Depois de três anos com mais mortes por Covid-19 do que homicídios no Vale do Paraíba, o número de vítimas de crimes violentos é maior do que o de óbitos pela doença em 2023 na região, em razão da diminuição da taxa de letalidade da epidemia.
No primeiro bimestre deste ano, a região contabiliza 54 pessoas mortas em crimes contra a vida, sendo 53 em homicídios e uma em latrocínio (roubo seguido de morte), segundo dados da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).
No mesmo período, a Covid-19 provocou 44 mortes na região, 18% de redução na comparação com os assassinatos. É a primeira vez desde 2020 que os crimes contra a vida ultrapassam as mortes pela doença.
A vacinação em massa da população do Vale tem feito a taxa de letalidade por Covid-19 para os casos confirmados ficar abaixo de 1% desde novembro de 2021. Atualmente, é de 0,5%.
Antes disso, a taxa chegou ao pico de 2,93% em abril de 2021, quando 955 pessoas morreram vítimas da doença. Em maio, foram 998 mortes, recorde da pandemia para um único mês e um número quase semelhante aos 1.078 óbitos em homicídios e latrocínios entre 2020 e 2022.
Em três anos de pandemia, a região acumula 8.274 mortes pela doença, número quase idêntico às mortes em homicídios e latrocínios de toda a série histórica da SSP, que começa em 2001. O Vale registra 8.601 vítimas de crimes violentos nesse período, de janeiro de 2001 a fevereiro de 2023.
COMPARAÇÃO
Analisando cada ano separadamente, a mortalidade para a Covid-19 é diversas vezes superior à de assassinatos.
Em 2020, enquanto 352 pessoas morreram em homicídios e latrocínios na região, nada menos do que 1.679 padeceram da doença, 4,76 vezes mais. O fosso foi ainda maior em 2021: 5.325 mortes por Covid contra 348 nos crimes violentos – 15,30 vezes superior.
A vacinação brecou a letalidade pelo vírus e 2022 terminou com 1.169 mortes na região, mesmo assim três vezes acima dos 378 óbitos em crimes violentos.
O total de mortes pela doença na RMVale equivale à queda de 41 aviões Boeing 737, uma das mais populares aeronaves comerciais do mundo. Cada jato leva 200 passageiros. É como se um avião desses tivesse caído na região a cada 26 dias.
O número de óbitos por Covid supera a população de 12 municípios, entre eles Lavrinhas (7.360) e Santo Antônio do Pinhal (6.840). Ou seja, desde o início da pandemia, a região perdeu em vidas o equivalente a 3,3 cidades de Arapeí.