A 2ª Semana Mestre Justino, que homenageia o pintor valeparaibano nascido em Redenção da Serra, continua neste final de semana (20 e 21), quando estará aberta ao público a exposição inédita mostrando a “Via Sacra” de sua autoria, pintada há cerca de 50 anos para a igreja matriz da cidade.
A exposição acontece na Capela do Cruzeiro, local onde o artista, que teria feito 91 anos na última segunda-feira, caso estivesse vivo, pintou o mural “Vida – Dádiva Divina”, painel com mais de 120m², no qual retrata momentos marcantes da trajetória do homem, do Gênesis ao Apocalipse.
Nas figuras, um pouco das expressões de pessoas comuns e do homem e caboclo valeparaibano, como ele costumava inserir nas suas pinturas.
“Com essa exposição nós encerramos uma série de atividades que foram desenvolvidas durante a semana, com o objetivo não só de homenagear o Mestre Justino, mas também fomentar a preservação da sua memória”, disse a professora Ana Néri do Carmo de Faria, presidente do Instituto Paiolinho, que promove o evento juntamente com a Secretaria de Cultura de Redenção da Serra.
ATIVIDADES
As atividades tiveram início na segunda-feira (15) quando foi realizada uma homenagem póstuma ao Mestre Justino, com a colocação de flores no seu túmulo por jovens das escolas de Redenção. Durante toda a semana, mais de 400 alunos fizeram visitas monitoradas à Capela do Cruzeiro para conhecer mais sobre a vida e a obra do artista.
Na noite de quarta-feira, professores da rede municipal participaram de uma videoconferência com o escritor Severino Antonio que, além de arte educador e autor do livro “Arte em Noite de Vagalumes – Entre a Devastação e o Reencantamento do Mundo”, também foi amigo de Mestre Justino, a quem se refere como “um pintor visionário, artista vidente, de uma pintura mitopoética, que revela o dentro das coisas e das vidas, o coração secreto da criação, o impronunciado”.
Segundo Severino, Mestre Justino, nos seus anos finais, com grande dificuldade para enxergar, “pinta ritualmente, como um demiurgo e as telas tornam-se campos de transmutações do escuro em luz nascente, luminescências, radiâncias”.
PAINÉIS
Apaixonado pela arte muralista e fã incondicional da obra de Cândido Portinari, a quem se referia como o “Da Vinci” brasileiro, Mestre Justino realizou seu sonho depois de anos, com a pintura de uma série de murais principalmente na cidade de Taubaté, em praças e locais públicos como o Parque Dr. Barbosa de Oliveira e o Sítio do Pica-Pau Amarelo e em prédios públicos, como a antiga Câmara Municipal.
Autodidata, nascido na zona rural de Redenção da Serra, em 15 de maio de 1932, iniciou-se na arte aos sete anos de idade e quando criança fazia seus desenhos com carvão nas paredes de sua casa ou nos troncos de bananeira que encontrava pela frente.
Uma de suas obras mais conhecidas é a via sacra que pintou para a Catedral de Bragança Paulista, mas inúmeros quadros seus se espalharam não só pelo Brasil, nas mãos de colecionadores, mas pelo Mundo, onde ele também consta de inúmeros catálogos de arte.