Um exemplo de aplicação do ensino antirracista vem do colégio Poliedro. Com diferentes abordagens, a instituição adota livros de escritores e escritoras negras e indígenas, além de promover discussões sobre as várias formas de racismo e as possibilidades de políticas e de ações antirracistas nas aulas de geografia, sociologia, história, filosofia e literatura. O ensino começa desde o primeiro ano do fundamental e a abordagem varia de acordo com a disciplina, a série e a idade dos alunos.
“A valorização da diversidade de olhares e o combate ao preconceito e à discriminação constituem pilares de muitos projetos pedagógicos do colégio. Tais temas estão presentes em nosso material didático, nos livros adotados para as rodas de leitura, nos debates promovidos em sala de aula, em projetos como o Fórum Social Mundial e o PoliONU, em propostas de redação e nas aulas”, explica Murilo Medici Navarro, coordenador pedagógico do Poliedro Colégio de São Paulo.
O objetivo é desenvolver nos alunos a empatia e o senso de responsabilidade para ajudarem na construção de uma sociedade mais justa, menos preconceituosa e mais acolhedora. “Além disso, a valorização da diversidade e do pensamento crítico tem como foco desenvolver de forma mais completa as habilidades analíticas, argumentativas e socioemocionais, inclusive para o trabalho em equipe”, cita Navarro.
Aliás, o caso Vini Jr. foi tema de debate nas aulas de geografia para exemplificar um dos tipos de racismo e comparar as políticas antirracistas no Brasil e em outros países.
O retorno e a participação dos alunos são muito positivos. Segundo Navarro, essa geração compreende bem o racismo como um problema a ser combatido, como algo injusto e indesejável. No Ensino Médio, quando as discussões ficam mais aprofundadas, ele explica que surgem polêmicas e discussões sobre as diferentes formas de se combater o problema. “As polêmicas são sempre muito importantes para contrapor visões e opiniões e, novamente, contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico”, finaliza.