As ameaças de massacres em escolas levaram prefeituras do Vale do Paraíba e da RMC (Região Metropolitana de Campinas) a tomarem medidas de prevenção para evitar ataques, como o que matou uma professora de 71 anos a facadas e feriu outras quatro pessoas em uma escola estadual da capital.
Reuniões de emergência, debates com especialistas e anúncio de reforço na segurança tornaram-se rotina nestas últimas duas semanas, desde os atos de violência na escola estadual Thomazia Montoro, cujo invasor -- um adolescente de 13 anos – confessou o crime e foi apreendido pela polícia.
De acordo com um mapeamento da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) sobre ataques em escolas do Brasil encabeçados por alunos ou ex-alunos, o primeiro episódio foi registrado em 2002.
Desde então, foram listadas 22 ocorrências em escolas do estado de São Paulo, sendo que, em uma ocasião, o ataque envolveu duas escolas simultaneamente. Em três episódios, o crime foi cometido em dupla. Em cinco, os atiradores se suicidaram na sequência.
Ao todo, 30 pessoas morreram, sendo 23 estudantes, cinco professores e dois funcionários. Do total de casos, 13 (59%) estão concentrados nos últimos dois anos.
SÃO JOSÉ
Em São José dos Campos, o prefeito Anderson Farias (PSD) anunciou a instalação de botão do pânico nas instituições de ensino, encaminhamento de alunos para atendimento psicológico e reforço na capacitação de vigilantes.
Na manhã de quarta-feira (12), Anderson se reuniu com autoridades das forças de segurança e da Justiça, além de professores e diretores de escolas municipais. O objetivo foi explicar as medidas para garantir a segurança nas instituições de ensino.
“Todas as informações são tratadas de uma forma muito séria e são investigadas para que a gente possa chegar aos autores. Mas é importante que os pais passem essas informações e não transmitam para outras pessoas em grupo de família ou da escola”, disse o prefeito.
Anderson também afirmou que todos os protocolos de segurança foram reforçados com os profissionais da rede municipal.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
A instalação de um botão do pânico nas escolas das redes pública e privada do estado foi proposta pelo deputado estadual Rafa Zimbaldi (Cidadania), que entrou com um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo nesta semana.
Segundo o parlamentar, o item vai possibilitar contato direto da instituição de ensino com a Polícia Militar em caso de emergência.
“O botão do pânico é uma medida simples e eficiente, que vai permitir o contato direto da escola com a polícia local em casos de emergência, garantindo, assim, uma resposta mais rápida e eficaz em situações de perigo. Além disso, por si só, a instalação do item pode inibir a ação de potenciais agressores”, disse Zimbaldi.
TAUBATÉ
Na semana passada, a Prefeitura de Taubaté convocou reunião com autoridades e órgãos do município para tratar de segurança nas escolas.
No encontro, a Secretaria de Educação propôs adotar um programa de paz nas unidades, por meio de ações conjuntas com as demais instituições.
“A prefeitura ressalta a importância da participação dos pais e responsáveis pelos alunos no acompanhamento da vida cotidiana de seus filhos, principalmente no que tange ao universo digital”, informou a administração.
CAMPINAS
Dário Saadi (Republicanos), prefeito de Campinas, anunciou medidas de emergência para prevenir e combater a violência nas escolas. Todas as unidades de ensino municipais e privadas terão um número de telefone de acesso exclusivo e prioritário com a GMC (Guarda Municipal de Campinas).
“Por meio deste canal, as escolas vão acionar a corporação em caso de emergência e não vão depender do [número] 153. Este canal só vai atender as unidades de ensino e não será divulgado. Somente escolas e professores terão acesso a este número”, afirmou.
Outras iniciativas são as de dar prioridade na adesão de câmeras de segurança das escolas ao programa ‘Monitora Campinas’, reforçar o patrulhamento, monitorar redes sociais e capacitar o quadro de funcionários da Secretaria de Educação.
ESTADO
O governo estadual anunciou um pacote de medidas para ampliar a segurança nas escolas. Serão investidos R$ 240 milhões para contratar 550 psicólogos e 1.000 seguranças privados para atuar nas escolas estaduais. O atendimento será presencial.
O programa ‘Conviva’ será ampliado com 5.000 professores, um por escola, com jornada de 10 horas semanais exclusivas para disseminar ações do programa.
A Secretaria de Segurança Pública vai criar um botão de acionamento prioritário para escolas, intensificar o policiamento e aumentar as vagas da Dejem Escolar e contratar policiais aposentados para coordenar o programa Segurança Escolar.