DRAMA

Tragédia: 'Mãe, pai e tia morreram abraçando as crianças para salvá-las', diz médico

Por Marcos Eduardo Carvalho | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
OVALE
Ségio Barzagui/Governo do Estado de São Paulo
Tragédia em São Sebastião
Tragédia em São Sebastião

Walter Rodrigo Miyamoto, 42 anos, cirurgião do Hospital Regional do Litoral Norte, em Caraguatatuba, viveu dias que, certamente, nunca mais vai esquecer na vida. Afinal de contas, ficou 60 horas trabalhando, de forma ininterrupta, desde o final de semana, para atender as vítimas das chuvas que atingiram a região, especialmente São Sebastião.

A tragédia já deixou, até agora, 44 vítimas fatais, sendo 43 em São Sebastião e uma em Ubatuba, além de desabrigados, desalojados e feridos. No entanto, o trabalho de Miyamoto certamente ajudou a salvar muitas vidas e evitar que esse número de óbitos aumentasse.

No entanto, ele traz relatos de dor, tragédia e muita história de superação durante esses último dias. Ele comandou as operações de Atendimento às Múltiplas Vítimas da Catástrofe de São Sebastião no Hospital Regional do Litoral Norte. “Muitas histórias tristes e perdas de familiares e amigos das vítimas”, disse a OVALE.

ESTRUTURA.
Em depoimento à reportagem, Walter Rodrigo Miyamoto conta que, ao receber o chamado de alerta para abertura do Hospital como referência às complexidades, foi montada uma estrutura de triagem rápida por cores e áreas de atendimento por gravidade. “Com Times de colaboradores e até médicos voluntários”, afirmou, contando 17 casos graves, cinco crianças e duas gestantes em 60 horas “recebendo muitos Helicópteros Águias em nosso Heliponto”.

Segundo o médico, a maior parte operada pelas equipes de Ortopedia, Neurocirurgia, e Cirurgia Geral, além de Cirurgia Pediátrica e Cirurgia Vascular. “Foram muitas cirurgias”, afirmou.

Ao menos, de acordo com o especialista, todas as vítimas já estão com tratamento realizado ou encaminhado, com nenhum óbito. “Todos os times trabalharam de maneira incansável. Dos médicos às equipes de limpeza”, conta.

Ainda segundo Miyamoto, a maior dificuldade foi obter informações fidedignas do estado real do cenário e das vítimas do desabamento devido ao tamanho da catástrofe. “Não sabíamos o que esperar, e por isso nos preparamos para o pior”, afirmou a OVALE.

Foram inúmeras histórias de perdas de entes queridos. No entanto, a que mais impactou o médico foi a de uma família de férias, contada por duas meninas de 8 e 9 anos que foram atendidas pela equipe. Elas eram primas.

“Em choque e sem uma lágrima, a própria filha me contou que a mãe pediu para ela gritar por socorro para que a encontrassem e pudessem salvá-la, pois estava perdendo as forças e não conseguiria mais aguentar. Quando encontradas, tiveram que abrir os braços de mãe e tia para liberar as crianças. Mãe, pai e tia faleceram no local. Faleceram abraçando as crianças para proteger e salvá-las”, conta o médico, em um depoimento emocionante.

Depois, ele ainda disse que todos estarão 100% de prontidão para prestar o socorro necessário. “Sei que não podemos recuperar as pessoas queridas. Mas no que depender de nós, as vítimas podem contar conosco”, disse.

Veja em seguida: Duas crianças estão entre as vítimas de temporal em São Sebastião


Comentários

2 Comentários

  • CARLOS VAGNER PEREIRA DIAS 21/02/2023
    Tragédia humanitária e material no litoral norte e algumas cidades da região ainda mantendo o carnaval, alheias às tristezas e dificuldades ocasionadas pela tromba d\'água no litoral. Poderiam pelo menos, cancelarem neste últim o dia em respeito àquelas pessoas e aos mortos. Afffff
  • Aline Mousinho Bento 21/02/2023
    Esses profissionais da saúde são anjos na Terra. Que nosso Pai os abençoe eternamente por todo esforço e carinho prestado às vítimas!!