HOMICÍDIO

Juiz indica que falso médico teria 'desprezo pela vida humana' em pedido de prisão

Por Thais Perez | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
OVALE
Reprodução
Fábio estava se passando por médico em São José
Fábio estava se passando por médico em São José

Fábio de Cunha Machado, que atuava como falso médico em São José dos Campos, foi preso nesta segunda-feira (13) por ser o principal suspeito no "crime da geladeira", que chocou a região nordeste do Brasil no final do ano passado. A vítima, Adonias Ferreira, foi encontrado morto dentro de uma geladeira cimentada na cidade de Itapetim, em Pernambuco.

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A prisão de Fábio foi decretada pela Justiça de Pernambuco, que pediu sua detenção preventiva pelos crimes de Destruir, subtrair ou ocultar cadáver, Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais e Falsificar documento.

O juiz Carlos Henrique Rossi, que pediu a prisão, afirma que há indícios suficientes indicando que Fábio seria o autor do crime e que existe risco caso o acusado continue solto. Ele argumenta que o corpo de Adonias foi encontrado abandonado em uma geladeira da casa que Fábio morava, o que demonstra "total desprezo pela vida humana" por parte do suspeito.

Ele também pontua que Fábio já havia sido preso por um crime semelhante ao que está sendo investigado, o "Crime do Tambor", que ocorreu em 2016 na cidade de Guarulhos, em São Paulo. Além disso, ele aponta que Fábio saiu do nordeste e ainda foi preso em São José pelo crime de falsificação de documentos e de produtos medicinais.

CRIME DA GELADEIRA.
No dia 3 de novembro do ano passado, um corpo foi encontrado em uma geladeira em Itapetim, em um apartamento no centro da cidade, que estava sendo alugado por Fábio de Cunha. Desaparecido há 21 dias, o corpo do jovem já estava em estado avançado de decomposição. A geladeira estava na cozinha do imóvel e estava cimentada. Os policiais precisaram quebrar o concreto para chegar até o corpo. Após perícia, a polícia descobriu que a causa da morte foi uma overdose e que mais de 5 substâncias foram encontradas no organismo da vítima.

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O corpo pertencia a Adonias Ferreira, de 29 anos. Ele era da cidade de Maturéia, na Paraíba e saiu no dia 12 de setembro, dizendo que iria visitar sua mãe, na cidade de São José do Egito, em Pernambuco. Contudo, ele não deu mais notícias para a família, que prontamente reportou seu desaparecimento à polícia. De acordo com a irmã de Adonias, ela percebeu que não era ele que estava respondendo suas mensagens pelo celular e desconfiou que algo estava errado.

Segundo testemunhas, Adonias pode ter conhecido Fábio por meio de um aplicativo de relacionamento. Na época do crime, a polícia pediu a prisão preventiva de Fábio, que acabou sendo recusada pela Justiça. O acusado está em São José dos Campos desde novembro do ano passado.

CRIME DO TAMBOR.
Em 2016, a Polícia Civil da região encontrou o corpo de Sila dentro de um tambor, já em estado avançado de decomposição. Ela estava desaparecida há 5 meses e o tambor havia sido escondido nos fundos do imóvel, após vizinhos notarem um cheiro forte. Conhecida como Zilá, a aposentada morava sozinha, mas tinha uma cuidadora chamada Tina, que é mãe de Fábio.

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De acordo com a investigação, o filho de Sila pediu ajuda de Fábio para matar sua mãe, após uma discussão por conta de R$ 50. Fábio, então, teria fornecido medicamentos sedativos administrados à senhora, que foi posteriormente colocada no tambor, preenchido por cimento e cal.

Ainda em 2016, Fábio foi preso em uma cidade do interior de Minas Gerais, onde estava atuando como falso médico, com registros falsificados.

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