CHUVA

Moradores da Vila Nair, em São José, contabilizam prejuízos após enchentes

Por Thais Perez | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
OVALE
Thais Perez / OVALE
Doações estão sendo organizadas por vizinhos
Doações estão sendo organizadas por vizinhos

O dia em São José dos Campos amanhaceu nublado, com um sol preguiçoso que foi aparecer somente após às 10h. Na Vila Nair, alguns moradores esperavam ansiosos por ele, com medo que as nuvens fossem tomar conta do céu novamente. Eles passaram a noite em claro, reconhendo roupas, utensílios domésticos, mantimentos e retirando móveis, sofás, geladeiras e fogões danificados de suas casas. Objetos que foram conquistados com trabalho e suor, mas que foram levados pela chuva forte que atingiu a cidade na tarde desta terça-feira (28).

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Johnny da Silva, que mora em uma das casas atingidas, perdeu sofá, geladeira e até um móvel que havia comprado e nem teve tempo de montar. Ele estava dentro da casa onde mora desde 2013 e, quando percebeu que a água estava invadindo a residência, foi até a casa que fica aos fundos do terreno para avisar as outras pessoas que moram ali.

"Enquanto as meninas dormiam, a água invadiu e chegou a cobrir elas. Chamei todo mundo e tudo começou a boiar, sofá, televisão...", conta ele, que nesta manhã tentava solucionar um problema de energia elétrica na casa.

"É triste conquistar as coisas e depois perder desse jeito", completa. Ele trabalha com som automotivo e dedicou a manhã para tentar reparar o que sobrou de sua casa.

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Pelo menos quatro casas da Rua Amsterdãm, na Vila Nair, foram atingidas pela enchente. Nesta quarta-feira, equipes da prefeitura estavam no local para prestar auxílio aos moradores, que relatam que a água chegou até a altura do peito em alguns lugares.

No conjunto de casas onde Gislaine Aparecida mora, uma das paredes cedeu e caiu. Nas demais casas, a água invadiu os cômodos levando portas de aço devido à força da enxurrada. Um cachorro que mora no local foi arrastado pela água e acabou se refugiando em um tanque de lavar roupa durante toda a tempestade. Hoje, ele não deixava que ninguém se aproxima dela. "Está traumatizado", conta Gislaine, que, no momento da chuva, não estava em casa, assim como todos os outros moradores do local. Eles foram ver os estragos somente depois de voltar de seus respectivos trabalhos.

Dona Rosária, de 82 anos, que aparece em um vídeo sendo resgatada pelos bombeiros, estava em uma das casas quando a chuva começou. Sônia, sua filha, ficou presa na casa dos fundos durante a chuva, já que a geladeira começou a boiar. Quando conseguiu sair, foi acudir a mãe que está acamada na casa da frente do terreno. "Ela já estava pendurada no colchão quando fui buscá-la", conta ela. Agora, Dona Rosária está abrigada na casa de uma vizinha.

Apesar do acúmulo de água ser conhecido na vizinhança, que já estava acostumada a ver seus quintais transbordarem com as chuvas, essa foi a primeira vez que as casas foram invadidas pela enchente. Lucia Helena, que mora no local há 23 anos, afirma que a rua costuma alagar, mas ontem foi diferente. "Foi sobrenatural. Nunca havia visto algo assim. Nós tivemos que esperar e orar para Deus. Só isso que pudemos fazer, no meio do desespero", conta ela.

DOAÇÕES.
A casa de Larissa Tavares não foi atingida e ela está reunindo doações para os vizinhos mais necessitados. No momento, eles precisam de roupas, móveis, roupa íntima, geladeiras, fogões e outros eletrodomésticos. Para mais informações, ela disponibilizou seu telefone: 12 988982151.

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