O número de mortes em confronto com a polícia voltou a subir no Vale do Paraíba, segundo dados da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), na comparação com o ano passado. Foram registradas seis mortes no primeiro trimestre de 2023 contra quatro em igual período do ano passado, um crescimento de 50% no indicador.
O aumento ocorre após queda em 2022, quando a região encerrou o ano com 17 mortes por confronto e queda de 32% na comparação com 2021, que teve 25.
O recorde histórico do Vale foi registrado nos anos de 2020 e 2019, quando a região acumulou 38 e 30 mortes em confronto com a polícia, respectivamente. As 17 mortes de 2022 foram as mais baixas para a região desde os oito óbitos de 2013.
No primeiro trimestre de 2023, quatro das seis mortes ocorreram em confrontos com a Polícia Militar em serviço e duas em confrontos com a Polícia Civil – uma em serviço e a outra durante folga do agente envolvido na ocorrência.
No ano passado, 12 das 17 mortes ocorreram em confrontos com a Polícia Militar em serviço e duas foram registradas com policiais militares de folga. A Polícia Civil teve duas mortes em serviço e uma em folga.
CÂMERAS
A queda das mortes em confronto com a polícia na região ocorreu após a instalação de câmeras corporais em policiais militares, medida iniciada no começo de 2021 pelo então governador de São Paulo, João Doria (sem partido).
O tucano deixou o governo paulista com saldo de 93 pessoas mortas em confronto com as polícias na região, 36,76% a mais do que nos três anos anteriores, quando a RMVale registrou 68 mortes óbitos.
Após a instalação das câmeras em policiais militares, no entanto, os indicadores começaram a cair.
No final de novembro de 2021, câmeras corporais flagraram policiais militares do Baep (Batalhão de Ações Especiais) executando um jovem desarmado e rendido, identificado como autor de um roubo na região sudeste de São José dos Campos.
As imagens ainda mostraram os agentes alterando a cena do crime para parecer que houve um confronto com os suspeitos.
Na ocasião, a Corregedoria da PM apontou que os policiais envolvidos praticaram os crimes de homicídio, fraude processual e prevaricação.
Antes de assumir o governo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a causar polêmica afirmando que iria rever e até tirar câmeras de uniformes da Polícia Militar. Diante da repercussão negativa, porém, ele recuou e o programa das câmeras foi mantido na corporação.
CAMPINAS
Ao contrário do Vale do Paraíba, região mais violenta do interior do estado de São Paulo, a Região Administrativa de Campinas registra queda de 25% na quantidade de mortes em confronto com as forças de segurança.
Neste ano, a região acumula três óbitos registrados como morte em confronto contra quatro no ano passado, ambos no primeiro trimestre. Os dados são da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública). Foram duas mortes com policiais militares em serviço e uma com o PM de folga neste ano. No ano passado, foram três óbitos com policiais militares em serviço e um durante a folga.
De acordo com a SSP, a região de Campinas encerrou 2022 com 22 mortes em confronto com a polícia, atrás das regiões de Santos (35) e Ribeirão Preto (23) e empatada com Sorocaba (22). Campinas ficou à frente de Piracicaba (21) e da RMVale (17).