido’, obra que começou em 2007, no governo de Eduardo Cury (PSDB), e parou por problemas com as construtoras.

Posteriormente, constatou-se que o gabarito da obra estava invertido: a frente do teatro, que deveria ficar de fronte para o Parque da Cidade, foi feita para a avenida Olivo Gomes. Na época, o caso ganhou repercussão nacional e foi uma marca negativa da gestão de Cury.

Dezesseis anos mais tarde, a obra pode se tornar símbolo da cisão no PSDB de São José, partido que enfrenta a mais grave crise política da sua história em uma das cidades mais importantes do país. A legenda governou São José por 21 anos desde a redemocratização.

A retomada do ‘teatro invertido’ faz parte da concessão do Parque da Cidade, em Santana, na zona norte, o mais ambicioso projeto da Assessoria de Projetos Especiais dirigida por Alexandre Blanco (PSDB) e ligada ao gabinete do prefeito Anderson Farias (PSD).

“Toda concessão começa por estudos preliminares. Existe a decisão do prefeito de incluir o Parque da Cidade no PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), como foram incluídos o estádio, o aeroporto e a arena”, explicou Blanco.

Segundo ele, os estudos preliminares para definir o modelo de concessão do Parque da Cidade estão em andamento.

Caso o modelo se mostre economicamente viável, a retomada da construção do ‘teatro invertido’ deverá ser feita pelo futuro concessionário. “Precisa ter rentabilidade para ser atrativo ao mercado”.

ELEIÇÃO

A ideia de retomar o ‘teatro invertido’ acontece em meio à disputa no xadrez político do PSDB e trará novos capítulos no ninho tucano, partido que perdeu a prefeitura da cidade com a saída de Felicio Ramuth para o PSD, tornando-se vice-governador de São Paulo.

Por ironia, a obra que marcou negativamente o governo Cury pode servir como vitrine para a reeleição de Anderson, defendida por Blanco contra a vontade da direção do partido, na figura de José Mello.

No último final de semana, a convenção do PSDB aprovou a recondução de Mello como presidente do diretório municipal. Mello foi secretário de Felicio e comandava a Assessoria de Projetos Especiais, hoje chefiada por Blanco.

Blanco tentou disputar com Mello, mas teve negado o registro da chapa de oposição. Por meio dela, ele pretendia debater com a militância a possibilidade de apoiar a reeleição de Anderson, numa coligação com o PSD.

“A maneira de a militância opinar [sobre apoiar Anderson] foi montar a minha chapa, mas foi vetada essa consulta. Isso não é democracia”, afirmou Blanco, que vê nulidades no processo, vai tentar anular a convenção na Justiça e não quer sair do PSDB.

PAÇO

Ao lado de Emanuel Fernandes, ex-prefeito e padrasto de Blanco, o ex-deputado federal Cury segue sendo a principal liderança do PSDB na cidade. Pesquisa OVALE/Sampi/Ágili Pesquisas de maio mostrou Cury na liderança da intenção de voto para a Prefeitura, com 26,73% na pesquisa estimulada contra 13,37% de Anderson.

Para superar o tucano, caso Cury dispute a prefeitura, Anderson terá que ‘inverter’ o ‘placar’ no teatro político.

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