GOVERNO

Balanço dos 100 dias: Lula retoma programas sociais, patina na economia e polemiza

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min

O desafio dos 100.

A marca de 100 dias de um novo governo é mais simbólica do que prática, mas todo mundo leva a sério. Não é diferente no Brasil polarizado de 2023.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa 100 dias em meio a desafios muito maiores do que seu primeiro mandato, há 20 anos.

Pode-se dizer, parafraseando o petista, que “nunca na história desse país” houve um começo de governo mais desafiador do que este.

Lula sabia do tamanho da encrenca quando tornou-se candidato, em 2022. Ele disse, em várias entrevistas, que seria muito mais difícil agora do que em 2003, quando seus 100 primeiros dias foram marcados por apoio popular e críticas na área social.

Desta vez, as críticas são outras e mais profundas: falta de um norte na economia, ministros batendo cabeça e dificuldades em articular apoio no Congresso Nacional, onde se vê a repetição de estratégias fisiológicas do passado.

Houve ainda saias-justas em ministérios, denúncias contra ministros e episódios de revanchismo em falas do presidente, quando atacou o ex-juiz da Lava Jato e atual senador Sérgio Moro (União-PR), que condenou o petista à prisão.

“Lula ainda não desceu do palanque. Todo mundo imaginou que ele iria governar para o Brasil, mas ele resolveu governar para o PT”, disse o ex-deputado federal Eduardo Cury (PSDB), que coordena um ‘gabinete paralelo’ de oposição a Lula no Senado, recrutado pelo senador Rogério Marinho (PL).

A oposição vem batendo forte em Lula em seus 100 dias de governo. O próprio Marinho cobra projetos no Senado.

“Estamos aguardando os projetos que o governo deverá enviar para o Congresso. Não recebemos uma sinalização do governo de que forma essa agenda que ele quer implementar vai ser materializada através de projetos de lei”, disse Marinho, que lidera a oposição ao governo do petista no Senado.

Para o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede Sustentabilidade), os três primeiros meses foram de reconstrução após o desmonte da gestão de Jair Bolsonaro (PL) em várias áreas.

“Estamos reconstruindo e isso não é fácil. O governo atua na reestruturação de programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e o Mais Médicos”, afirmou. “Nós inauguramos, desde 1º de janeiro, um conjunto de ações para reconstruir o país. Até a vacinação voltou”.

Três meses após tomar posse, Lula tem 38% de aprovação, desempenho pior do que quando iniciou seus primeiros mandatos (43% em 2002 e 48% em 2006), segundo pesquisa do Instituto Datafolha.

O ‘sinal’ de Lula após a pesquisa foi afirmar que, a partir de abril, sua “obsessão” será o crescimento da economia.

POLÊMICAS

Após uma posse tranquila e histórica, na qual subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado de representantes de minorias do povo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem colecionando declarações polêmicas e derrapagens.

Para especialistas, Lula errou ao não saber aproveitar o espírito de união provocado no país após a tentativa de golpe em 8 de janeiro. Declarações como a de que poderia haver uma ‘armação’ em operação da Polícia Federal contra grupo de narcotraficantes acusado de planejar o assassinato do senador e ex-juiz Sergio Moro, ao qual também se dirigiu com um palavrão em entrevista.

ECONOMIA

Com viagem marcada para a China entre 11 e 14 de abril, depois de ter cancelado a ida ao país asiático por conta de uma pneumonia, o presidente Lula disse na última quinta-feira (6) que o crescimento econômico do país será sua “obsessão”a partir de agora.

"Começaremos outra fase do nosso governo: fazer a economia voltar a crescer", disse Lula em entrevista a jornalistas. “Minha obsessão será o crescimento e a geração de empregos”.

Comentários

Comentários