O movimento é plural.
A saída para as cidades inteligentes é fazer da mobilidade urbana um serviço essencial para a qualidade de vida de outros setores, como economia, meio ambiente e planejamento.
Segundo especialistas, será imperativo que cidades como Taubaté, Jacareí, São José dos Campos, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, e Campinas, Sumaré, Americana e Indaiatuba, na Região Metropolitana de Campinas, encontrem formas de tornar o transporte um ponto central no planejamento urbano.
Elas também terão que reduzir os deslocamentos para trabalho e educação, diminuindo a quantidade de veículos nas ruas.
A meta é ter menos carro circulando e mais ônibus, bicicletas e outros modais coletivos, além de um transporte de fontes limpas de energia, como eletricidade e combustível verde.
“Os impactos negativos na saúde das pessoas exigem medidas como a restrição a caminhões, e estima-se uma perda da produtividade de 30% aproximadamente, por causa do stress das horas paradas no trânsito. Isso, sem contar os impactos sociais e ambientais”, disse Lincoln Paiva, do Instituto Mobilidade Verde.
“É preciso entender que mobilidade urbana não é como na engenharia, onde tudo está escrito nos livros. Muitas soluções são encontradas com criatividade, e cada cidade tem um desafio próprio”, completou o especialista.
Segundo ele, para cada desafio existe uma solução, e na maioria dos casos é preciso ter pulso firme para adotá-la.
“As visitas técnicas que realizamos tendem a quebrar paradigmas e resistências. Secretários de transportes com experiência de anos, gabaritados, muitas vezes se surpreendem com projetos de mobilidade resolvidos de forma simples e corajosa”, afirmou Paiva.
TAUBATÉ
Com 312 mil habitantes, Taubaté está na lista das cidades que terão que pensar a mobilidade como ponto central do seu planejamento urbano.
O município estreou no final de 2022 mudanças viárias na região da Avenida Nove de Julho, no centro. Entre as principais alterações, estão a inversão do sentido da avenida e a adoção de sentido único no viaduto da CTI.
“O motivo da mudança é decorrente da conclusão do estudo técnico contratado no início de 2021 para buscar alternativa de melhoria no trânsito na região central”, disse Tiago Dias, secretário de Mobilidade Urbana de Taubaté.
A cidade também prepara um pacote de medidas para o transporte público, que deve ser implantado até a metade do ano.
“As mudanças nos itinerários do transporte público também foram realizadas em sinergia com as mudanças no trânsito de forma a melhorar as rotas e proporcionar o menor impacto no trânsito na região central. Vale destacar que o estudo de reestruturação do transporte público está sendo finalizado e as mudanças no transporte irão acontecer dentro do 1º semestre de 2023”, disse Dias.
Entre as principais ações, estão a implantação de um anel viário, alterações do trânsito na região central, construção do viaduto na região industrial do Una e o projeto cicloviário.
“Com o plano municipal de mobilidade urbana aprovado na Câmara no final de 2021, o município iniciou a elaboração de diversos projetos de curto, médio e longo prazo, visando o crescimento inteligente e a mobilidade urbana planejada da cidade para os próximos 15 a 20 anos”, afirmou Dias.
“Elaboramos alguns planos de ações, como o projeto do anel viário, alterações do trânsito na região central, construção do viaduto na região industrial do Una e o projeto cicloviário, que está em desenvolvimento). Projetos esses em sinergia com o pacote de investimento da CCR RioSp no trecho de Taubaté, a contar do segundo semestre de 2024, com valor estimado de R$ 400 milhões.”