A morte em trânsito.
Acidentes em rodovias e vias municipais matam mais do que homicídios e latrocínios nas regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Campinas.
O levantamento é de OVALE com base nas informações do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) e da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).
Na RM Campinas, os acidentes de trânsito causaram 272% a mais em mortes do que os homicídios e latrocínios no período de janeiro de 2015 a junho de 2023 – série histórica do Infosiga.
Morreram nas estradas e nas vias municipais da região de Campinas, nesse intervalo de 2015 a 2023, 8.619 pessoas em acidentes contra 2.315 óbitos por assassinatos.
A média mensal de vítimas fatais em acidentes na RM Campinas é mais do que o triplo da média em homicídios e latrocínios: 85 contra 23, considerando o período de oito anos e seis meses.
A situação também é dramática na cidade de Campinas, que registrou três mortes no último sábado (22) durante um ‘rolezinho noturno’ com 200 motos. Outras 27 pessoas ficaram feridas.
O prefeito Dário Saadi (Republicanos) convocou uma reunião de emergência e prometeu acabar com os ‘rolezinhos’ de motos.
Entre janeiro de 2015 e junho de 2023, morreram na cidade de Campinas 1.279 pessoas em acidentes de trânsito contra 1.144 mortes em crimes violentos, 11,80% a mais para os óbitos no tráfego. A média diária é de 13 mortes nas estradas contra 11 em assassinatos.
Do total de mortes no trânsito em Campinas, 38% foram de motociclistas, com 3.274 vítimas desde 2015.
RMVALE
No Vale do Paraíba, a diferença entre as mortes no trânsito e em homicídios e latrocínios é menor do que na RM Campinas, em razão de a região ter se tornado a maios violenta do interior de São Paulo desde 2010.
Entre 2015 e 2023, as estradas e vias municipais da RMVALE vitimaram 3.134 pessoas contra 3.105 mortes por assassinatos no mesmo período, 0,93% a mais para os óbitos no trânsito. A média mensal de mortes é praticamente a mesma: 31 em acidentes e 30 nos crimes violentos. As motos também foram o principal veículo envolvidos nas mortes no trânsito no Vale, com 36% dos óbitos desde 2015 – 1.125 mortes.
O cenário muda nos indicadores das duas maiores cidades da RMVale, de acordo com os dados do Infosiga e da SSP.
São José dos Campos registra 688 mortes em acidentes de trânsito contra 457 em homicídios e latrocínios, 50,55% a mais para os óbitos no tráfego.
O número preocupa em razão do aumento constante da frota de veículos na cidade, que é cortada por rodovias federais e estaduais, como a Via Dutra, Carvalho Pinto e Tamoios.
Em Taubaté, a situação se inverte. Os crimes contra a vida mataram mais do que os acidentes de trânsito: 374 ante 358, 4,47% a mais para a violência. Na série histórica, a cidade mantém a média de 4 mortes por mês para o trânsito e nos assassinatos.
ROLEZINHO
O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), prometeu proibir os ‘rolezinhos’ de motos na cidade. A medida é uma reação após o saldo de três mortes e 27 feridos em um ‘rolezinho noturno’ que reuniu 200 motos no último sábado (22).
O acidente, que ocorreu na Rodovia Santos Dumont (SP-75), é investigado pelo 2º Distrito Policial de Campinas. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal.
Dário convocou uma reunião de emergência com as polícias Militar e Civil, a Guarda Municipal e a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) para tratar de ações conjuntas contra os ‘rolezinhos’ de moto.
Em vídeo, ele prometeu endurecer as regras: “Devemos trabalhar muito para que Campinas não tenha mais essa história de rolezinho”.