VIOLÊNCIA

Prefeituras do Vale e da RMC se mobilizam para combater e prevenir ataques a escolas

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Naiara Santos / OVALE
Anúncio de medidas de segurança em escolas de São José dos Campos
Anúncio de medidas de segurança em escolas de São José dos Campos

As ameaças de massacres em escolas levaram prefeituras do Vale do Paraíba e da RMC (Região Metropolitana de Campinas) a tomarem medidas de prevenção para evitar ataques, como o que matou uma professora de 71 anos a facadas e feriu outras quatro pessoas em uma escola estadual da capital.

Reuniões de emergência, debates com especialistas e anúncio de reforço na segurança tornaram-se rotina nestas últimas duas semanas, desde os atos de violência na escola estadual Thomazia Montoro, cujo invasor -- um adolescente de 13 anos – confessou o crime e foi apreendido pela polícia.

De acordo com um mapeamento da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) sobre ataques em escolas do Brasil encabeçados por alunos ou ex-alunos, o primeiro episódio foi registrado em 2002.

Desde então, foram listadas 22 ocorrências em escolas do estado de São Paulo, sendo que, em uma ocasião, o ataque envolveu duas escolas simultaneamente. Em três episódios, o crime foi cometido em dupla. Em cinco, os atiradores se suicidaram na sequência.

Ao todo, 30 pessoas morreram, sendo 23 estudantes, cinco professores e dois funcionários. Do total de casos, 13 (59%) estão concentrados nos últimos dois anos.

SÃO JOSÉ

Em São José dos Campos, o prefeito Anderson Farias (PSD) anunciou a instalação de botão do pânico nas instituições de ensino, encaminhamento de alunos para atendimento psicológico e reforço na capacitação de vigilantes.

Na manhã de quarta-feira (12), Anderson se reuniu com autoridades das forças de segurança e da Justiça, além de professores e diretores de escolas municipais. O objetivo foi explicar as medidas para garantir a segurança nas instituições de ensino.

“Todas as informações são tratadas de uma forma muito séria e são investigadas para que a gente possa chegar aos autores. Mas é importante que os pais passem essas informações e não transmitam para outras pessoas em grupo de família ou da escola”, disse o prefeito.

Anderson também afirmou que todos os protocolos de segurança foram reforçados com os profissionais da rede municipal.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

A instalação de um botão do pânico nas escolas das redes pública e privada do estado foi proposta pelo deputado estadual Rafa Zimbaldi (Cidadania), que entrou com um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo nesta semana.

Segundo o parlamentar, o item vai possibilitar contato direto da instituição de ensino com a Polícia Militar em caso de emergência.

“O botão do pânico é uma medida simples e eficiente, que vai permitir o contato direto da escola com a polícia local em casos de emergência, garantindo, assim, uma resposta mais rápida e eficaz em situações de perigo. Além disso, por si só, a instalação do item pode inibir a ação de potenciais agressores”, disse Zimbaldi.

TAUBATÉ

Na semana passada, a Prefeitura de Taubaté convocou reunião com autoridades e órgãos do município para tratar de segurança nas escolas.

No encontro, a Secretaria de Educação propôs adotar um programa de paz nas unidades, por meio de ações conjuntas com as demais instituições.

“A prefeitura ressalta a importância da participação dos pais e responsáveis pelos alunos no acompanhamento da vida cotidiana de seus filhos, principalmente no que tange ao universo digital”, informou a administração.

CAMPINAS

Dário Saadi (Republicanos), prefeito de Campinas, anunciou medidas de emergência para prevenir e combater a violência nas escolas. Todas as unidades de ensino municipais e privadas terão um número de telefone de acesso exclusivo e prioritário com a GMC (Guarda Municipal de Campinas).

“Por meio deste canal, as escolas vão acionar a corporação em caso de emergência e não vão depender do [número] 153. Este canal só vai atender as unidades de ensino e não será divulgado. Somente escolas e professores terão acesso a este número”, afirmou.

Outras iniciativas são as de dar prioridade na adesão de câmeras de segurança das escolas ao programa ‘Monitora Campinas’, reforçar o patrulhamento, monitorar redes sociais e capacitar o quadro de funcionários da Secretaria de Educação.

ESTADO

O governo estadual anunciou um pacote de medidas para ampliar a segurança nas escolas. Serão investidos R$ 240 milhões para contratar 550 psicólogos e 1.000 seguranças privados para atuar nas escolas estaduais. O atendimento será presencial.

O programa ‘Conviva’ será ampliado com 5.000 professores, um por escola, com jornada de 10 horas semanais exclusivas para disseminar ações do programa.

A Secretaria de Segurança Pública vai criar um botão de acionamento prioritário para escolas, intensificar o policiamento e aumentar as vagas da Dejem Escolar e contratar policiais aposentados para coordenar o programa Segurança Escolar.

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