O Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Campos cobra da prefeitura da cidade e da Secretaria de Proteção ao Cidadão um reforço no efetivo da GCM (Guarda Civil Municipal) nas escolas do município.
Desde que começou a onda de boatos e ameaças de massacres nas unidades escolares de São José, a prefeitura decidiu colocar um agente da GCM em cada escola, acompanhado de vigilante contratado de uma empresa privada.
Na avaliação do sindicato, o contingente deveria ser ao menos dobrado, com dois vigilantes privados e dois agentes da GCM, que podem portar armas.
Na manhã desta segunda-feira (17), um guarda civil municipal trocou tiros com dois criminosos na entrada da Escola Municipal de Ensino Fundamental Emmanuel Antônio dos Santos, no Residencial Frei Galvão, na zona leste de São José.
Os disparos causaram pânico em alunos, professores e pais. Imagens de vídeo mostraram estudantes pulando o muro para fugir da escola, imaginando tratar-se de um ataque à unidade.
Segundo o secretário de Proteção ao Cidadão de São José, Bruno Santos, o agente da GCM que fazia a segurança da unidade sofreu uma tentativa de assalto. Os dois criminosos tentaram levar a arma e o colete dele, que reagiu com tiros. Um dos bandidos foi atingido e os dois fugiram para uma área de mata.
VULNERÁVEL
O sindicato avalia que deixar apenas um guarda municipal armado nas escolas trará insegurança para o agente e para a comunidade escolar.
“Estão brincando com a vida do guarda e com a segurança pública. Tem que ter uma estratégia melhor de segurança. Não é só colocar o guarda. Colocar dois vigilantes desarmados, para não chamar a bandidagem, e mais um GCM para dar apoio”, informou a direção da entidade.
O sindicato pediu uma reunião com o secretário Bruno Santos, em caráter emergencial, para discutir a situação dos agentes nas escolas. Ainda segundo a entidade, os guardas também não estariam usando rádio de comunicação no trabalho nas escolas, o que dificultaria a rápida comunicação e pedido de reforço em caso de ataque.
“Apesar dos riscos serem inerentes à função, ao colocar apenas um guarda nas unidades a prefeitura maximizou e muito os riscos. É princípio básico da segurança pública a atuação de, no mínimo, dois guardas em patrulhamentos e operações, mas, infelizmente, por falta de efetivo, a prefeitura resolveu colocar a vida dos servidores em risco, e, consequentemente, tornando as escolas mais vulneráveis”, informou a entidade.
RECLAMAÇÃO
Além disso, o sindicato disse que os agentes da GCM que trabalham nas escolas estariam fazendo uma jornada diária, de segunda a sexta, de até 14 horas, boa parte do período em pé.
A mesma reclamação foi protocolada de forma online no MPT (Ministério Público do Trabalho) em representação aos agentes da GCM. O texto foi registrado como ‘Notícia de Fato’ no sistema do MPT e será analisado pelos procuradores da instituição federal.
O texto também aponta jornada excessiva e vulnerabilidade de guardas civis municipais que atuam sozinhos em escolas do município.
OUTRO LADO
O secretário Bruno Santos informou que todas as medidas de segurança estão sendo tomadas para reforçar a segurança nas escolas e que a utilização de agentes da GCM atende a pedido de pais e determinação da prefeitura.
“Todo GCM tem a capacidade técnica e preparo e treinamos isso para atender o pedido dos pais, preocupados com a questão de segurança dos filhos nas escolas. Empenhamos GCM nas escolas, mas também há vigilante e treinamento para atuar em conjunto. É por isso que a GCM está nas escolas”, disse Santos.
Ele informou ainda que todas as escolas da rede municipal têm monitoramento, sendo realizado presencial com a ronda ou de forma estratégia, com “GCM não identificado”.
Santos disse também que o prefeito Anderson Farias (PSD) autorizou a utilização de policiais militares para a segurança de escolas, por meio do convênio com a ‘Atividade Delegada’, o chamado ‘bico oficial’ dos agentes públicos.
“Queremos um ambiente escolar saudável e sem violência. Para que alunos possam voltar à normalidade depois de dois anos da pandemia”, afirmou o secretário de São José.