Após a pandemia da Covid-19, maior crise em saúde pública da sua história, São José renasce para um novo momento da sua história, com novos relacionamentos, negócios e oportunidades.
São José dos Campos vive um momento muito especial de florescimento das relações, primavera de encontros e, principalmente, reencontros. A cidade volta a respirar aliviada. Sopro de vida pós-pandemia.
Pessoas nas ruas, nos comércios, nos shoppings, vivendo a dinâmica da cidade, celebrando a vida após um tempo de restrições e limitações. O consumo aquecido pelo otimismo e pela esperança de dias muito melhores. A prioridade é viver intensamente.
Se os encontros estão fortalecidos, as uniões, o desejo de compartilhar a vida também. Casais buscam cada vez mais oficializar as relações refletindo no aumento no número de casamentos na cidade.
De acordo com o Portal da Transparência do Registro Civil, os cartórios da cidade registraram 4.321 casamentos no ano passado, um aumento de quase 9% em relação ao ano anterior, que contou com 3.992 oficializações. O ano de 2021, aliás, já havia superado em 15,6% o ano anterior que fechou com 3.453 uniões. Nos primeiros meses deste ano, já temos 1.903 casamentos realizados nos cartórios de São José.
A compatibilidade instantânea foi o que uniu o casal Nathália Campos, 28 anos, e Marcelo Alves, 30 anos. Eles se conheceram há um ano e, sem perder tempo, resolveram oficializar a união no último dia 8. O namoro durou 10 meses, o suficiente para terem a certeza de que seriam eternos namorados.
“Após a pandemia e tudo que aconteceu, como as pessoas queridas que se foram,veio a percepção de que o tempo está voando. Por isso, decidimos nos casar e viver tudo que Deus tinha para as nossas vidas”. O casal mora no Jardim Colonial.
EMPREENDIMENTOS
A volta dos projetos pessoais também pode ser comemorada. A volta da vida social impulsiona o desejo de tirar planos do papel e torná-los realidade. O DNA empreendedor do joseense fala mais alto.
Somente em 2022, foram 8.080 novos MEI’s (microempreendedor individual) abertos na cidade e um recorde na abertura de outras modalidades 7.757, gerando um total de 15.837 novos negócios, de acordo com dados da Sala do Empreendedor. Somente neste ano, foram 3.546 novos MEI’s e 3.211 em outras modalidades, num total de 6.757 até agora.
Quando se fala em confraternização vem à mente pessoas ao redor da mesa farta. Portanto, um bom termômetro para medir esse entusiasmo para reunir-se pode ser visto na quantidade de bares e restaurantes abertos nos últimos meses em São José. Foram 133 estabelecimentos nos primeiros seis meses do ano, segundo dados da ACI. No ano passado inteiro, foram 211.
“A celebração da vida está acontecendo. Tivemos a pandemia que foi uma coisa assustadora. Depois disso tudo, no ano passado, houve uma retomada muito boa de bares e restaurantes que são lugares que celebram a vida”, afirma José de Mello Correa, vice-presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José.
A categoria de alojamento e alimentação ficou em quinto lugar no ranking de empresas abertas na cidade, segundo levantamento da ACI. Com uma nova consciência e cuidados adequados de higiene, as pessoas têm voltado a frequentar muito esses espaços. “Nesse momento, as pessoas que estão celebrando a vida em bares e restaurantes se comportam de uma maneira muito mais cuidadosa em relação à saúde”, afirma.
Quem passa em frente à portaria do Parque Vicentina Aranha nota um novo bar que já está ganhando muitos frequentadores. O Vicentino Bar inaugurou em maio deste ano com a expectativa de se tornar referência na cidade.
“Já tínhamos o ponto e gostamos do ramo, notamos que por mais que a cidade tenha muitos bares, ainda assim é fraca na qualidade do espaço, atendimento e sabor. Por isso montamos um (bar) na qual a gente gostaria de frequentar”, afirma Jessica Ramos, sócia do espaço.
PANDEMIA
São José dos Campos combateu nos últimos três anos o maior desafio em saúde pública da sua história, com mais de 180 mil casos confirmados de Covid-19 e 2.346 mortes pela doença.
Neste momento, a realidade é outra e indica um renascimento com a superação dos piores momentos da pandemia. A retomada tem sido percebida (e celebrada) por diversos setores da economia na cidade.
Para Antonio Ferreira Junior, presidente do Sinhores (Sindicato dos hotéis, restaurantes, bares e similares) houve uma demanda reprimida por parte dos clientes que ansiavam retomar a vida social.
“A partir de 2021, as pessoas que ficaram muito tempo dentro de casa durante a pandemia realmente valorizaram e saíram bastante, foi um boom de pessoas saindo, confraternizando e reencontrando amigos. Foi uma retomada muito interessante”, aponta.
Segundo ele, esses são setores cujo fluxo de pessoas é muito sensível e varia de acordo com a economia. “Claro que os encontros foram super bem-vindos e as pessoas retomaram a vida social, tudo isso é muito positivo para a saúde mental de todo mundo e para a economia dos bares e restaurantes também”, completa.
“A reação da nossa cidade ao fim da pandemia foi muito boa, os números mostram que as empresas estão abrindo ou reabrindo de uma forma bastante positiva. É o que se espera de uma cidade como São José dos Campos moldada no empreendedorismo”, conclui Mello, da ACI.
OUTROS FATORES
O crescimento deste setor, principalmente em 2021, se deu também porque muitas pessoas perderam seus empregos durante a pandemia e buscaram alternativas. “A montagem de bares e restaurantes é uma alternativa, então as pessoas investem, mesmo não conhecendo o negócio e com o risco de não dar certo”, afirma Junior. Há também, segundo ele, uma parcela de pessoas vindas da própria categoria, como cozinheiros, que abriram pequenos negócios, muitas vezes, em casa mesmo, de forma informal.
ATIVIDADES
Segundo dados da Junta Comercial do estado de São Paulo e da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos, as atividades econômicas que mais abriram em 2023 foram: Comércio; Reparação de Veículos Automotores e Motos com 519 novas aberturas. Seguida por Atividades Profissionais, Técnicas e Científicas com 342 aberturas. Atividades Administrativas e Serviços complementares, 286 empresas. Saúde Humana e Serviços Sociais, 277. Alojamento e Alimentação aparece com 133.
No total, foram 2.351 empresas abertas neste semestre. No ano passado, foram 4.300 ao longo do ano. “É um número muito positivo. Se continuar nessa crescente chegaremos a 5.000 novas empresas abertas, que representa praticamente 10% de empresas existentes, ou seja, um crescimento bastante forte das três áreas: comércio, indústria e serviços”, afirma José de Mello Correa, vice-presidente da ACI.
Em entrevista anterior a OVALE, Correa disse que São José será a cidade mais atrativa para investimento do Brasil, senão da América do Sul. “Hoje a cidade tem um fenômeno de atração de pessoas, profissionais e empresas muito grande. A cidade está em um novo arranque para ser a mais tecnológica do Brasil. Temos aqui desde a startup até a empresa consolidada”.