SAÚDE

Julho Amarelo: mês de conscientização e prevenção das hepatites virais

Por João Vítor Trindade | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
As hepatites são caracterizadas pela inflamação do fígado, causada por diferentes tipos de vírus
As hepatites são caracterizadas pela inflamação do fígado, causada por diferentes tipos de vírus

Durante o mês de julho é celebrado o "Julho Amarelo", período dedicado à conscientização sobre as hepatites virais. Essas doenças são caracterizadas pela inflamação do fígado, causada por diferentes tipos de vírus. No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C, mas também existem os tipos D e E.

As hepatites podem ser classificadas como agudas, com duração de até seis meses, e crônicas, quando persistem por mais tempo. De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 2000 a 2021, foram registrados no Brasil 718.651 casos confirmados de hepatites virais. Desse total, 23,4% correspondem aos casos de hepatite A, 36,8% aos de hepatite B, 38,9% aos de hepatite C e 0,6% aos de hepatite D.

A hepatologista Maria Beatriz de Oliveira, do Hospital ViValle, em São José dos Campos, explica que nem sempre a doença apresenta sintomas, mas quando surgem, estes podem incluir fadiga, dor abdominal, náuseas e febre. A icterícia, caracterizada pela pele e olhos amarelados, nem sempre está presente.

As hepatites B e C podem causar doenças graves, infecção aguda, câncer de fígado e cirrose, sendo responsáveis por 74% dos casos de hepatites virais no país. Segundo a especialista, estima-se que 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer primário do fígado sejam causados por esses vírus.

Em relação à letalidade, o tipo C é o mais perigoso, respondendo por 76% das mortes relacionadas à doença, de acordo com o Ibrafig (Instituto Brasileiro do Fígado). Além disso, estima-se que até um milhão de pessoas no Brasil convivam com a doença sem saber, já que as hepatites virais podem não apresentar sintomas nas fases iniciais da infecção.

É fundamental que gestantes realizem exames pré-natais para detectar as hepatites B e C, HIV e sífilis. A conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para combater as hepatites virais e reduzir o impacto dessas doenças na sociedade. Confira abaixo as principais características de prevenção e contágio de cada tipo de hepatite.

Hepatite A:

- Transmissão: via oral-fecal, por meio de água ou alimentos contaminados, e por via sexual (prática oral-anal)
- Prevenção: hábitos de higiene, como lavar as mãos corretamente, higienizar louças e alimentos adequadamente, evitar contato com água contaminada (enchentes e esgoto) e uso de preservativos nas relações sexuais

Hepatite B:

- Transmissão: principalmente por sangue e outras secreções corporais contaminadas, principalmente por via sexual, parenteral (compartilhamento de agulhas e objetos cortantes) e vertical (transmissão materno-fetal)
- Prevenção: vacinação disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), uso de preservativo em todas as relações sexuais e não compartilhamento de objetos pessoais, como lâminas de barbear, escovas de dente, material de manicure e pedicure, agulhas e seringas.

Hepatite C:

- Transmissão: principalmente por via sanguínea, assim como a hepatite B
- Prevenção: evitar compartilhar objetos que possam ter entrado em contato com sangue, como no caso da hepatite B. A hepatite C tem maior taxa de detecção em indivíduos acima dos 40 anos ou com fatores de risco, como procedimentos de hemodiálise ou cirúrgicos sem cuidados de biossegurança, diabetes, hipertensão e compartilhamento de objetos para uso de drogas

Hepatite D (Delta):

- Transmissão: por meio do sangue e outras secreções corporais contaminadas. É necessário que o paciente tenha infecção prévia pelo vírus B. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a doença, além do uso de preservativos e não compartilhamento de objetos cortantes.

Hepatite E:

- Transmissão: via oral-fecal, assim como a hepatite A. Medidas de higiene e saneamento básico são essenciais para prevenção.
- Observação: a hepatite E pode ser mais grave em gestantes, com maior risco de complicações, como insuficiência hepática, perda fetal e mortalidade.

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