Paulistano de nascimento, Felicio Ramuth adotou São José dos Campos como a cidade do seu coração e nela fez sua carreira política, de secretário de Transportes a prefeito e agora vice-governador do estado de São Paulo.
Apesar de ter nascido na capital paulista, foi em São José que Felicio fez a vida. Chegou aqui jovem, e, como tantos que em busca de oportunidades migraram para cá, acompanhou bem de perto a transformação da cidade, dando, inclusive, a sua contribuição para isso.
Primeiro, como comerciante no próspero comércio da família, a Gasômetro Madeiras.
A partir de 2009, enveredou-se pela vida pública. Primeiro, foi secretário de transportes no governo Eduardo Cury, depois gestor à frente da Urbam (Urbanizadora Municipal). Também ocupou o cargo de secretário de projetos especiais de comunicação da prefeitura.
Em 2017, venceu o pleito para prefeito, no primeiro turno.
Reeleito em 2020 com 58,21% dos votos válidos, Felicio alçou novos e arrojados voos em sua segunda passagem pela prefeitura. Ao deixar o cargo em 2022, qual seria o seu futuro?
Felicio chegou ao Palácio dos Bandeirantes como vice-governador de São Paulo, ao lado de Tarcísio de Freitas.
A reportagem de OVALE foi ao espaçoso gabinete que Ramuth ocupa na sala 172 do Palácio dos Bandeirantes. No ambiente, poucos itens pessoais. Na mesa de madeira maciça com detalhes entalhados, pilhas de papéis, relatórios, presentes de visitantes – nesta ocasião muitos chocolates –, e uma orquídea roxa dando um toque de delicadeza ao ambiente austero.
O pé-direito alto e as grandes janelas envidraçadas, do chão ao teto, com leves cortinas sob medida, conferem a grandiosidade palaciana ao mesmo tempo em que suavizam o olhar.
Entre os itens de estima do vice-governador na sala de três ambientes, estão o relógio carrilhão de pêndulos do século 18 e a varanda com uma vista panorâmica da capital paulista.
A OVALE, Ramuth falou com entusiasmo sobre seus projetos e não se esquivou nem mesmo sobre enfrentar antigos aliados no próximo pleito em São José. Confira como foi a entrevista:
‘Nossa missão é mudar vidas, não ficar no ar condicionado’. O senhor deu essa declaração a OVALE em entrevista realizada no início do ano. Como é a rotina do vice-governador de São Paulo? Ela acontece mais dentro ou fora do gabinete número 172 do Palácio dos Bandeirantes?
Nas ações do governo cada vez vem sendo demonstrado com mais força pelo nosso governador Tarcísio (de Freitas), seja lá em São Sebastião quando estava perto daquela tragédia, agora na reforma tributária onde ele passou uma semana em Brasília acompanhando de perto, sentindo a situação e em outras ações.
Eu fui muito crítico, inclusive, do antigo governo estadual por conta do conforto do ar condicionado. Então, não tenho dúvida de que (é preciso) estar próximo das pessoas, e eu tenho feito isso, me considero 50% com espírito de prefeito e 50% vice-governador.
Gosto de estar próximo das cidades, também dos prefeitos, e dos equipamentos públicos que prestam serviços. Por isso que ao longo desses primeiros seis meses, tive a oportunidade de visitar muitas cidades e entregar muitas soluções oferecidas pelo Estado nas várias regiões. O Tarcísio normalmente segue para uma direção e eu faço essas entregas em outras regiões do estado. Assim foi durante a campanha e é assim que Tarcísio prefere que continue acontecendo ao longo do governo.
Uma rotina fora do gabinete é prioritária, assim como eu era quando prefeito e tenho conseguido manter essa situação também como vice-governador.
O vice-governador de São Paulo é também cidadão, marido e pai. Em nossa última conversa, o senhor falou a respeito de alguns desafios, como fazer academia diariamente, manter uma alimentação saudável diante dessa correria, ficar distante da família, etc. Do ponto de vista pessoal, já está adaptado à nova rotina?
Primeiro, conciliar essa mudança de endereço. Minha filha está no terceiro ano do ensino médio, então ela permanece em São José dos Campos e minha esposa, obviamente, permanece com ela. Mas é próximo, é perto daqui, quando tenho oportunidade retorno.
Segunda-feira de manhã, venho para São Paulo e retorno na sexta-feira. Tenho também a oportunidade de continuar próximo de São José e da região do Vale do Paraíba nas quatro oportunidades em que assumi como governador, na maioria delas, fiz ações dentro da região, como vistoria a obras, entrega de equipamentos na área de saúde, mobilidade urbana, área social, habitação, intensifiquei a presença no Vale.
Mas conciliar de fato a família com o trabalho foi o primeiro impacto que tive que enfrentar. Ainda estamos construindo essa situação. Minha esposa também vem pra São Paulo alguns dias da semana para me fazer companhia, eu tenho apartamento aqui. Tem valido a pena e eu tenho feito o que eu gosto.
Agora consigo fazer academia, bem pertinho de onde eu moro, vou a pé. Consigo ler um pouco também, não só de temas voltados para o estado, principalmente para as minhas missões. Consegui ler muitas experiências internacionais na relação da questão de drogas, principalmente da requalificação urbana que aconteceu em cidades como Nova York, Amsterdã. Tenho aproveitado esse tempo para leitura. Posso dizer que nos últimos três meses as coisas estão entrando nos eixos e virando uma rotina.
Ah, tem mais uma coisa importante. A partir de agosto, começo a receber também no gabinete no centro de São Paulo, na rua Boa Vista. Principalmente para receber aquela população, os Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), os empreendedores da região central. Muitos deles já vieram aqui, já conheceram o palácio e agora a gente quer atendê-los pertinho de onde está o problema.
Qual foi a lição mais importante que o senhor aprendeu ao longo desses primeiros sete meses de governo? O que passou a enxergar que antes não via?
Por conta da missão de coordenação das secretarias dentro da questão das PPPs (Parcerias Público-Privada) e dentro da própria questão das cenas abertas de uso (cracolândia), essa dificuldade de integração entre as secretarias, do próprio estado e mais ainda quando a gente tem que unir os esforços com os municípios. Então isso foi um aprendizado, da dificuldade dessa integração de informações, o que a gente encontrou aqui foi pouca troca de informações entre as secretarias. Estamos trabalhando não só nesses projetos com trocas de informações, mas em outros também, porque a gente identifica que esse é um problema.
Não adianta dizer que quer estar próximo dos prefeitos se dentro da nossa casa, dentro das próprias secretarias, a gente tem essa dificuldade de integração de políticas públicas. Isso eu aprendi, na verdade constatei e aprendi, que a gente pode e já tem feito muito mais trocas entre secretarias o que nos dá resultados positivos como os que já estamos colhendo.
São questões operacionais e demandas que são transversais. Cada vez mais a gente tem que compartilhar estruturas também dentro do estado, e tem problemas como eu disse, as PPPs e concessões, que ultrapassam pastas. Então a gente tem que ter essa integração. Na questão das drogas envolve políticas públicas sociais, de saúde, geração de emprego.
A parte de tecnologia, por exemplo, fomos buscar no Tribunal de Justiça o sistema SEI (Sistema Eletrônico de Informações), sem papel, sem custo para o estado. O governo federal já havia implementado na gestão anterior, e até para implementar uma iniciativa como essa é importante uma comunicação afinada entre as secretarias do estado.
O senhor ocupou o sétimo andar do Paço Municipal de São José dos Campos por cinco anos e três meses. À reportagem de OVALE, já declarou que: ‘São José tornou-se referência e vários avanços que tivemos em nossa gestão vamos trazer para cá’. São José é um modelo para o Estado? Em que pontos?
Em algumas ações sim, assim como outras cidades. A gente identifica boas políticas públicas implementadas em uma série de cidades. Seja pela política em si ou por ações pontuais como, por exemplo, a construção do hospital de retaguarda onde a mesma tecnologia está sendo utilizada na construção das casas em São Sebastião. Até o final do ano, o governador Tarcísio vai entregar uma solução de um problema que aconteceu em fevereiro, com 700 unidades habitacionais, isso é algo inédito no Estado e em gestão pública no país e é um exemplo do que aconteceu em São José dos Campos e que pode ser aplicado em escala muito maior no estado de São Paulo.
Outro caminho é o monitoramento georreferenciado das áreas de risco que em São José chama projeto Observa e que aqui nós já estamos avançando para uma futura contratação pela Secretaria de Habitação. Justamente para acompanhar as ocupações em áreas de risco e evitar que os problemas continuem acontecendo.
Dei dois exemplos diretos, mas, é claro, que tem a questão da inovação e da tecnologia que pode e deve ser implantada. Aliás, posso citar outras ações que não necessariamente são inspiradas em São José, mas que caminham nessa direção da cidade. Uma delas foi a implantação pelo estado do SNE (Sistema de Notificação Eletrônica). O SNE é um aplicativo que dá desconto de 40% em multas.
São José foi a primeira cidade do estado a implantar, o próprio governo não tinha e agora já está implantado. Por fim, mais uma tecnologia na área de segurança pública que é o sistema Córtex, do Governo Federal, com informações sobre procurados, com fotografias para uso de tecnologia de reconhecimento facial.
O estado de São Paulo, talvez por uma briga política, não aderiu ao sistema e São José dos Campos era uma das poucas cidades do estado que já usavam o Córtex, além do sistema Detecta que é do estado para melhorar seus serviços em segurança pública. O governador Tarcísio já assinou o convênio e já está em funcionamento o sistema Córtex.
Dois projetos prioritários de seus mandatos em São José, que seguem em pauta na administração Anderson Farias, são o novo sistema de transportes e a retirada das famílias que hoje vivem no Banhado. O senhor acredita que esses projetos serão concluídos até o término do mandato, em 2024?
Sim, ainda que o Banhado não tenha sido uma promessa ou um compromisso. O objetivo é entregar o parque do Banhado para a cidade. Infelizmente o que a gente vê é um vai e vem da Justiça e agora temos mais um capítulo já que houve uma manifestação depois de muitos anos por parte da Justiça de São José. Agora, o processo segue para o Tribunal de Justiça em segunda instância para ser feita uma nova análise, com recurso realizado pela prefeitura.
A gente esperava que fosse muito mais rápido, vimos que, às vezes, essa morosidade acaba atrapalhando as políticas públicas de terem êxito. A prefeitura vai fazer todo esforço necessário para fazer aquilo que considera que é certo. Que estava certo na nossa concepção quando fomos candidatos, eu e o Anderson (Farias) e ele continua exatamente com a mesma linha que nós já preconizamos lá atrás quando fomos candidatos em conjunto, era uma proposta minha quando prefeito e dele como vice-prefeito.
Sobre a modernização do transporte público, é importante que se diga, tenho conversado com muitos prefeitos, que o transporte público de São José dos Campos está acima da média de cidades do mesmo porte. É que a população de São José é exigente e é bom que seja porque a gente pode melhorar essa política pública e o caminho é pela mudança para matriz energética elétrica que acreditamos que é possível ser feito e eu acompanho com o Anderson esse processo. Tenho convicção de que ele vai conseguir entregar essa mudança de matriz energética dentro do primeiro mandato dele.
OVALE publicou recentemente pesquisas de avaliação de governo. Em São José, a administração municipal teve aprovação de 79,02%, enquanto o governo estadual teve 79,3% – praticamente a mesma avaliação. Como avalia esses números?
Duas avaliações espetaculares. Do prefeito Anderson e do seu time, sua equipe, e também daqui do nosso governador Tarcísio e nosso time, nossa equipe. Governador Tarcísio nessa avaliação, dentro de São José, supera o volume de votos (recebidos) e isso mostra que ele acabou atraindo pessoas que não acreditavam nas propostas dele. Isso aconteceu não só em São José, mas em outras cidades, como a capital.
Em São José, o resultado eleitoral foi o melhor das cidades acima de 500 mil habitantes, agora em São Paulo o governador Tarcísio perdeu a eleição para o seu adversário e hoje tem uma aprovação quase nos mesmos níveis, não chega a tanto, mas quase no mesmo nível. Acho que aí existe uma sinergia entre aprovações até porque para a população é difícil separar o que é estado e o que é prefeitura, mas eles percebem que há uma união e um trabalho conjunto e acho que é essa mensagem que a gente lê dessa pesquisa: um trabalho conjunto do estado em parceira com o município que já tem trazido resultados e que pode trazer resultados ainda melhores com essa continuidade futura que pode acontecer na reeleição do Anderson. O governador Tarcísio, eu e Anderson trabalhando em conjunto pelo Estado e especificamente para a cidade de São José.
Em 2024, São José pode viver uma eleição diferente. Se na história recente PSDB e PT polarizaram a briga pelo Paço, com os tucanos levando 6 dos últimos 7 pleitos, sendo duas delas com vitórias suas, agora o cenário é outro. Depois da mudança de partido, a cidade é governada pelo PSD e pode ter o PSDB, de antigos aliados e personagens históricos como Emanuel Fernandes e Eduardo Cury, como rival nas urnas. Como avalia o cenário pré-eleitoral?
O foco tem que ser na gestão. Como sempre acreditei e assim o fiz na minha primeira gestão, independente do cenário eleitoral. Aliás, como o nosso governador tem feito aqui. Já se coloca o nome dele (como candidato para a presidência), a imprensa coloca, mas ele está focado 100% em oferecer melhores serviços no presente e deixar um bom legado para o futuro, através das concessões e das PPPs que eu sou presidente do conselho.
O Anderson segue exatamente a mesma linha, a gente percebe que ele tem se dedicado muito à cidade, eu acompanho as redes sociais dele, vejo que ele está em todos os lugares conversando com todos os tipos de classes sociais e isso reflete na aprovação do governo.
Lá na frente, a eleição tem que ser analisada sobre o momento ideal. Eleição é também oportunidade e a oportunidade se dá com cenário sendo analisado naquele momento. Então, é muito cedo para se desenhar qualquer futuro cenário para a eleição da prefeitura. Mas posso dizer, com os números das pesquisas de aprovação, que o Anderson, hoje, desponta como um grande favorito por conta da aprovação que ele tem do seu governo, que é bem avaliado.
As reeleições do PSDB no passado foram baseadas em boas avaliações. Os governos bem avaliados foram reeleitos, assim aconteceu com Emanuel, aconteceu com o Cury, assim foi comigo. Pela avaliação do trabalho feito pelo Anderson é a tendência que isso se repita também na sua reeleição.
No governo do Estado, coube ao senhor encabeçar projetos importantes. Um deles é a Cracolândia, em São Paulo, que o governo chama de cenas abertas de uso. É possível acabar com a Cracolândia? Qual é a estratégia do governo?
O trabalho tem sido, primeiro de acolhimento a essas pessoas que precisam do atendimento do Estado. Para isso, nós criamos em tempo recorde o hub de cuidados do crack e outras drogas. Um prédio na rua Prates, no centro da cidade, com atendimento de saúde totalmente diferente do que era feito até então.
Desde a ambiência do espaço que traz tranquilidade e conforto, a forma de abordagem, até o atendimento multidisciplinar que esse espaço tem para entender a história de cada dependente que é abordado nas cenas de uso e é levado para lá voluntariamente ou que procura voluntariamente esse equipamento público. E oferecer para ele um leque de linhas de cuidados que pode ser os CAPES, os grupos de mútua ajuda, como narcóticos anônimos, Amor-Exigente, pode ser a internação em hospitais especializados, o acolhimento em comunidades terapêuticas, uma série de linhas de cuidados onde a saúde, o social, fazem a análise da situação daquele usuário e o encaminham para o que eles entendem como sendo o melhor caminho para que ele possa ter um resultado melhor ao longo do seu tratamento.
Ele também pode fazer uma união desses serviços. Pode ter um processo mais crítico, vai para o hospital para fazer uma desintoxicação, depois é encaminhado para uma comunidade terapêutica, depois para uma casa terapêutica, um CAPES, um abrigo municipal, ou um SIAT (Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica)– que é serviço do município. O importante é que o trabalho é integrado com entidades de mútua ajuda, igrejas católicas e evangélicas e seus trabalhos missionários de abordagem, trabalho da saúde, trabalho social municipal e estadual, e o trabalho da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Esse é o primeiro ponto para a gente poder ter a tranquilidade de saber que essas pessoas têm um respaldo para serem cuidadas e o hub oferece isso, a ampliação do número de vagas nas comunidades terapêuticas e hospitais especializados.
A segunda parte é o combate ao crime organizado. A gente tem que ser duro na região central com a ampliação no volume de policiais. Nós ampliamos em 120 policiais na região central. A guarda civil municipal essa semana inicia com mais 400 guardas civis metropolitanos na região central. Não à toa, nas últimas 14 semanas, a cidade de São Paulo vem reduzindo o número de roubos e furtos na região central.
Está longe ainda do que nós desejamos para o centro da cidade e para aquelas pessoas, mas os avanços são claros. Já vimos muitas matérias sobre a Praça da Sé que não tinha condições de servir aos turistas, hoje está de volta para a população.
É um trabalho de resiliência, não é algo simples a ser feito. Normalmente, uma ação tem reação do grupo de usuários e até mesmo da população.
A pesquisa Lecuca, levantamento de cenas abertas de uso, aponta que 40% dos usuários desejam encaminhamento para tratamento. Vale lembrar que 2.200 (usuários) já foram acolhidos ou internados, por volta de 40% são das cenas abertas de uso da região central, cerca de 800 usuários. Você pode dizer: com 800 usuários que foram encaminhados, já deveria ter abaixado em 800 (o número de usuários na cracolândia). O número não reduz porque existe uma coisa que chama influxo, que são pessoas que vem do Brasil inteiro porque entendem que a região é um bom lugar para se esconder e consumir drogas livremente. É isso que precisa mudar.
E agora, com a implantação das câmeras de reconhecimento facial, uma tecnologia usada em São José dos Campos, vai mostrar que o centro não é terra de ninguém. Quando a pessoa adentrar a região central vai ser reconhecida. E 70% desses usuários das cenas abertas de uso têm passagem pelo sistema penitenciário. Ou estão em regime semiaberto, cumprindo pena com restrições e se forem pegos nessa situação podem regredir suas penas e voltar para o regime fechado, ou estão aguardando julgamento em liberdade e também não poderiam frequentar aquele tipo de cena ou situação.
Vai ajudar muito a diminuir o influxo. Aos poucos, vamos diminuir esse número de usuários, com acolhimento, tratamento e sendo bastante duro e rígido com o crime organizado.
O senhor é presidente do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização, que tem, entre outras, a meta de desestatizar a Sabesp. Como estão os processos de desestatização?
Eu vou citar alguns (exemplos) da própria região. O processo de concessão das travessias de balsas, que queremos modernizar. Hoje, as travessias requerem investimentos de R$270 milhões todos os anos do dinheiro dos impostos dos paulistas. Arrecadam R$30 milhões. São nove travessias que pretendemos conceder.
E também trazer novidades na área de matrizes energéticas. Balsas híbridas e balsas elétricas. Hoje, 60% dos 270 milhões são consumidos em diesel, só no combustível das balsas, imagina o quanto não emite de CO2? Queremos mudar essa realidade com concessão para a iniciativa privada fazer e fazer com sustentabilidade.
Está em andamento os dois lados, norte e sul, do contorno de São Sebastião. Um vai ser entregue em dezembro e o outro até meados do outro ano. Tem o rodoanel norte que vai ligar a região sul do País com o Vale sem precisar passar por dentro da cidade de São Paulo.
O trem que liga Pindamonhangaba a Campos do Jordão, queremos conceder essa linha que está parada para mobilidade e para turismo. E no futuro, o trem intercidades, que ainda está em projeto e o nosso compromisso é iniciar as obras no trecho São Paulo – Campinas que o leilão vai ser esse ano. E o (trecho) São Paulo-São José dos Campos fazer a contratação do estudo. Não é um compromisso do governo Tarcísio iniciar a obra, mas tem projetos que são de estado e tem projetos de gestão. O trem entre SP- São José é um projeto de estado, cada um tem que fazer a sua parte.
Tem projetos na área de educação, parques, alguns já foram concedidos e trouxeram excelentes resultados e parques estaduais que podem ser concedidos também.
Por fim, a privatização da EMAE, que é uma empresa geradora de energia onde o estado tem 49% de participação nas ações e 97% na votação para decidir. Nós queremos vender a EMAE, uma privatização que deve estar avaliada por volta de R$3 bilhões. Como é uma empresa geradora de energia não vai impactar em nenhum tipo de serviço.
Já a Sabesp o nosso compromisso é o estudo que está em fase final de contratação e vai ser apresentado no ano que vem para demonstrar se é possível fazer a concessão, ampliando o tratamento do rio Tietê, antecipando a universalização, ou seja, a disponibilidade de tratamento de água e esgoto em cidades que não tem, como (a região) do Litoral Norte e, por fim, redução da tarifa. Se o estudo mostrar que essas três premissas são capazes de ser realizadas com a privatização, aí a gente continua nesse caminho.
A RMVale, desde 2010, é a área paulista com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes em São Paulo. Atualmente, as seis cidades com o maior índice estão na nossa região. Ao mesmo tempo, por exemplo, São José tem índices abaixo da média estadual. Como tirar a RMVale deste triste posto? Como explicar essa diferença entre índices de cidades dentro da mesma região?
Já começamos. Já reduziu em 30% o número de homicídios, esse é um número real dos primeiros seis meses deste ano. É um número expressivo. Os comandos da PM e da Polícia Civil têm feito ações em toda a RMVale e Litoral e já tem dado resultado, é uma queda substancial. E o melhor disso é que nos últimos meses ela se acentuou, portanto mostra que o caminho é de progressão dessa redução dos homicídios do Vale.
Vamos continuar fazendo isso com a implantação da ‘muralha eletrônica’ para a gente ter a tecnologia aliada principalmente nas cidades do Vale Histórico que é onde estão essas seis cidades que ainda fazem parte do ranking, e ações pontuais naquelas cidades que têm os piores indicadores e que precisam de ações pontuais, como já aconteceu em Cruzeiro com grandes operações da polícia, e em Taubaté.
Enfim, vamos continuar trabalhando com esse foco e, se este ritmo continuar, porque o Estado não reduziu em 30% o número de homicídios, mas o Vale sim. Então aos poucos a gente vai ver o Vale com uma redução mais acentuada e daqui a pouquinho passa a ter indicadores melhores, quem sabe próximos de um dígito e possa se igualar às demais regiões do Estado. O caminho é bastante promissor.
Há também a contratação de 1.100 novos policiais militares que já estão em treinamento daqui a um ano passam a atender e vão atender também a região do Vale do Paraíba e o novo concurso para 3.700 novos policiais militares e o concurso para polícia civil.
Neste início de governo, a nossa região foi palco do cenário mais desafiador, com a tragédia em São Sebastião. O que podemos tirar de lição dessa tragédia?
Primeiro, a importância da integração entre os poderes, o diálogo. Ali a gente viu o governo federal, estadual e municipal, todos atuando de forma conjunta para poder efetivamente minimizar os impactos à vida daquelas pessoas.
O segundo ponto importante foi poder construir um sistema de cuidados com ocupações de áreas de risco e nós estamos fazendo isso e queremos fazer com que o estado possa evitar futuras ocupações. O direcionamento da habitacional como prioridade às ocupações em áreas de risco que já é uma diretriz do nosso governador para o secretário de habitação e uma melhora no sistema de alertas do estado, que estão sendo contratadas não só do ponto de vista de mais radares meteorológicos, mas também do aviso para a população, com treinamento.
Fomos buscar experiências exitosas em outros estados ou em outros países para que a gente esteja mais estruturado.
Por fim, essa contratação inovadora das unidades habitacionais que pode servir de exemplo para todo o estado em construções de habitações e até em outras áreas, como escolas e creches, e que podem ser feitas com metodologias inovadoras.
Estamos analisando a conclusão desse projeto para ter discussões com o Tribunal de Contas porque essas novas metodologias construtivas precisam também ter métodos específicos para a sua contratação, elas não usam as mesmas tabelas da construção civil, elas têm uma outra metodologia de aplicação, portanto, precisam ter mais clareza para o Ministério Público, Tribunal de Contas, que puderam ser feitas (à época) por conta da emergência. O que a gente quer é que nas condições normais o estado possa continuar com contratações inovadoras.
O projeto do Trem Intercidades foi anunciado no ano de 2012. A proposta era criar um novo sistema de transporte ferroviário, ligando o Vale do Paraíba a outras regiões do estado, como a Grande São Paulo, Campinas e também a Baixada Santista. O prazo inicial era 2016. Agora, sob nova administração, o governo estadual espera realizar em novembro o leilão do Trem Intercidades, para ligação entre São Paulo e Campinas. O morador do Vale pode ter esperança de que o Trem Intercidades passará pela região?
Pode ter esperança, mas não nesta gestão, até porque é uma obra longa e vamos começar por São Paulo-Campinas.
Vamos relembrar a história. Lá atrás, o Brasil optou pelo transporte rodoviário ao invés do transporte ferroviário, copiou o modelo americano ao invés do modelo europeu, e aí as ferrovias que nós já tínhamos foram sendo sucateadas.
Tarcísio quando assumiu como ministro passa a mudar essa situação, com as autorizações e passa a ter o fomento de construção de novas ferrovias. Eleito governador segue na mesma linha tentando trazer para o Estado o transporte ferroviário até mesmo de passageiros. Portanto, a primeira ação é o trem SP-Campinas com ligações expressas e diretas, e também trens que vão parando ao longo do caminho. Mais dois trajetos que serão estudados como SP-Sorocaba que está sendo contratado. Por fim, SP- São José e a interligação desses três que é natural que aconteça, é um projeto de Estado e nosso compromisso é contratar os projetos do trem SP-Sorocaba e SP- São José.
Nosso governador tem essa responsabilidade de anunciar aquilo que é efetivo para ser concluído que é o trem SP-Campinas que inicia as obras na nossa primeira gestão.
Uma parceria entre o governo de São Paulo, Embraer e ITA resultou na criação do CPE (Centro de Pesquisa em Engenharia) para a Mobilidade Aérea do Futuro, que ocupa as instalações do ITA, em São José, com investimento de R$ 48 milhões.Qual é o impacto dessa investimento para a nossa cidade?
Espetacular para São José dos Campos. Mais um investimento na área de inovação voltada para o DNA da cidade que é tecnologia aeroespacial e voltada para o futuro, já que prevê a implantação de novos modelos de matrizes energéticas para o setor aeroespacial. Estamos falando em motores elétricos, híbridos e outros tipos de motorização para a indústria aeroespacial que tem tudo a ver com a cidade onde a gente tem os melhores técnicos-especialistas e a união da iniciativa privada, da Embraer, do poder público, do Estado através da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e da própria cidade com seu DNA para o desenvolvimento tecnológico.
São José dos Campos está de aniversário. Que mensagem o senhor deixa para a cidade?
Desejo que a nossa cidade possa continuar sendo exemplo não só para as demais cidades do Estado de São Paulo, mas também para todo o Brasil. Que ela continue ousada nos seus objetivos.
E essa ousadia só se dá se ela estiver dentro do coração do cidadão de São José, porque a prefeitura é uma parte desse ecossistema de construção da cidade, os empresários, empreendedores, as igrejas, as entidades, o poder legislativo, o poder judiciário e o poder executivo municipal, com o apoio também do poder estadual, juntos é que se pode de fato transformar a cidade como ela vem sendo transformada ao longo dos últimos anos. Desejo cada vez mais saúde para todos esses atores e muito, muito, sucesso para a nossa cidade e para cada um de vocês.