O abismo da desigualdade.
Nas cidades mais ricas das regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Campinas, a renda da população mais pobre não alcança 1% do PIB (Produto Interno Bruto), que mede toda a riqueza produzida na região em um ano.
O levantamento foi feito por OVALE com base em dados oficiais do governo de São Paulo, obtidos com exclusividade pela reportagem.
Além disso, se fosse uma cidade, o contingente de pessoas em situação de pobreza e de extrema pobreza em cada uma das regiões equivaleria ao segundo maior município em população, atrás apenas de Campinas e São José dos Campos.
RENDA
Na RMVale, 484,9 mil pessoas estão na condição de pobreza e de extrema pobreza, população que supera Taubaté e Jacareí e a dos 29 municípios menores, cujos moradores, somados, chegam a 483,6 mil.
Além disso, considerando a renda per capita dos mais pobres, de até R$ 218 por mês, toda a população na condição de pobreza e de extrema pobreza no Vale teria uma renda anual de cerca de R$ 1,26 milhão, o que equivale a 1% do PIB regional.
Nas cidades mais ricas, o percentual é ainda mais baixo: 0,95% em São José, 0,64% em Taubaté, 0,56% em Jacareí, 0,74% em Guaratinguetá e 0,15% em Ilhabela, cidade com o percentual mais baixo do Vale. Os mais altos estão em Potim e Areias, com 7,3% e 7,13%.
"A desigualdade é uma das maiores chagas desse país e com o Vale não é diferente. Os números evidenciam a tragédia. Precisamos reduzir drasticamente essa desigualdade", disse o economista Luiz Carlos Laureano.
CAMPINAS
A região de Campinas registra 592,8 mil pessoas em situação de pobreza e de extrema pobreza, número que supera a população de todas as cidades da região, com exceção de Campinas.
O drama é ainda pior: a renda do contingente mais pobre equivale a 0,46% do PIB da região, uma das mais ricas do país. Na cidade de Campinas, os pobres detêm 0,73% do PIB municipal.