DESASTRES

Inpe e Univap participam de projeto para detectar terremotos e tsunamis em 'tempo real'

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução / Planet via Twitter / Canaltech
Imagem captada por satélite mostra destruição causada pelo terremoto que atingiu Turquia e Síria
Imagem captada por satélite mostra destruição causada pelo terremoto que atingiu Turquia e Síria

A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) vai financiar um projeto de pesquisa de um grupo de instituições e universidades brasileiras para detectar  terremotos e tsunamis em “tempo quase real".

O anúncio é feito em meio ao cenário de destruição causado pelo terremoto que atingiu parte da Turquia e da Síria e matou mais de 40 mil pessoas.

“A ciência busca avançar no monitoramento e na caracterização dos movimentos de falhas geológicas que permitam alertar para esse tipo de ocorrência. Até o momento, não existem instrumentos capazes de prever tremores”, informou a Fapesp.

Entre as instituições e universidades atuantes no projeto estão o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a Univap (Universidade do Vale do Paraíba), que têm sede em São José dos Campos, mais a UnB (Universidade de Brasília) e o IPGP (Instituto Global de Física de Paris).

Intitulado “Detecção ionosférica e imageamento de terremotos e tsunamis em tempo quase real”, o projeto é baseado na ionosfera – camada da atmosfera localizada entre 60 e 1.000 quilômetros de altitude – composta de íons, elétrons e plasma ionosférico que exercem, por exemplo, influência na propagação das ondas de rádio para lugares distantes da Terra.

“Um pequeno tremor na atmosfera pode ser bem maior na ionosfera. Por exemplo: o deslocamento da superfície da Terra durante um terremoto pode ser de milímetros, mas na ionosfera o registro atinge um número 10 mil vezes maior”, disse Esfhan Kherani, pesquisador do Inpe e um dos poucos especialistas na dinâmica da ionosfera/atmosfera em atuação no Brasil.

“Sabemos que nas últimas três décadas há vários trabalhos nessa área, mas nosso foco é o monitoramento em tempo quase real, um desafio ainda a ser resolvido. Um primeiro pulso de tremor dura cerca de dez minutos. Já conseguimos detectar em seis minutos depois do início do terremoto, mas queremos reduzir esse prazo, talvez para dois minutos ou poucos segundos”, completou Kherani.

Segundo ele, com tsunamis é possível fazer alertas, mas em casos de terremotos a situação é diferente, principalmente se os tremores são de baixa magnitude.

MEDINDO O TERREMOTO

Uma das escalas usadas para medir a magnitude dos terremotos é a Richter, desenvolvida nos anos 1930 pelos sismógrafos Charles Richter e Beno Gutenberg, ambos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech na sigla em inglês). Ela quantifica a intensidade conforme a manifestação na superfície terrestre.

De forma geral, um tremor menor que 3,5 pontos é registrado pelos sensores sismológicos, mas pode não ser percebido se ocorrer longe das cidades. Entre 3,5 e 5,4 pontos, pode ser sentido pela população, mas raramente causa danos. Já de 6,1 a 6,9 o terremoto pode ser destrutivo em áreas em torno de 100 km do epicentro e entre 7,0 e 7,9 – faixa em que está o registrado na Turquia no início de fevereiro de 2023 – pode provocar sérios danos.

Há também a Escala de Magnitude de Momento (abreviada como Mw), criada em 1979 por Thomas Hanks e Hiroo Kanamori, que substituiu a Richter para medir a magnitude dos terremotos em termos de energia liberada.

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