Dominadas pela base aliada ao governo Anderson Farias (PSD), as comissões de Justiça, Redação e Direitos Humanos e de Economia, Finanças e Orçamento emitiram pareceres contrários ao projeto da oposição que visava acabar com o chamado ‘confisco dos aposentados’. Com isso, a proposta será arquivada pela Câmara de São José dos Campos, sem passar por votação em plenário.
Pela Comissão de Justiça, o relator foi o vereador Zé Luís (PSD), que alegou que o projeto "é matéria de competência privativa" do prefeito, e que, "portanto, há evidente inconstitucionalidade decorrente do vício de iniciativa". O voto de Zé Luís foi acompanhado por Robertinho da Padaria (Cidadania). Rogério da Acasem (MDB) ainda não havia se manifestado até a noite dessa quinta-feira (29), mas a maioria já está formada.
Pela Comissão de Economia, o relator foi o vereador Roberto Chagas (PL), que votou a favor da tramitação do projeto. No entanto, em voto conjunto, Rafael Pascucci (PTB) e Juvenil Silvério (PSD) se manifestaram contra. Pascucci e Juvenil alegaram que o projeto "contém vícios insanáveis", pois a iniciativa seria exclusiva ao prefeito e a proposta, embora implique em renúncia de receita, não foi acompanhada de estudo de impacto orçamentário-financeiro.
PROJETO.
Apresentado em maio por cinco vereadores da oposição, o projeto visava revogar uma alteração realizada em 2020, que foi proposta na reforma da previdência do então prefeito Felicio Ramuth (PSD) e aprovada pela própria Câmara de São José dos Campos.
Antes dessa reforma, os aposentados e pensionistas contribuíam apenas sobre o valor que excedesse o teto do RGPS (Regime Geral da Previdência Social), que era de R$ 6.101,06 e hoje está em R$ 7.507,49. Desde então, passaram a ter descontados de seus vencimentos 14% de tudo que superar o salário mínimo, que estava em R$ 1.045 e hoje chegou a R$ 1.550.
Na época da mudança, o Sindicato dos Servidores estimou que 60% dos aposentados seriam prejudicados pela mudança no teto de isenção. No projeto, os vereadores Dr. José Claudio (PSDB), Amélia Naomi (PT), Dulce Rita (PSDB), Juliana Fraga (PT) e Walter Hayashi (PSC) alegavam que os aposentados e pensionistas “foram surpreendidos com uma perda considerável” e que muitos tiveram “que fazer empréstimos para conseguir pagar contas e despesas médicas”.
REPERCUSSÃO.
Em maio, quando o projeto foi apresentado, o governo Anderson alegou à reportagem que o texto seria inconstitucional, pois apenas o prefeito poderia propor medidas dessa natureza. A Prefeitura alegou ainda que, nos quase três anos da lei em vigor até então, o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) teve arrecadação adicional de R$ 125,5 milhões, e que revogar a mudança faria o instituto perder R$ 51,9 milhões por ano.
Já o Sindicato dos Servidores vinha promovendo mobilizações na Câmara para pressionar os vereadores a aprovarem o projeto.
Comentários
4 Comentários
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Márcio 05/07/2023Absurdo a voracidade por arrecadação dos nossos gestores, prejudicando os aposentados. Vem novas eleições aí. -
Donizetti Aparecido de Sousa 04/07/2023Nós servidores ficamos dois anos sem receber a reposição da inflação durante a pandemia, perdemos muitos colegas por COVID, trabalhando na linha de frente e ainda tivemos o confisco de 14% em nossos salários e mesmo assim o Prefeito Anderson propaga que Nossa cidade e inteligente -
Maria de Fatima Romão 30/06/2023É vergonhoso e amoral ver na prática a falta de compromisso com a justiça social. É indigna e inaceitável desconto de 14% para todos que ganham a partir do salário minímo. Nem mesmo um escalonamento foi aplicado. Trata todos com o mesmo rigor. 14% para os que estão aposentados com dois ou 3 salários pode significar muito num momento da vida onde se faz mais necessários recursos para uma velhice digna. Lamentável a falta de compromisso com os mais vulneráveis -
Benedito justino Morais júnior 30/06/2023Sem comentários, essa cambada de vereadores que vivem mamando na teta do governo pra manter seus cabides, pior que tem um monte que vive dentro das igrejas e comungando, e não sabem como nós servidores estamos vivendo....mas tem eleição, vou montar palanque nas portas das igrejas, pra mostrar para o povo os cordeirinhos.....