Os gastos do cartão corporativo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Vale do Paraíba revelam pagamentos de R$ 51,7 mil em padarias, valor que equivale à compra de 34,5 mil pães do tipo francês, o mais consumido.
Considerando a média de R$ 1,50 por cada pão, o gasto de Bolsonaro com o cartão corporativo em padarias do Vale, durante o mandato, seria suficiente para entregar um pão francês para cada morador de Aparecida.
Também seria possível comprar 5.178 latas de leite condensado, iguaria bastante apreciada por Bolsonaro enquanto esteve no comando do país. Neste caso, o presidente poderia presentear toda a população de Canas com uma lata.
Os gastos fazem parte do pacote de R$ 344,5 mil que Bolsonaro pagou com o cartão corporativo da Presidência em seis cidades da RMVale, entre 2019 e 2022.
As notas fiscais que detalham os gastos foram divulgadas pelo site ‘Fiquem Sabendo’, agência de dados independente e especializada na LAI (Lei de Acesso à Informação).
OVALE levantou os gastos do cartão corporativo na gestão de Bolsonaro feitos em seis cidades da região: São José dos Campos, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Aparecida, Lorena e Cachoeira Paulista.
Os pagamentos em padarias foram feitos em São José dos Campos, com um total de R$ 27 mil. Na avenida Ademar de Barros, na região central, o cartão presidencial mostra pagamento de R$ 15,6 mil em uma única vez numa padaria. Em outra, na avenida Nelson D’Avila, três gastos somaram R$ 12 mil.
No geral, o cartão da Presidência foi utilizado 45 vezes no maior município da RMVale, somando um montante de R$ 190,1 mil em pagamentos, média de R$ 4.226 por cada vez que foi acionado.
Em Guaratinguetá, o presidente gastou um total de R$ 42 mil em seis utilizações do cartão, sendo que em duas delas foram gastos R$ 24,1 mil em uma padaria do bairro Beira Rio. Ambas os pagamentos foram feitos em 2019, em junho e outubro.
FUNERÁRIA
O curioso dos gastos de Bolsonaro no Vale é que o menor pagamento foi registrado na cidade de Cachoeira Paulista, com R$ 700 em uma única utilização do cartão.
A empresa que contabilizou o gasto do cartão corporativo de Bolsonaro tem a sua atividade principal como funerária, e secundariamente como “comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente”.
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Maria Rita S. Pinto 01/02/2023Quantos pães poderiam ter sido comprados e quantos índios teriam sido alimentados com o dinheiro do roubo da Petrobrás ou com o dinheiro de obras construídas fora do país pelo PT?