CÂMARA

Com parecer contrário de comissões, texto contra confisco dos aposentados será arquivado

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Cleverson Nunes/CMSJC
Plenário da Câmara de São José dos Campos
Plenário da Câmara de São José dos Campos

Dominadas pela base aliada ao governo Anderson Farias (PSD), as comissões de Justiça, Redação e Direitos Humanos e de Economia, Finanças e Orçamento emitiram pareceres contrários ao projeto da oposição que visava acabar com o chamado ‘confisco dos aposentados’. Com isso, a proposta será arquivada pela Câmara de São José dos Campos, sem passar por votação em plenário.

Pela Comissão de Justiça, o relator foi o vereador Zé Luís (PSD), que alegou que o projeto "é matéria de competência privativa" do prefeito, e que, "portanto, há evidente inconstitucionalidade decorrente do vício de iniciativa". O voto de Zé Luís foi acompanhado por Robertinho da Padaria (Cidadania). Rogério da Acasem (MDB) ainda não havia se manifestado até a noite dessa quinta-feira (29), mas a maioria já está formada.

Pela Comissão de Economia, o relator foi o vereador Roberto Chagas (PL), que votou a favor da tramitação do projeto. No entanto, em voto conjunto, Rafael Pascucci (PTB) e Juvenil Silvério (PSD) se manifestaram contra. Pascucci e Juvenil alegaram que o projeto "contém vícios insanáveis", pois a iniciativa seria exclusiva ao prefeito e a proposta, embora implique em renúncia de receita, não foi acompanhada de estudo de impacto orçamentário-financeiro.

PROJETO.
Apresentado em maio por cinco vereadores da oposição, o projeto visava revogar uma alteração realizada em 2020, que foi proposta na reforma da previdência do então prefeito Felicio Ramuth (PSD) e aprovada pela própria Câmara de São José dos Campos.

Antes dessa reforma, os aposentados e pensionistas contribuíam apenas sobre o valor que excedesse o teto do RGPS (Regime Geral da Previdência Social), que era de R$ 6.101,06 e hoje está em R$ 7.507,49. Desde então, passaram a ter descontados de seus vencimentos 14% de tudo que superar o salário mínimo, que estava em R$ 1.045 e hoje chegou a R$ 1.550.

Na época da mudança, o Sindicato dos Servidores estimou que 60% dos aposentados seriam prejudicados pela mudança no teto de isenção. No projeto, os vereadores Dr. José Claudio (PSDB), Amélia Naomi (PT), Dulce Rita (PSDB), Juliana Fraga (PT) e Walter Hayashi (PSC) alegavam que os aposentados e pensionistas “foram surpreendidos com uma perda considerável” e que muitos tiveram “que fazer empréstimos para conseguir pagar contas e despesas médicas”.

REPERCUSSÃO.
Em maio, quando o projeto foi apresentado, o governo Anderson alegou à reportagem que o texto seria inconstitucional, pois apenas o prefeito poderia propor medidas dessa natureza. A Prefeitura alegou ainda que, nos quase três anos da lei em vigor até então, o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) teve arrecadação adicional de R$ 125,5 milhões, e que revogar a mudança faria o instituto perder R$ 51,9 milhões por ano.

Já o Sindicato dos Servidores vinha promovendo mobilizações na Câmara para pressionar os vereadores a aprovarem o projeto.

Comentários

4 Comentários

  • Márcio 05/07/2023
    Absurdo a voracidade por arrecadação dos nossos gestores, prejudicando os aposentados. Vem novas eleições aí.
  • Donizetti Aparecido de Sousa 04/07/2023
    Nós servidores ficamos dois anos sem receber a reposição da inflação durante a pandemia, perdemos muitos colegas por COVID, trabalhando na linha de frente e ainda tivemos o confisco de 14% em nossos salários e mesmo assim o Prefeito Anderson propaga que Nossa cidade e inteligente
  • Maria de Fatima Romão 30/06/2023
    É vergonhoso e amoral ver na prática a falta de compromisso com a justiça social. É indigna e inaceitável desconto de 14% para todos que ganham a partir do salário minímo. Nem mesmo um escalonamento foi aplicado. Trata todos com o mesmo rigor. 14% para os que estão aposentados com dois ou 3 salários pode significar muito num momento da vida onde se faz mais necessários recursos para uma velhice digna. Lamentável a falta de compromisso com os mais vulneráveis
  • Benedito justino Morais júnior 30/06/2023
    Sem comentários, essa cambada de vereadores que vivem mamando na teta do governo pra manter seus cabides, pior que tem um monte que vive dentro das igrejas e comungando, e não sabem como nós servidores estamos vivendo....mas tem eleição, vou montar palanque nas portas das igrejas, pra mostrar para o povo os cordeirinhos.....