Produtores rurais do Vale Histórico estão conseguindo economizar com gás de cozinha e aumentando a produção a partir de um projeto que conta com apoio do CBH-PS (Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul).
Trata-se do projeto Práticas Integrativas em Propriedades Rurais, financiado pelo Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) e aprovado pelo CBH-PS em 2020 para desenvolver o reflorestamento e recuperar as nascentes, além de implementar técnicas de saneamento rural com instalação de biodigestor que produz gás natural, biofertilizante e o aumento da produção de leite.
Quem se interessou pelo projeto foi a família do produtor João Candinho, da propriedade rural Granja Sítio Santo Antônio, em Areias. Cinco pessoas moram no sítio, em uma área de mais de 35 hectares, com nascentes que formam um córrego que percorre o interior da propriedade rural.
Coordenado pela engenheira agrônoma Karla Conceição Pereira, o projeto está dando frutos ao meio ambiente e à economia da família.
Ele começou com o Movimento das Nascentes do Rio Paraíba do Sul juntamente com o professor Lázaro Tadeu, o famoso personagem do Zé da Paraíba, para ser um modelo de conservação das nascentes, educação ambiental e produção sustentável.
Ao longo da implantação do projeto, segundo o CBH-PS, a propriedade de João Candinho foi adequada na legislação pertinente às questões ambientais, além de terem sido licenciadas todas as atividades que são desenvolvidas pelo pequeno proprietário rural, garantindo o desenvolvimento sustentável e a economia verde.
A prática utilizada pela família com o biodigestor é uma tecnologia de baixo custo capaz de gerar energia, tratar resíduos da propriedade rural e contribuir com a redução dos gases do efeito estufa, além de produzir o biofertilizante, adubo rico em nutrientes e gás natural.
Segundo Regiane Rezende, proprietária rural, com um investimento de aproximadamente R$ 12 mil a família instalou o biodigestor com capacidade de gerar biogás equivalente a dois botijões de gás de cozinha e ainda produzir cerca de 400 litros de biofertilizantes por mês.
O gás produzido no processo de biodigestão é incolor, não tem cheiro e é um combustível que pode ser usado em fogões, geladeiras a gás, em máquinas e equipamentos com motores a combustão e que impede o descarte sem tratamento do dejeto (esterco) animal no meio ambiente.
O projeto fez aumentar a produção de leite, com mais de 900 litros, permitindo uma renda de R$ 3.000 por mês para a família. Antes dos cuidados com a terra e na produção dos biofertilizantes, a família produzia o que era possível dentro das suas condições para manter o rebanho. Hoje a produção do leite foi triplicada e a suinocultura incrementada, sem a contaminação do solo e da água.
Com a aplicação de boas práticas agropecuárias e ambientais, a família já se caracteriza como agente de agricultura familiar e já vislumbra a possibilidade de sobreviver 100% da terra. Giovanni, filho caçula, hoje com 15 anos, já pensa em continuar trabalhando na área rural e não mais se mudar para a cidade, garantindo a permanência e o futuro da família.
Areias fica no Vale Histórico e abriga a nascente do rio Paraíba do Sul, na Serra da Bocaina. A cidade possui diversos produtores rurais e foi contemplado, neste ano de 2023, com mais recursos do Fehidro para a realização de saneamento rural e monitoramento de controle de perdas de água por meio da inteligência artificial. Estes projetos ainda serão iniciados.
A ação mobilizou moradores, comerciantes e proprietários rurais que hoje acompanham e fazem parte do desenvolvimento ambiental e rural da cidade, visando a qualidade de vida, a saúde pública, a economia e a melhoria do turismo local.
“Este é um modelo de projeto de vida, que visa contribuir com a permanência dos produtores rurais em suas propriedades, com a economia verde, com o meio ambiente, a Mata Atlântica, o cuidado com a água do Rio Paraíba do Sul, junto as suas nascentes, além da educação ambiental na rede municipal e estadual, proporcionando ainda local de estudos e pesquisas acadêmica para alunos de graduação e pós-graduação de diferentes instituições da região”, disse Karla Conceição Pereira.