OBRAS

Vale e região de Campinas têm R$ 1,75 bilhão em obras públicas com problema de execução

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Obra de rede de esgoto em Maresias, na cidade de São Sebastião
Obra de rede de esgoto em Maresias, na cidade de São Sebastião

As regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Campinas acumulam quase 500 obras com problemas de execução, por estarem atrasadas, paralisadas e até canceladas.

O portfólio inclui empreendimentos no âmbito das três esferas de governo: municipal, estadual e federal, com investimentos que chegam a R$ 1,75 bilhão empenhados em obras problemáticas nas duas regiões (leia mais sobre obras em Campinas na página 17).

A RMVale soma 258 obras com problemas de execução, que contam com investimentos de R$ 574,1 milhões.

São José dos Campos registra 15 obras federais com problemas de execução e uma estadual paralisada, com recursos de R$ 31,9 milhões.

No âmbito estadual, de acordo com o TSE, a maior cidade do Vale tem uma obra paralisada, a execução de melhorias no sistema de desinfecção e implantação do emissário de efluente final da estação de tratamento de esgotos Lavapés. O valor é de R$ 5,47 milhões.

A RMC chega a 200 obras incertas, com custo de R$ 1,18 bilhão. Apenas a cidade de Campinas acumula 78 obras, com custos totais de R$ 704,7 milhões, sendo seis estaduais, uma municipal e 71 federais.

O levantamento das obras municipais e estaduais é feito pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), com referência ao primeiro trimestre deste ano. As obras federais são avaliadas pelo Painel de Obras do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

De acordo com o TCE, o Vale do Paraíba conta com 59 obras paralisadas e atrasadas no âmbito estadual e municipal, cujos investimentos alcançam R$ 180,3 milhões. O período em análise é o primeiro trimestre de 2023.

Trata-se de uma redução no total de obras com os mesmos problemas apontadas para o primeiro trimestre do ano passado, quando a região tinha 67 obras paralisadas e atrasadas, com valor de R$ 187,5 milhões.

As 59 obras com déficit de execução na RMVale neste ano estão divididas em 24 cidades. São 23 empreendimentos atrasados e 36 paralisados, cujos custos são de R$ 79,4 milhões e R$ 100,9 milhões, respectivamente.

Trata-se de 12 serviços feitos pelo governo estadual (4 atrasados e 8 parados) e 47 de responsabilidade das prefeituras (19 atrasados e 28 paralisados).

A obra de esgotamento sanitário (rede coletora, estações de tratamento e similares) em São Sebastião é a obra paralisada mais cara da região, com R$ 28,9 milhões e de responsabilidade do governo estadual. O serviço parou em janeiro de 2023, segundo o TCE, por “inadimplemento da empresa contratada”.

Taubaté tem a obra atrasada com o maior valor, com R$ 18,8 milhões e de âmbito municipal. De acordo com o TCE, trata-se da requalificação viária para recuperação da pista SP 62 (km 123 ao km 130). O motivo não foi informado.

Ilhabela vem na sequência, com duas obras na lista do TCE, uma em atraso e outra paralisada, com custo de R$ 17,5 milhões e R$ 14,2 milhões, respectivamente. Os serviços são de construção do novo Paço Municipal e de revitalização de ruas no bairro da Cocaia, ambos sob a responsabilidade do município.

FEDERAIS

A RMVale também contabiliza 200 obras canceladas e atrasadas com investimentos de R$ 393,8 milhões do governo federal. Elas fazem parte do pacote de 953 empreendimentos para as cidades da região acompanhados pelo Painel de Obras, ferramenta online mantida pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Do pacotão total de obras, que alcança R$ 1,21 bilhão, a região conta com 193 serviços cancelados e sete paralisados, num total de 200 obras com problemas. As paralisações afetam obras que alcançam R$ 308,9 milhões em investimentos. Já os cancelamentos são de serviços orçados em R$ 84,9 milhões.

FORÇA POLÍTICA

Presidente da Amvale (Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte), o prefeito de Cruzeiro Thales Gabriel (PSD) disse que a região precisa ampliar a sua representatividade política e força entre os prefeitos para aumentar a efetividade dos projetos para a RMVale.

“Acho que conseguimos evitar essa não efetividade [atrasos e paralisações] com diálogo, força política, projetos estruturados, sabendo onde queremos chegar e união das prefeituras”.

Thales disse ainda que é necessário fazer um trabalho junto às esferas de governo para destravar os empreendimentos com problemas.

“A união entre as forças políticas é fundamental para que tenhamos foco. Fazer um trabalho junto ao Estado e ao governo federal, com aferição de metas e resultados, são fundamentais para que a gente consiga ter efetividade nesses projetos.”

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