A tragédia anunciada.
Uma sucessão de irregularidades e de falta de manutenção do ônibus que levava os sete corintianos do Vale do Paraíba foi determinante para a morte deles na Rodovia Fernão Dias, em Minas Gerais.
É o que aponta a investigação da Polícia Civil e de autoridades de transportes em Minas Gerais.
Na última quinta-feira (24), o delegado Helton Cota Lopes, chefe do Deictran (Departamento Estadual de Investigação de Crimes de Trânsito) em Minas, disse em entrevista coletiva que a perícia já constatou preliminarmente que houve uma falha no sistema de freios do ônibus que transportava os 43 torcedores.
Além disso, outras quatro irregularidades foram constatadas: ausência de autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para viagens interestaduais, pneus desgastados, ausência de cintos de seguranças em algumas poltronas e a irregularidade no tacógrafo – dispositivo em veículos que monitora tempo de uso, distância percorrida e velocidade.
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Segundo Lopes, a Polícia Civil já pediu ao Hospital Municipal de Betim (MG) para mostrar os resultados de exames toxicológicos e de alcoolemia feitos no motorista do ônibus, que também é proprietário da empresa de transporte de Jacareí contratada pela torcida organizada do Corinthians no Vale. Ele pode responder por homicídio culposo.
"É perfeitamente possível entender que houve uma prática do motorista, que é proprietário da empresa, dos crimes do código de trânsito brasileiro, lesões corporais culposas e homicídios culposos. Sejam eles na modalidade da imperícia ou da negligência por parte deste motorista”, afirmou Lopes na entrevista coletiva.
“Ele [motorista] pode responder criminalmente por essas penas, com causa de aumento de pena porque houve transporte de passageiros. A empresa pode receber sanções administrativas.”
O motorista do ônibus e dono da empresa C.F.V. Martins Transportes, Cleber Felipe Vicente Martins, 39 anos, foi internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Público Regional de Betim. O estado de saúde dele é considerado delicado.
A Polícia Civil mineira informou que ele deve responder por lesão corporal e homicídio culposo.